terça-feira, 15 de novembro de 2016 | Autor:

A Índia, que é o berço do vegetarianismo e a maior nação vegetariana do mundo, quando lá fui por 25 anos, não tinha arroz integral. Essa foi minha pasmada constatação quando morei num mosteiro dos Himálayas. A comida não tinha nada de marrom, não era integral e não tinha gosto naturéba. Era colorida, aromática e temperadíssima.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016 | Autor:

Meditação é uma palavra inconveniente para definir a prática chamada dhyána, em sânscrito, já que essa técnica consiste em parar de pensar a fim de permitir que a consciência se expresse através de um canal mais sutil, que está acima da mente. No entanto, o dicionário define meditar como pensar, refletir.

O termo dhyána pode ser usado tanto para designar o exercício de meditação, quanto o estado de consciência obtido com essa prática. Ela consiste em concentrar-se e não pensar em nada, não analisar o objeto da concentração, mas simplesmente pousar a mente nele até que ela se infiltre no objeto. “Quando o observador, o objeto observado e o ato da observação se fundem numa só coisa, isso é meditação”, dizem os Shástras. Portanto, o melhor termo em nossa língua para definir esse fenômeno é contemplação.

Por outro lado, não queremos alimentar o falso estereótipo popular de que os praticantes de Yôga sejam “contemplativos”. Assim sendo, essa palavra que melhor define dhyána torna-se inconveniente no momento atual.

Então, resta-nos uma outra designação. O estado de consciência que os britânicos do século XVIII arbitraram chamar de meditation é, na verdade, um tipo de intuição, ou seja, o mecanismo que possuímos para veicular a consciência, o qual está localizado acima do organismo mental. Intuição, todos já tivemos uma manifestação desse fenômeno, alguns mais outros menos. Trata-se de um canal que nos traz o conhecimento por via direta, sem a interferência do intelecto. Foi intuição aquele episódio familiar ou profissional no qual você sabia do fato, embora ninguém lhe tivesse dito, telefonado, escrito, telegrafado ou comunicado por meio racional algum. Simplesmente, você o sabia. Profissionalmente, academicamente, cientificamente, talvez você o tenha deixado passar por não dispor de um respaldo racional, uma documentação, uma pesquisa, uma bibliografia… No entanto, se tivesse lançado mão daquele conhecimento intuicional, teria passado à frente da concorrência, teria feito uma grande descoberta científica muito além do seu tempo. Depois, bastaria procurar a documentação adequada, ou as estatísticas necessárias para fundamentar o que você já sabia – fundamentá-lo apenas para que os seus pares não pudessem questionar as suas fontes.

domingo, 13 de novembro de 2016 | Autor:

Os historiadores sabem-no bem: não é à toa que história e estória (History & story) têm a mesma origem semântica. Em inglês é muito significativo que a palavra History pareça composta de his+story (sua estória, sua versão).
No fundo, é tudo mitologia. Se lhe perguntarem: “qual é a cor do cavalo branco de Napoleão?”, não responda que era cinzento e que branco era seu nome. Na verdade ele era branco mesmo e o nome era Le Vizir. Se ouvir que Ivan, o Terrível era terrível, duvide. Alexandre, o Grande, era pequeno. Rasputin era muito mais santo que demônio. E, afinal, os peles-vermelhas não eram uns selvagens desalmados como se quis fazer crer durante séculos.
A História sempre foi torcida por quem a escreveu. Qual terá sido a verdadeira história da revolução russa ou da revolução francesa? Comunistas comiam criancinhas? Os químicos da idade média eram mesmo bruxos emissários do diabo? Joana d’Arc era o que diziam os ingleses (uma bruxa francesa), o que diziam os franceses (uma santa) ou ainda o que diria Freud (uma portadora de psicose obsessiva com alucinações)? Não faria diferença: ela seria queimada de qualquer maneira.
Na mesma fogueira são torrados o nome, a reputação e a paz de espírito de todos aqueles que ousam ser mais lúcidos que a massa ignara, ou simplesmente diferentes. O próprio Freud foi impiedosamente perseguido e difamado enquanto vivo. Depois de morto, tornou-se venerado como gênio. Anos depois, outra vez, atacado e injuriado. Pelo jeito esse processo cíclico vai continuar se repetindo.
Galileu foi preso por dizer a verdade, libertado por admitir a mentira. Giordano Bruno, Miguel Servet e outros tantos, não se calaram: foram torturados e queimados vivos em praça pública. O psicanalista Wilhelm Reich saiu da Alemanha nazista e foi para o país da liberdade: lá foi preso por suas ideias libertárias e morreu na prisão.
Quantos passaram à História como loucos e eram iluminados; quantos passaram como iluminados e eram loucos!
A esta altura já acho que honesto é o adjetivo que se aplica a todo aquele que não foi desmascarado. E, em contrapartida, desonesto é o que não conseguiu provar sua inocência, ainda que verdadeira. Ah! Quanta gente honesta você conhece, não é?
Curioso é que embora a lei diga que todos são inocentes até que se prove o contrário, o povo faz o inverso. Em vez de exigir as provas ao que acusa, exige-as ao acusado! Então, para o populacho ele passa a ser culpado até que se prove a sua inocência.
Pensando bem, na Justiça também é assim. Se você for acusado falsamente terá de provar que a acusação é falsa, senão vai preso! Então… e aquela estória de que “ao acusador cabe o ônus da prova”?
Hoje, quando estoura algum escândalo envolvendo personalidades públicas em seus supostos envolvimentos amorosos “provados”, corrupções “documentadas” e outras pilantragens “testemunhadas” penso cá comigo o quão possível é que tenham apenas sido vítimas de complôs para desmoralizá-los e, assim, afastar concorrentes realmente fortes por ser incorruptivelmente honestos.
Mas o que esperar da humanidade se os seus mais ilustres sábios têm nos dado mostras de sandice desde a antiguidade até os nossos dias?

sábado, 12 de novembro de 2016 | Autor:

A programação psicológica de cada um tem polaridade invertida. O empreendedor tem polaridade positiva e o empregado, polaridade negativa. A polaridade positiva é ativa. A negativa, é passiva. A ativa é dinâmica. A passiva é estática. É claro que, generalizando desta forma, vamos encontrar muitas exceções. Então, vejamos sob outro prisma.
Vamos exemplificar da seguinte forma: quando o empregado se dirige ao trabalho em sua condução (ônibus, trem ou metrô) ele dorme ou fica acordado fazendo nada. No máximo, lê um livro de que goste. Ou brincando com algum joguinho. Ou vai jogando conversa fora com os amigos por alguma rede social, no smartphone.
O empreendedor viaja planejando seu negócio, observando o comportamento das pessoas na rua, fachadas, luminosos das lojas, as propagandas nos out-doors e tendo ideias.
Na verdade, o empreendedor quando vai ao cinema, ao teatro, a uma exposição ou museu está o tempo todo aprendendo e gerando ideias para o seu negócio. Se é técnico ou cientista, está elucubrando sobre seu invento ou pesquisa. O empregado está no cinema, teatro ou qualquer outra atividade de lazer apenas aproveitando o entretenimento. Lembre-se de que o verbo entreter é composto de “entre” e “ter”. Tipo ter o que fazer entre um compromisso e outro. Passar tempo.
O empreendedor, até enquanto está fazendo esportes, mantém ligado o dispositivo automático de encontrar soluções, melhorar, progredir.
É claro que também existem empregados que se encaixam nesse perfil, mas constituem uma minoria: a minoria que vai vencer na vida.
E também existem empreendedores e empresários que se enquadram mais no outro modelo de comportamento: são os que vão fracassar!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016 | Autor:

“Emotionalitas stupidificat.” (A emocionalidade estupidifica.)
Concessão de neologismo latino, by DeRose.

Não tenha receio de que outra pessoa consiga destruir o seu casamento. Ninguém tem esse poder. Só você pode destruir o seu casamento.
Se o seu relacionamento desmoronar, saiba que não foi por causa de nenhum intruso. A relação é que já ia mal das pernas e ruiu sozinha. O intruso, por acaso, estava perto.
O relacionamento, estando bem cuidado no que concerne ao companheirismo, diálogo, compreensão e sexualidade, ficará invulnerável e ninguém conseguirá penetrar sua blindagem.
Imagine um casamento que tenha deixado rachaduras emocionais e de repente aparece uma pessoa na vida de um dos dois oferecendo uma sexualidade avassaladora (ou qualquer outra coisa que preencha a carência). É quase certo que a relação mais antiga vai passar por uma prova, mas não terá sido por obra e graça da sexualidade avassaladora (ou qualquer outra coisa) de quem surgiu e sim pelas brechas existentes.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016 | Autor:

Considero mais efetivo derivar a atenção em lugar de reprimir, sempre que isso seja viável. Por exemplo, em vez de repreender a criança ou o cão com um “não”, é melhor, se possível, chamar-lhe a atenção para outra coisa. Até para evitar o cacoete do não-não-não.
Certa vez, levei a Jaya ao veterinário e ela, sempre muito sociável, foi logo conversar com um outro cãozinho que lá estava na sala de espera.
“Meu nome é Jaya” – disse ela, alegremente. – “Como você se chama?” E o cãozinho respondeu: “Acho que o meu nome é Não, porque o meu humano sempre que se dirige a mim, diz ‘Não!’. Aí, eu já sei que é comigo.”
Quando a Jaya começava a querer morder algum objeto que não lhe pertencia, em vez de dizer “Não!”, nós lhe oferecíamos um toy, gerando interesse com gestos e tons de voz. Se ela não quisesse trocar de objeto, bastava provocá-la, esfregando brincalhonamente o toy no seu focinho, até irritá-la. Aí ela passava a querer morder o objeto. Prosseguíamos tempo suficiente com o folguedo para que ela se esquecesse do que mordia antes. Obviamente, é preciso ter paciência para repetir a operação quantas vezes isso for necessário, até condicionar o animal.
Algumas pessoas argumentam comigo dizendo que isso consome tempo e que elas têm outros afazeres. Mas se você não tem tempo para educar o seu cão ou o seu filho, não tenha cães nem filhos!

quarta-feira, 9 de novembro de 2016 | Autor:

Se o adepto da tribo clean for convidado para almoçar ou jantar na casa de alguém, é sua obrigação relembrar o anfitrião de que o invitado não come carne de boi, nem carne de ave, nem carne de peixe, nem qualquer outro tipo de cadáver.
Mais vale informar isso antes do que gerar constrangimento depois. Se lhe desfecharem a famigerada pergunta: “Mas, então, o que é que você come?”, ofereça-lhe um livro Método de Boa Alimentação, deste autor. Tenha sempre um exemplar à mão para poder sacar rápido.
Se, após os cuidados mencionados, os anfitriões tiverem a deselegância de lhe servir animais mortos, você não estará sendo grosseiro se recusar tais alimentos. Deve seguir conversando alegremente, mantendo a simpatia, mas, simplesmente, não tocar na comida. Caso o anfitrião questione por que não está comendo, é adequado ser sincero e dizer:
— Não se preocupe comigo. Como lhe informei anteriormente, eu não como nenhum tipo de carne, nem carne de ave, nem carne de peixe. Mas tenho a certeza de que há legumes nos acompanhamentos e vou me servir deles. Além do mais, estou aqui para desfrutar da sua companhia e isso é o que importa.
Se o equívoco ocorrer num restaurante, após você ter deixado bem claro suas preferências alimentares, não brigue, não faça escândalo (eu sei que dá vontade), não humilhe o pobre diabo que não teve Q.I. para compreender o que você especificou. Peça a conta, pague e vá embora. Você não vai ficar mais pobre por isso, mas garanto que se estiver acompanhado, sua companhia vai ficar muito bem impressionada.
Caso o garçom ou maître lhe pergunte porque não está satisfeito, explique falando baixo, com educação, mas com convicção. Se ele lhe oferecer para trocar o prato, recuse gentilmente. Nunca mande voltar um pedido. É praxe dos cozinheiros do mundo todo cuspir no prato seguinte. Claro que nem todos têm tal comportamento, mas você vai querer arriscar?