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Nessa ocasi\u00e3o n\u00e3o prestou aten\u00e7\u00e3o sen\u00e3o ao solo, de onde retirava restos de ossos. Os arque\u00f3logos sempre olhavam para o ch\u00e3o, era o seu paradigma.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.2pt;\">Um<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.2pt;\"> dia, no ver\u00e3o de 1879, levou consigo sua filha Maria, de 12 anos de idade. Foi ela quem primeiramente observou as pinturas numa parede da caverna. As crian\u00e7as est\u00e3o habituadas a olhar para cima, pois o mundo que as cerca \u00e9 um universo de adultos, em que as coisas s\u00e3o mais altas do que elas. Assim, ela olhou, n\u00e3o para o ch\u00e3o, mas para as paredes da caverna. Viu algo interessante e chamou o pai, mas este estava muito ocupado para dar aten\u00e7\u00e3o aos devaneios de uma crian\u00e7a. Ela insistiu e ele <\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">admoestou-a. Afinal, ele estava trabalhando. Estava en<span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\">contrando fragmentos de carv\u00e3o muito interessantes&#8230; <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">At\u00e9<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\"> que, em dado momento, devido \u00e0 insist\u00eancia da pe<span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\">quena<\/span><span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\">, ele acedeu e olhou para cima. Diante deles, enormes obras de arte rupestre fizeram o cora\u00e7\u00e3o de Marcellino bater mais forte. Havia pinturas executadas com uma magn\u00edfica policromia em tons de vermelho, negro e violeta, a maioria medindo cerca de 9&#215;18 metros. Lindos bisontes, cavalos e outros animais lindamente pintados em cores, perfeitamente preservados ap\u00f3s todos <\/span>aqueles milhares de anos! Nunca antes tais pinturas havi<span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\">am sido encontradas. Que descoberta revolucion\u00e1ria sobre a natureza dos homens das cavernas!<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.2pt;\">Era<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.2pt;\"> mesmo uma descoberta not\u00e1vel, que iria contribuir enormemente com a arqueologia. Ao inv\u00e9s de olhar para o ch\u00e3o e revirar lixo paleol\u00edtico, os cientistas olhariam para cima e estudariam arte! Conceitos sobre a rudeza e <\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.3pt;\">sobre<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.3pt;\"> os limites do c\u00e9rebro dos trogloditas seriam revistos.<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.2pt;\"> Seu nome ficaria para sempre famoso e reverenciado. Os livros escolares mencionariam sua descoberta. Ele apressou-se a reproduzir em papel os desenhos encontrados e comunicou a Academia de Ci\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.2pt;\">Colegas<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.2pt;\"> cientistas nem sequer visitaram a caverna de Altamira, onde foram descobertas as primeiras pinturas rupestres da hist\u00f3ria. Apenas analisaram cuidadosamente a reprodu\u00e7\u00e3o das pinturas no livro de Sautuola e emitiram suas doutas opini\u00f5es: o descobridor era um charlat\u00e3o. Homens das cavernas n\u00e3o seriam capazes de pintar t\u00e3o belos animais e com t\u00e9cnicas de tal forma sofisticadas. <\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.4pt;\">Mesmo<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.4pt;\"> que o fizessem, as pinturas n\u00e3o durariam tantos milhares de anos desprotegidas, dentro de cavernas \u00famidas.<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.2pt;\"> <em>Veredictum<\/em>: o arque\u00f3logo teria pintado, ele mesmo, as paredes de pedra para fazer-se passar por um grande descobridor e ficar c\u00e9lebre. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.2pt;\">Como<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.2pt;\"> retribui\u00e7\u00e3o por ter feito uma das mais importantes descobertas arqueol\u00f3gicas, Sautuola foi acusado de haver forjado as pinturas dentro da caverna! Como sempre <\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">ocorre nesses casos, havia um perseguidor-mor que <span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\">orquestrou a difama\u00e7\u00e3o e conseguiu que ele fosse expulso da Academia. Acusado de fraude numa campanha impiedosa movida contra ele pelo idoso pr\u00e9-historiador franc\u00eas <\/span>\u00c9duard Cartailhac, Sautuola foi expulso de todos os c\u00edr<span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\">culos<\/span><span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\"> cient\u00edficos. Ningu\u00e9m lhe concedeu direito de <\/span><span style=\"letter-spacing: -0.3pt;\">defesa<\/span><span style=\"letter-spacing: -0.3pt;\"> e seu nome passou a ser sin\u00f4nimo de charlatanismo.<\/span><span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\"> Tornou-se impiedosamente perseguido, injuriado como um vigarista. Seu nome foi enlameado pela imprensa. Nos anos que se seguiram, n\u00e3o podia nem mesmo sair \u00e0 rua, pois era agredido verbalmente pelos transeuntes. <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Certa<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\"> vez, ao sair para tomar um pouco de sol, um desconhecido cuspiu-lhe na cara, gritando: \u201cImpostor!\u201d para que os circunstantes escutassem. Todos os demais cientistas, a imprensa e a opini\u00e3o p\u00fablica passaram a difamar e humilhar tanto o pobre homem que pouco depois, em 1888, Sautuola morreu de desgosto.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.2pt;\">Decorridos alguns anos, entre 1895 e 1901, outros arque\u00f3logos encontraram pinturas semelhantes em cavernas na Fran\u00e7a e em toda a Europa. N\u00e3o havia outra sa\u00edda para o ilustre cientista que difamara o pobre descobridor das pinturas rupestres, sen\u00e3o confessar que errara e apresentar suas desculpas p\u00f3stumas \u00e0 filha do arque\u00f3logo injusti\u00e7ado, agora adulta. Maria, com toda a raz\u00e3o, n\u00e3o aceitou as desculpas e acusou Cartailhac publicamente de ser o <\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: 0.2pt;\">respons\u00e1vel<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: 0.2pt;\"> pela humilha\u00e7\u00e3o e pela morte do pai. Ne<span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\">nhum<\/span><span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\"> pedido de desculpas compensaria a amargura <\/span><\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">dos ultrajes sofridos ou a pr\u00f3pria morte. Como diz a m\u00e1<span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\">xima<\/span><span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\">: \u201cA verdade sempre resplandece no final, quando todos j\u00e1 foram embora.\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-top: 6pt; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; text-align: center;\"><strong>Se voc\u00ea conhecer outros casos semelhantes, por favor, informe-nos. Obrigado.<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-top: 6pt; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; text-align: center;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A caverna de Altamira No final do s\u00e9culo XIX um arque\u00f3logo, Marcellino de Sautuola, estava pesquisando o solo de uma caverna na Espanha que continha tra\u00e7os de fogueiras e ossos de animais usados na alimenta\u00e7\u00e3o dos homens pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Nessa ocasi\u00e3o n\u00e3o prestou aten\u00e7\u00e3o sen\u00e3o ao solo, de onde retirava restos de ossos. 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