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Isso foi bom, pois, dessa forma, nunca usei drogas, nunca fumei e nunca tomei bebida alco\u00f3lica como os demais jovens. Por outro lado, nem imaginava a encrenca em que estava me metendo. Encontr\u00e1vamo-nos em meados do s\u00e9culo passado! As pessoas n\u00e3o tinham cultura e, consequentemente, n\u00e3o sabiam o que era o Y\u00f4ga (bem&#8230; n\u00e3o sabem, at\u00e9 hoje). Minha m\u00e3e, muito cat\u00f3lica, pensava tratar-se de alguma religi\u00e3o ou seita; e o meu pai n\u00e3o se convencia de que era uma profiss\u00e3o bem remunerada, digna e promissora \u2013 melhor que a dele!<br \/>\nN\u00e3o era s\u00f3 isso. Por aquela \u00e9poca, todos achavam que para ser um professor deste sistema era preciso ter cabelos brancos e eu era um simples adolescente. Comecei mal. Sem idade, sem padrinho e sem dinheiro eu estava dando o primeiro passo para que as pessoas n\u00e3o acreditassem em mim.<br \/>\nContudo, o impulso para dedicar-me de corpo e alma a este life style era mais forte que eu. O Y\u00f4ga fervilhava em minhas veias. Quando lia nos livros algum conceito, aquilo me era t\u00e3o familiar que parecia n\u00e3o estar sendo assimilado pela primeira vez e sim apenas recordado. Quando aprendia algum termo s\u00e2nscrito, ele me era perfeitamente \u00edntimo, a pron\u00fancia flu\u00eda como se fosse a minha pr\u00f3pria l\u00edngua e bastava l\u00ea-lo ou escut\u00e1-lo uma \u00fanica vez para n\u00e3o o esquecer nunca mais. Quando executava alguma nova t\u00e9cnica, sentia uma facilidade t\u00e3o grande que era como se sempre a tivesse praticado. Isso, para n\u00e3o mencionar os tantos procedimentos, conceitos e termos que eu j\u00e1 havia intu\u00eddo antes de ler o primeiro livro desta filosofia indiana e que foram confirmados nos estudos posteriores.<br \/>\nAssim, superei todos os obst\u00e1culos e prossegui dedicando-me \u00e0 minha grande voca\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca, eu era estudante, mas dava um jeito e s\u00f3 estudava os livros deste maravilhoso sistema durante o per\u00edodo escolar. Fora dele, lia mais ainda e praticava o tempo todo. Um dia, recebi o convite para come\u00e7ar a dar classes gratuitamente numa ordem filos\u00f3fica. Isso desencadeou meu pendor natural. A\u00ed, come\u00e7ou um novo tipo de problemas, bem maiores do que os que eu enfrentava em casa, com a incompreens\u00e3o dos pais.<br \/>\nOs praticantes, naquele tempo, eram pessoas de mais de cinquenta anos de idade. Eu, com dezesseis, certamente n\u00e3o convencia muita gente. Alguns ficavam cativados pela profundidade das t\u00e9cnicas que eu ensinava e pela seriedade que sempre marcou minhas atitudes. Esses extrapolavam a meu favor, declarando que eu devia ser a reencarna\u00e7\u00e3o de algum monge hindu. Mas constitu\u00edam uma minoria. Os outros diziam que esperavam um professor mais velho e me aplicavam interrogat\u00f3rios para Gestapo nenhuma botar defeito \u2013 sobre que vertente era aquela, sobre as minhas fontes, se eu tinha ido \u00e0 \u00cdndia, se eu me lembrava das vidas passadas et reliqua.<br \/>\nCom isso, fui logo ganhando mansos admiradores por um lado e ferozes cr\u00edticos por outro. Os admiradores declaravam que um jovem daquela idade j\u00e1 saber tanto era sinal inequ\u00edvoco de que n\u00e3o estava come\u00e7ando tal caminhada pela primeira vez nesta encarna\u00e7\u00e3o. Afirmavam que o fato de eu n\u00e3o estar levando uma vida leviana, n\u00e3o fumar, n\u00e3o beber e n\u00e3o me entregar \u00e0s loucuras normais da idade, mas ser t\u00e3o austero era, no m\u00ednimo, elogi\u00e1vel.<br \/>\nO outro time censurava com um azedume cujo motivo eu n\u00e3o compreendia. Dizia que eu era muito jovem e que deveria estar aprendendo e n\u00e3o ensinando naquela idade. Que eu estava sendo muito orgulhoso ao posar de professor. Quem eu pensava que era?<br \/>\nNessa pouca idade j\u00e1 comecei a observar que os que defendem fazem-no sem agressividade e n\u00e3o aparecem, mas os que atacam, agem com virul\u00eancia e todos os escutam.<br \/>\nNo entanto, ainda tinha alguns anos de estudo escolar pela frente e, depois, o servi\u00e7o militar que eu queria prestar. Ent\u00e3o, n\u00e3o dei muita import\u00e2ncia \u00e0s cr\u00edticas. Prossegui lendo e praticando o m\u00e1ximo de tempo, at\u00e9 que cheguei \u00e0 programa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de 7 horas de leituras, 7 horas de pr\u00e1tica e 7 horas de sono. As outras tr\u00eas horas di\u00e1rias para completar 24 h eram para as refei\u00e7\u00f5es. Isso, naquela idade, teve um efeito bomb\u00e1stico na minha acelera\u00e7\u00e3o evolutiva. Em pouco tempo, eu estava experimentando estados de consci\u00eancia expandida e dos 16 aos 18 j\u00e1 havia escrito v\u00e1rios livros. Infelizmente, n\u00e3o tinham nenhum interesse para o p\u00fablico, a n\u00e3o ser um deles que mais tarde, no final da d\u00e9cada de 1960, foi ampliado e publicado com o t\u00edtulo Prontu\u00e1rio de Sw\u00e1Sthya Y\u00f4ga, o qual posteriormente virou o Tratado de Y\u00f4ga. Ah! E um outro que s\u00f3 chegou a ser publicado mais de quarenta anos depois, em 2005, com o t\u00edtulo S\u00fatras \u2013 M\u00e1ximas de lucidez e \u00eaxtase. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estava com 16 anos de idade quando comecei a dar classes de Y\u00f4ga. Isso foi bom, pois, dessa forma, nunca usei drogas, nunca fumei e nunca tomei bebida alco\u00f3lica como os demais jovens. Por outro lado, nem imaginava a encrenca em que estava me metendo. Encontr\u00e1vamo-nos em meados do s\u00e9culo passado! As pessoas n\u00e3o tinham cultura e, consequentemente, n\u00e3o sabiam o que era o Y\u00f4ga (bem&#8230; n\u00e3o sabem, at\u00e9 hoje). 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