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O <strong><em>i<\/em><\/strong> \u00e9 uma letra que n\u00e3o se usa antes de vogais, enquanto que o <strong><em>y<\/em><\/strong> \u00e9 fluido e r\u00e1pido para se associar harmoniosamente com a vogal seguinte. Tal fen\u00f4meno fon\u00e9tico pode ser ilustrado com a palavra <strong><em>eu<\/em><\/strong>, em espanhol (<strong><em>yo<\/em><\/strong>, que se pronuncia mais ou menos \u201c<em>y\u00f4<\/em>\u201d, em Buenos Aires \u201c<em>j\u00f4<\/em>\u201d) e em italiano (<strong><em>io<\/em><\/strong>, que se pronuncia \u201c<em>\u00edo<\/em>\u201d). Mesmo as palavras s\u00e2nscritas terminadas em <strong><em>i<\/em><\/strong>, frequentemente t\u00eam-na substitu\u00edda pelo <strong><em>y<\/em><\/strong> se a palavra seguinte iniciar por vogal, a fim de obter fluidez na linguagem. Esse \u00e9 o caso do termo <em>\u00e1di<\/em> que, acompanhado da palavra <em>asht\u00e1nga<\/em>, fica <em>\u00e1dy asht\u00e1nga<\/em>.<\/p>\n<p>Vamos encontrar a palavra &#8220;<em>ioga<\/em>&#8221; sem o <strong><em>y<\/em><\/strong> no <strong>Dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio<\/strong>, com a justificativa de que o <strong><em>y<\/em><\/strong> &#8220;n\u00e3o existia&#8221; no portugu\u00eas! S\u00f3 que no mesmo dicion\u00e1rio constam as palavras <em>baby, play-boy, playground, office-boy, spray, show, water polo, watt, wind surf, W.C., sweepstake, cow-boy, black-tie, black-out, back-ground, slack, sexy, bye-bye, railway, milady<\/em> e muitas outras, respeitando a grafia original com <strong><em>k<\/em><\/strong>, <strong><em>w<\/em><\/strong> e <strong><em>y<\/em><\/strong>, letras que &#8220;n\u00e3o existiam&#8221;. Por que ser\u00e1? Por que usar dois pesos e duas medidas? (Ali\u00e1s, eu gostaria de saber para que queremos o termo <em>railway<\/em>! N\u00e3o utilizamos <em>estrada de ferro<\/em>?). Palavras t\u00e3o corriqueiras quanto <em>baby<\/em>, <em>playboy<\/em> etc., deveriam ent\u00e3o, com muito mais raz\u00e3o, ter sido aportuguesadas para <em>beibi<\/em> e <em>pleib\u00f3i<\/em>. Por que n\u00e3o o foram e \u201c<em>a ioga<\/em>\u201d, sim? E o que \u00e9 que voc\u00ea, leitor, acha disso? N\u00e3o lhe parece covardia dos linguistas perante seus patr\u00f5es anglo-sax\u00f4nicos?<\/p>\n<p>\u00c9, no m\u00ednimo, curioso que o <strong>Dicion\u00e1rio Michaelis<\/strong> da l\u00edngua portuguesa, registre as palavras <em>yin<\/em> e <em>yang<\/em> com <strong><em>y<\/em><\/strong>, ao mesmo tempo em que declara que o <strong><em>y<\/em><\/strong> n\u00e3o podia ser usado na palavra <strong><em>Y\u00f4ga<\/em><\/strong>, porque \u201cn\u00e3o existe na nossa l\u00edngua\u201d!<a title=\"\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Pior: no <strong>Dicion\u00e1rio Houaiss<\/strong> encontra-se registrado at\u00e9 <em>yacht<\/em> (iate), <em>yachting<\/em> (iatismo), <em>yanomami<\/em> [do tupi-guarani], <em>yen<\/em> [do japon\u00eas], <em>yeti<\/em> [do nepal\u00eas], <em>yom<\/em> <em>kippur<\/em> [do hebraico], <em>yama<\/em>, <em>yantra<\/em>, <em>yoni<\/em> [do s\u00e2nscrito], todos com <strong><em>y<\/em><\/strong>, mas o Y\u00f4ga, n\u00e3o. Isso \u00e9 uma arbitrariedade.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Governo do Brasil nunca admitiu que as letras <strong><em>y<\/em><\/strong>, <strong><em>k<\/em><\/strong> e <strong><em>w<\/em><\/strong> n\u00e3o existissem, pois sempre as colocou nas placas dos autom\u00f3veis! Em Bras\u00edlia, desde 1960, existe a Avenida W3 (W de West!!!). E se \u00e9 o povo que faz a l\u00edngua, nosso povo jamais aceitou que <em>quilo<\/em> fosse escrito sem <strong><em>k<\/em><\/strong>, como no resto do mundo, assim como recusa-se a acatar que a palavra Y\u00f4ga n\u00e3o seja grafada com <strong><em>y<\/em><\/strong>, como no pa\u00eds de origem (\u00cdndia) e nos pa\u00edses de onde recebemos nossa heran\u00e7a cultural (Fran\u00e7a, Espanha, It\u00e1lia, Alemanha e Inglaterra). Basta fazer uma consulta popular para constatar que a <em>vox populi<\/em> manda grafar Y\u00f4ga com <strong><em>y<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Se tiv\u00e9ssemos que nos submeter \u00e0 trucul\u00eancia do aportuguesamento compulsivo, dever\u00edamos grafar assim o texto abaixo, de acordo com as normas atuais da nossa ortografia, palavras estas citadas pelo Prof. Luiz Antonio Sacconi, autor de v\u00e1rios livros sobre a nossa l\u00edngua:<\/p>\n<p><em>Declarar que a palavra <strong>ioga<\/strong> deve ser escrita com <\/em><strong>i<\/strong><em> por ter sido aportuguesada, est\u00e1 virando <strong>eslog\u00e3<\/strong>. Mas basta um <strong>flexe<\/strong> com uma amostragem de opini\u00e3o p\u00fablica para nos dar ideia do absurdo perpetrado. Podemos utilizar o <strong>nourrau<\/strong> de um <strong>fril\u00e2ncer<\/strong> e entrar num <strong>trole<\/strong> para realizar a <strong>enquete<\/strong>. Perguntemos a um <strong>ripe<\/strong>, um <strong>panque<\/strong>, um estudante, um desportista e um empres\u00e1rio, como \u00e9 que se escreve a palavra <\/em>Y\u00f4ga<em>. Todos dir\u00e3o que \u00e9 com <\/em><strong>y<\/strong><em> . Isso n\u00e3o \u00e9 um <strong>suipsteique<\/strong>. \u00c9 muito mais um <strong>checape<\/strong>. Se, passado o <strong>r\u00e2xi<\/strong>, voc\u00ea pedir uma <strong>p\u00edte\u00e7a<\/strong> igual \u00e0 que est\u00e1 no <strong>autedor<\/strong>, e ela vier sem <strong>mu\u00e7arela<\/strong> e com excesso de <strong>quetechupe<\/strong>, n\u00e3o entre em <strong>estresse<\/strong>. A vida na <strong>j\u00e2ngal<\/strong> de uma megal\u00f3pole tem que passar mesmo por um <strong>runimol<\/strong> de tens\u00f5es. Por isso \u00e9 que aconselhamos a pr\u00e1tica de algum <strong>r\u00f3bi<\/strong>, tal como <strong>jujutso<\/strong>, <strong>ioga<\/strong> ou mesmo a leitura de um bom livro cujo <strong>copirr\u00e1ite<\/strong> seja de autor confi\u00e1vel e o <strong>leiaute<\/strong> da capa sugira uma obra s\u00e9ria. Em \u00faltimo caso, ouvir um <strong>longuiplei<\/strong> em equipamento est\u00e9reo com <strong>u\u00f3tes<\/strong> suficientes de sa\u00edda. Se voc\u00ea n\u00e3o possuir tal equipamento, sempre poder\u00e1 ir a um <strong>x\u00f3pingue<\/strong> compr\u00e1-lo ou tentar um <strong>l\u00edsingue<\/strong>. Caso nada disso d\u00ea certo, console-se com um <strong>milque<\/strong> <strong>xeque<\/strong> e com a leitura de um livro brasileiro sobre o aportuguesamento de palavras estrangeiras. Garanto que voc\u00ea vai rir bastante e ser\u00e1 um excelente <strong>m\u00e1rquetingue<\/strong> a favor da minha tese que reivindica a manuten\u00e7\u00e3o do <\/em><strong>y<\/strong><em> na palavra <\/em>Y\u00f4ga<em>.<\/em> (Texto composto seguindo rigorosamente o vocabul\u00e1rio corrigido de acordo com as normas de aportuguesamento vigentes em 1996.)<\/p>\n<p>Se um tal texto n\u00e3o parece adequado, tamb\u00e9m n\u00e3o o \u00e9 grafar Y\u00f4ga com <strong><em>i<\/em><\/strong>, nem coloc\u00e1-lo no feminino (&#8220;<em>a ioga<\/em>&#8220;). Recordemos ainda a norma da l\u00edngua: &#8220;os voc\u00e1bulos estrangeiros devem ser pronunciados de acordo com seu idioma de origem&#8221;. Por isso <em>watt<\/em> virou <strong><em>u\u00f3te<\/em><\/strong> e n\u00e3o <em>v\u00e1te;<\/em> e <em>rush<\/em> virou <strong><em>r\u00e2xi<\/em><\/strong> e n\u00e3o <em>r\u00faxi<\/em>. Demonstrado est\u00e1 que deve-se pronunciar <strong>o Y\u00f4ga<\/strong> com <strong><em>\u00f4<\/em><\/strong> fechado, como na sua origem.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<div>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[1]<\/a> Com o novo acordo ortogr\u00e1fico, o <strong><em>y<\/em><\/strong> foi reintegrado \u00e0 nossa l\u00edngua. Quer apostar como v\u00e3o conseguir uma desculpa para que o Y\u00f4ga continue desfigurado, escrito com <strong><em>i <\/em><\/strong>?<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A grafia com Y Quanto \u00e0 escrita, o y e o i no s\u00e2nscrito t\u00eam valores fon\u00e9ticos, sem\u00e2nticos, ortogr\u00e1ficos e vibrat\u00f3rios totalmente diferentes. O i \u00e9 uma letra que n\u00e3o se usa antes de vogais, enquanto que o y \u00e9 fluido e r\u00e1pido para se associar harmoniosamente com a vogal seguinte. 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