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Para a \u00e9poca, d\u00e9cada de 1950, foi um esc\u00e2ndalo. S\u00f3 n\u00e3o teve consequ\u00eancias nefastas porque n\u00e3o apenas viviam em Paris, como tamb\u00e9m ambos eram intelectuais \u2013 casta \u00e0 qual concedem-se exce\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEmbora casados e fi\u00e9is, moravam separadamente, cada qual na sua casa. Fi\u00e9is eles eram, mas usufru\u00edam da \u00f3bvia liberdade que o fato de viver em sua pr\u00f3pria casa proporciona. Portanto, fi\u00e9is de acordo com o conceito de fidelidade que exponho aqui. Foi um casamento bem sucedido e que serviu de inspira\u00e7\u00e3o para muita gente.<br \/>\nMuita gente chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que se as pessoas encasquetas-sem que queriam casar-se, deveriam, pelo menos, morar separadamente, cada um dono do seu pr\u00f3prio nariz, da sua geladeira, da sua televis\u00e3o, do seu banheiro e da sua cozinha. Um dia, ela dorme na casa dele. Outro dia, ele dorme na casa dela. Num terceiro dia, se acharem por bem, dorme cada qual sozinho, ou com quem quiser. Se ocorrer um estresse emocional, h\u00e1 sempre a possibilidade de cada um ir para seu pr\u00f3prio lar.<br \/>\nJ\u00e1 imaginou estar no meio de uma briga de casal, aquele drama que n\u00e3o termina, e voc\u00ea n\u00e3o poder dizer: \u201cQuerido, v\u00e1 para a sua casa. Agora eu quero ficar sozinha\u201d ou vice-versa, porque a casa \u00e9 dos dois e ambos t\u00eam o mesmo direito de estar ali? \u00c9 por isso que mais casais do que voc\u00ea sup\u00f5e partem para a agress\u00e3o f\u00edsica como forma de extravasar o instinto territorial, sem o qu\u00ea tal energia poderia resultar ainda mais perigosa.<br \/>\nO casal novo anseia por poder morar na mesma casa. Logo em seguida, come\u00e7a a perceber que n\u00e3o foi uma boa ideia.<br \/>\nSe a decis\u00e3o de morar cada um na sua casa n\u00e3o foi tomada antes, agora que j\u00e1 moram juntos, separar pode ter uma conota\u00e7\u00e3o de rompimento. N\u00e3o obstante, com carinho e compreens\u00e3o talvez consigam esse afastamento f\u00edsico sem caracterizar uma ruptura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ficou c\u00e9lebre o casamento que o fil\u00f3sofo Sartre mantinha com sua esposa Simone de Bauvoir, mulher not\u00e1vel, escritora de uma intelig\u00eancia rar\u00edssima. Para a \u00e9poca, d\u00e9cada de 1950, foi um esc\u00e2ndalo. 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