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Por exemplo: <em>le chateau<\/em>, resulta em portugu\u00eas <em>o chat\u00f4<\/em> e n\u00e3o <em>a xate\u00e1u,<\/em> e <em>la mousse<\/em> resulta em portugu\u00eas <em>a musse,<\/em> e n\u00e3o <em>o musse<\/em>.<\/p>\n<p>Ao mudar o g\u00eanero, altera-se o sentido de muitas palavras que passam a significar coisas completamente diferentes. Por exemplo: <strong><em>a moral<\/em><\/strong> significa c\u00f3digo de princ\u00edpios e <strong><em>o moral<\/em><\/strong> refere-se a um estado de esp\u00edrito, auto-estima, fibra; <strong><em>meu micro<\/em><\/strong> designa um equipamento e <strong><em>minha micro<\/em><\/strong> \u00e9 um tipo de empresa. O mesmo ocorre com <strong><em>a capital<\/em><\/strong> e <strong><em>o capital<\/em><\/strong>; <strong><em>a papa<\/em><\/strong> e <strong><em>o Papa<\/em><\/strong>; etc. Portanto, aceitemos que no Brasil <strong><em>o Y\u00f4ga<\/em><\/strong> tem um significado diferente de \u201c<em>a yoga\u201d<\/em> ou, pior, \u201c<em>a ioga\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, declarar que Y\u00f4ga precisa ser feminino s\u00f3 por terminar com <strong><em>a<\/em><\/strong>, \u00e9 uma desculpa esfarrapada, pois estamos cheios de exemplos de palavras masculinas de origem portuguesa ou incorporadas \u00e0 nossa l\u00edngua, e todas terminadas em <strong><em>a<a title=\"\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/em><\/strong>. Duvida? Ent\u00e3o l\u00e1 vai:<\/p>\n<p>o idiota, o canalha, o cr\u00e1pula, o pateta, o trouxa, o hip\u00f3crita, o careta, o fac\u00ednora, o nazista, o fascista, o chauvinista, o sofisma, o an\u00e1tema, o estigma, o tapa, o estratagema, o drama, o grama, o cisma, o crisma, o prisma, o tema, o trema, o samba, o bamba, o dilema, o sistema, o fonema, o esquema, o panorama, o clima, o puma, o profeta, o cosmopolita, o plasma, o mioma, o miasma, o fibroma, o diadema, o s\u00f3sia, o soma, o telegrama, o telefonema, o cinema, o aroma, o altru\u00edsta, o homeopata, o sintoma, o careca, o carioca, o arataca, o capixaba, o caipira, o cai\u00e7ara, o caipora, o coroa, o cara, o janota, o agiota, o planeta, o jornalista, o poeta, o ciclista, o jud<em><span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span><\/em>ca, o karat<em><span style=\"text-decoration: underline;\">\u00ea<\/span><\/em>ca, o acrobata, o motorista, o atalaia, o sentinela, o pirata, o fantasma, o teorema, o problema&#8230; <em>et c\u00e6tera<\/em>.<\/p>\n<p>Para refor\u00e7ar nosso argumento, invocamos o fato de que todos os cursos de forma\u00e7\u00e3o de instrutores de Y\u00f4ga em todas as Universidades Federais, Estaduais e Cat\u00f3licas, onde ele vem sendo realizado desde a d\u00e9cada de 70, a grafia adotada foi com <strong><em>y<\/em><\/strong>, o g\u00eanero foi o masculino e a pron\u00fancia foi a universal, com <strong><em>\u00f4<\/em><\/strong> fechado. Por recomenda\u00e7\u00e3o da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Federa\u00e7\u00f5es de Y\u00f4ga do Brasil, a partir de 1990 todos esses cursos passaram a adotar o acento circunflexo.<\/p>\n<p><strong>Adotamos o circunflexo pelo fato de o acento j\u00e1 existir na grafia original em alfabeto d\u00eavan\u00e1gar\u00ed<\/strong>.<\/p>\n<p>No ingl\u00eas n\u00e3o h\u00e1 acentos. Como foram os ingleses que primeiramente propuseram uma translitera\u00e7\u00e3o para o s\u00e2nscrito, a pr\u00e1tica de n\u00e3o acentuar essa l\u00edngua universalizou-se. Tal limita\u00e7\u00e3o do idioma brit\u00e2nico n\u00e3o deve servir de pretexto para que continuemos em erro. Mesmo porque, na pr\u00f3pria Inglaterra esse erro est\u00e1 come\u00e7ando a ser corrigido.<\/p>\n<p>Sempre que no s\u00e2nscrito o fonema for longo, j\u00e1 que no portugu\u00eas dispomos de acentos para indicar o fen\u00f4meno fon\u00e9tico, devemos sinalizar isso, acentuando. Um excelente exemplo \u00e9 o precedente do termo Jud\u00f4. Em l\u00edngua alguma ele tem acento. Nem mesmo em portugu\u00eas de Portugal!<a title=\"\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> N\u00e3o obstante, no Brasil, tem. Assim, quando algu\u00e9m quiser usar como argumento a suposi\u00e7\u00e3o de que a palavra Y\u00f4ga n\u00e3o levaria acento em outras l\u00ednguas, basta invocar o precedente da palavra Jud\u00f4. Com a vantagem de que o d\u00eavan\u00e1gar\u00ed, ao contr\u00e1rio do japon\u00eas, \u00e9 alfabeto fon\u00e9tico, logo, o acento \u00e9 claramente indicado.<strong><\/strong><\/p>\n<p>Esse acento \u00e9 t\u00e3o importante que mesmo em livros publicados em ingl\u00eas e castelhano, l\u00ednguas que n\u00e3o possuem o circunflexo, ele \u00e9 usado na palavra <em>Y\u00f4ga<\/em> (vide <em>Aphorisms of Y\u00f4ga<\/em>, de Sr\u00ed Pur\u00f4hit Swami, Editora Faber &amp; Faber, de Londres; <em>L\u00e9xico de Filosof\u00eda Hind\u00fa<\/em>, de F. Kastberger, Editorial Kier, de Buenos Aires; a utiliza\u00e7\u00e3o do acento \u00e9 ratificada pela <em>Encyclop\u00e6dia Britannica<\/em>, no verbete <em>Sanskrit language and literature<\/em>, volume XIX, pag. 954, edi\u00e7\u00e3o de 1954.).<\/p>\n<div><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[1]<\/a> Algumas destas palavras podem ser usadas nos dois g\u00eaneros, pormenor que n\u00e3o invalida a for\u00e7a do exemplo.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[2]<\/a> A falta do acento na palavra Jud\u00f4 (Judo) faz com que em Portugal seja pronunciada J\u00fado. Talvez devido a um fen\u00f4meno lingu\u00edstico semelhante, alguns brasileiros pronunciem y\u00f3ga, pela falta do circunflexo. No entanto, repetimos que o acento circunflexo <strong>n\u00e3o \u00e9<\/strong> utilizado para fechar a pron\u00fancia e sim para indicar crase de vogais diferentes (a + u = \u00f4).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Y\u00f4ga \u00e9 termo masculino Quanto ao aportuguesamento da palavra, isto \u00e9, passando a graf\u00e1-la com i e convertendo-a para o g\u00eanero feminino, n\u00e3o podemos ignorar a regra para o uso de estrangeirismos incorporados \u00e0 nossa l\u00edngua a qual manda preservar, sempre que poss\u00edvel, a pron\u00fancia e o g\u00eanero do idioma de origem. 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