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Imagine escutar &#8220;c\u00eadro&#8221;, quando a pron\u00fancia da madeira \u00e9 cedro (&#8220;<em>c\u00e9dro<\/em>&#8220;); &#8220;por conseg<strong>\u00fc<\/strong>inte&#8221;, pronunciando a letra <strong>u<\/strong>; pronunciando &#8220;<em>m<strong>\u00ed<\/strong>ster<\/em>&#8221; (como se fosse ingl\u00eas) o voc\u00e1bulo mister (mist<strong>\u00e9<\/strong>r) do portugu\u00eas&#8230; e mais uma quantidade de analfabetismos da nossa pr\u00f3pria l\u00edngua. E quando surgem cita\u00e7\u00f5es em ingl\u00eas, franc\u00eas, italiano, espanhol e latim? Em um livro de Machado de Assis, o locutor cometeu a leitura &#8220;<em>ma-i-\u00e7on<\/em>&#8221;\u00a0para a palavra francesa <em>maison<\/em>\u00a0que, qualquer crian\u00e7a sabe, pronuncia-se\u00a0<em>mes\u00f4n <\/em>(ex.:<em> Maison de France<\/em>)! \u00a0<em>C&#8217;est<\/em>, ele pronunciou &#8220;<em>s\u00e9sti<\/em>&#8220;&#8230; \u00a0sem coment\u00e1rios! Em uma cita\u00e7\u00e3o do italiano, <em>che<\/em> foi lido como &#8220;<em>tch\u00ea<\/em>&#8220;. Em <em>O P\u00edncipe<\/em>, de Maquiavel, o locutor pronuncia o nome da cidade de Piza como se fosse &#8220;<em>pizza<\/em>&#8221; (na segunda vez, acerta!). E tantas outras que nem vale a pena mencionar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E os tradutores! No mesmo livro citado, o autor, dirigindo-se ao nobre (singular) a quem o livro fora ofertado, diz, em brasileir\u00eas: &#8220;A voc\u00eas&#8230;&#8221; quando no original era &#8220;A v\u00f3s&#8230;&#8221; Como o animal entendeu que &#8220;v\u00f3s&#8221; \u00e9 a segunda pessoa do plural, lascou um &#8220;voc\u00eas&#8221; na tradu\u00e7\u00e3o! Depois, passa a misturar o tratamento &#8220;tu&#8221; e &#8220;voc\u00ea&#8221; na mesma frase pelo livro todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que o locutor n\u00e3o saiba pronunciar outras l\u00ednguas, ou que o tradutor seja semianalfabeto, poder-se-ia solucionar desde que houvesse a responsabilidade da editora em providenciar uma revis\u00e3o eficiente da grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu gravei um audiobook do meu livro <em><strong>Eu me lembro&#8230;<\/strong><\/em> . Embora a locu\u00e7\u00e3o tivesse sido minha, revisei a grava\u00e7\u00e3o um sem-n\u00famero de v\u00eazes, at\u00e9 que nada mais houvesse a corrigir. Considero uma falta de respeito com o leitor, com o consumidor, jogar o \u00e1udio no mercado de qualquer maneira, s\u00f3 para gastar o m\u00ednimo e faturar rapidamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso que os leitores se insurjam e reclamem! Basta do sil\u00eancio dos inocentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Burros! Burros!&#8221;, \u00e9 o brado que me ecoa na mente cada vez que escuto um \u00e1udiolivro no meu carro. A ideia \u00e9 muito boa. Poder ler os grandes cl\u00e1ssicos e todas as obras que eu sempre quis conhecer e nunca tive tempo. 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