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Leia a minha autobiografia &#8220;Quando \u00e9 Preciso Ser Forte&#8221; e saiba porque eu valorizo tanto os alunos e Empreendedores do M\u00e9todo DeRose que temos hoje."},"content":{"rendered":"<table cellspacing=\"0\">\n<tbody id=\"the-comment-list\">\n<tr id=\"comment-42671\">\n<td>&nbsp;<\/p>\n<p>Enviado por Pedro Gabriel:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mestre,<\/p>\n<p>Recebi este texto atrav\u00e9s do correio eletr\u00f4nico. Me lembrou uma frase que vi riscada no muro de um dos pr\u00e9dios mais nobres da cidade de Santos. Na \u00e9poca, ainda n\u00e3o tinhamos nenhuma escola da Rede DeRose.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o adianta praticar i\u00f3ga e n\u00e3o cumprimentar o porteiro!\u201d<\/p>\n<p>O texto que segue abaixo, trata-se de uma tese de mestrado em psicologia, apresentada na USP.<\/p>\n<p>\u2018O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCA\u00c7\u00c3O QUE RECEBE\u2019<\/p>\n<p>T\u00edtulo: \u2018Fingi ser gari por 1 m\u00eas e vivi como um ser invis\u00edvel\u2019<\/p>\n<p>Psic\u00f3logo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da<br \/>\n\u2018invisibilidade p\u00fablica\u2019. Ele comprovou que, em geral, as pessoas<br \/>\nenxergam apenas a fun\u00e7\u00e3o social do outro. Quem n\u00e3o est\u00e1 bem posicionado<br \/>\nsob esse crit\u00e9rio, vira mera sombra social.<\/p>\n<p>Pl\u00ednio Delphino, Di\u00e1rio de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou um m\u00eas como gari, varrendo ruas da Universidade de S\u00e3o Paulo. Ali,constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores bra\u00e7ais s\u00e3o \u2018seres invis\u00edveis, sem nome\u2019.<\/p>\n<p>Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a exist\u00eancia da \u2018invisibilidade p\u00fablica\u2019, ou seja, uma percep\u00e7\u00e3o humana totalmente prejudicada e condicionada \u00e0 divis\u00e3o social do trabalho, onde enxerga-se somente a fun\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a pessoa. Braga trabalhava apenas meio per\u00edodo como gari, n\u00e3o recebia o sal\u00e1rio de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior li\u00e7\u00e3o de sua vida:<\/p>\n<p>\u2018Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da pr\u00f3pria exist\u00eancia\u2019, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo sentiu na pele o que \u00e9 ser tratado como um objeto e n\u00e3o como um ser humano.<br \/>\n\u2018Professores que me abra\u00e7avam nos corredores da USP passavam por mim, n\u00e3o me reconheciam por causa do uniforme. \u00c0s vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelh\u00e3o\u2019, diz.<\/p>\n<p>No primeiro dia de trabalho paramos pro caf\u00e9. Eles colocaram uma garrafa t\u00e9rmica sobre uma plataforma de concreto. S\u00f3 que n\u00e3o tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, algunsse aproximavam para ensinar o servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Um deles foi at\u00e9 o lat\u00e3o de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o caf\u00e9 ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro.<\/p>\n<p>Eu nunca apreciei o sabor do caf\u00e9. Mas, intuitivamente, senti que deveria tom\u00e1-lo, e claro, n\u00e3o livre de sensa\u00e7\u00f5es ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir \u00e0 cena, como se perguntasse:<\/p>\n<p>\u2018E a\u00ed, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?\u2019 E eu bebi.<\/p>\n<p>Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.<\/p>\n<p>O que voc\u00ea sentiu na pele, trabalhando como gari?<\/p>\n<p>Uma vez, um dos garis me convidou pra almo\u00e7ar no bandej\u00e3o central.<\/p>\n<p>A\u00ed eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar t\u00e9rreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acad\u00eamico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ningu\u00e9m em absoluto me viu.<\/p>\n<p>Eu tive uma sensa\u00e7\u00e3o muito ruim. O meu corpo tremia como se eu n\u00e3o o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabe\u00e7a era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almo\u00e7ar, n\u00e3o senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.<\/p>\n<p>E depois de um m\u00eas trabalhando como gari? Isso mudou?<\/p>\n<p>Fui me habituando a isso, assim como eles v\u00e3o se habituando tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00f5es pouco saud\u00e1veis. Ent\u00e3o, quando eu via um professor se aproximando \u2013 professor meu \u2013 at\u00e9 parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma id\u00e9ia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma \u00e1rvore, um orelh\u00e3o.<\/p>\n<p>E quando voc\u00ea volta para casa, para seu mundo real?<\/p>\n<p>Eu choro. \u00c9 muito triste, porque, a partir do instante em que voc\u00ea est\u00e1 inserido nessa condi\u00e7\u00e3o psicossocial, n\u00e3o se esquece jamais.<\/p>\n<p>Acredito que essa experi\u00eancia me deixou curado da minha doen\u00e7a burguesa. Esses homens hoje s\u00e3o meus amigos. Conhe\u00e7o a fam\u00edlia deles, freq\u00fcento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o quest\u00e3o de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles s\u00e3o tratados pior do que um animal dom\u00e9stico, que sempre \u00e9 chamado pelo nome. S\u00e3o tratados como se fossem uma \u2018COISA\u2019.<\/p>\n<p>\u201cSer IGNORADO \u00e9 uma das piores sensa\u00e7\u00f5es que existem na vida!\u201d<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Enviado por Pedro Gabriel: &nbsp; Mestre, Recebi este texto atrav\u00e9s do correio eletr\u00f4nico. Me lembrou uma frase que vi riscada no muro de um dos pr\u00e9dios mais nobres da cidade de Santos. 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