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Por isso, os 200 gurus indianos n\u00e3o tomaram conhecimento do <strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">Tratado de Y\u00f4ga<\/em><\/strong> e penaram para compilar apenas 600 \u00e1sanas, quando poderiam ter contado com um incremento consider\u00e1vel ao seu trabalho, se voltassem suas lunetas para outras culturas. <\/span><\/p>\n<h1 style=\"margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: center;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: Verdana;\">O reconhecimento do Imp\u00e9rio Romano<\/span><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Durante o Imp\u00e9rio Romano ocorria um fenomeno de acultura\u00e7\u00e3o que persiste at\u00e9 os nossos dias. Se uma col\u00f4nia, por exemplo, a G\u00e1lia, quisesse comprar cultura, n\u00e3o cogitaria em adquiri-la da Lusit\u00e2nia ou da Helv\u00e9tia. N\u00e3o a importaria do seu vizinho mais pr\u00f3ximo, um produto \u00e0s vezes melhor, a um custo mais razo\u00e1vel. Fazia quest\u00e3o de importar de Roma, o centro do imp\u00e9rio. Ent\u00e3o, muitas vezes as col\u00f4nias levavam seu produto para Roma, traduziam-no em latim e a partir de ent\u00e3o as demais col\u00f4nias o aceitavam! Quantas conquistas cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas foram perdidas apenas por n\u00e3o estar escritas em latim! Conhecemos o Direito Romano, mas como era o Direito Etrusco? Conhecemos a Medicina Romana que atendia os legion\u00e1rios e os gladiadores, mas como era a Medicina Min\u00f3ica? <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Aqui no subcontinente brasileiro presenciei o mesmo fen\u00f4meno em diversas ocasi\u00f5es. Quando eu ministrava um curso em Porto Alegre, minhas turmas chegavam a 160 alunos vindos de Caxias do Sul, Cruz Alta, Pelotas, Rio Grande, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Passo Fundo, Bento Gon\u00e7alves, Novo Hamburgo, Canela, Livramento, Uruguaiana e muitas outras cidades do exuberante interior ga\u00facho. Todos aceitavam de bom grado ir fazer um curso na capital. Mas quando o mesmo professor dava o mesmo curso em qualquer uma dessas cidades, o <em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">quorum<\/em> era bem mais modesto, pois incrivelmente os interessados das cidades vizinhas n\u00e3o aceitavam fazer um curso em uma cidade de interior. Viajavam muito mais para fazer o curso em Porto Alegre, mas n\u00e3o se encaixava no seu paradigma viajar para participar do evento em uma cidade mais pr\u00f3xima.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 5pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Isso nos faz pensar. Praticamente tudo o que no Ocidente conhecemos e incorporamos no nosso passado, est\u00e1 restrito \u00e0 cultura greco-romana. O direito que utilizamos \u00e9 o Direito Romano, a l\u00edngua morta de refer\u00eancia \u00e9 o latim e \u201co mundo todo\u201d a que nos referimos quando dizemos que Napole\u00e3o conquistou o mundo, \u00e9 o mundo romano. At\u00e9 a cultura grega, chegou a n\u00f3s atrav\u00e9s dos romanos, que colonizaram e anexaram a Gr\u00e9cia ao seu Imp\u00e9rio. O Cristianismo chegou a n\u00f3s atrav\u00e9s do Imp\u00e9rio Romano que estava l\u00e1 em Jerusal\u00e9m quando tudo aconteceu e, progressivamente, absorveu suas propostas. Tudo o que era incorporado ou aceito pelo Imp\u00e9rio Romano passava a \u201cexistir\u201d e teria direito a ser perenizado. O que ficasse restrito a outras culturas estava destinado \u00e0 desconhecen\u00e7a por parte do restante da civiliza\u00e7\u00e3o e seria condenado ao ostracismo pela Hist\u00f3ria. Quantas descobertas cruciais para a Humanidade ocorridas entre os babil\u00f4nicos, sum\u00e9rios, dr\u00e1vidas, etruscos, hititas est\u00e3o simplesmente perdidas, apenas porque n\u00e3o foram escritas em latim! <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 5pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Atualmente<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">, restringimo-nos aos registros em ingl\u00eas. O que conhecemos do Egito ou da \u00cdndia, \u00e9 porque foi escrito ou traduzido originalmente para o ingl\u00eas. S\u00f3 conhecemos o Kama S\u00fatra porque o ingl\u00eas Richard Burton o traduziu para a sua l\u00edngua. S\u00f3 conhecemos os Tantras porque o magistrado brit\u00e2nico Sir John Woodroffe os traduziu para o ingl\u00eas. A Bhagavad G\u00edt\u00e1, traduzida em 1784 por Charles Wilkins, \u00e9 um dos muitos textos que vieram a se tornar mais populares na pr\u00f3pria \u00cdndia depois que foram passados para o idioma brit\u00e2nico. Assim ocorreu com todas as demais escrituras hindus vertidas para o ingl\u00eas: os V\u00eadas, as Upanishads, o Y\u00f4ga S\u00fatra, etc.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 5pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, havia um Mestre chamado Ramana Maharishi, que vivia em Arunachala, Tiruvanamalai, a uns 200 quil\u00f4metros ao Sul de Madr\u00e1s. Nunca ningu\u00e9m ouvira falar dele, embora fosse um grande s\u00e1bio. E teria passado pela terra em brancas nuvens, sem que jamais a hist\u00f3ria registrasse sua exist\u00eancia ou o valor do seu ensinamento, se um anglo-sax\u00e3o, Paul Brunton, n\u00e3o tivesse, um dia, visitado seu ashram e escrito sobre ele. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 5pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Esse<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\"> \u00e9 o caso do curare, que os \u00edndios brasileiros durante mil\u00eanios usavam para pescar e que na segunda metade do s\u00e9culo XX foi descoberto pela literatura em ingl\u00eas, passando a ser adotado no mundo todo como anest\u00e9sico nas grandes cirurgias. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 5pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Esse<\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\"> tamb\u00e9m \u00e9 o caso dos bacteri\u00f3fagos que os sovi\u00e9ticos vinham utilizando h\u00e1 quase um s\u00e9culo no lugar dos antibi\u00f3ticos, com muito mais efici\u00eancia e menos inconvenientes, mas ningu\u00e9m tomava conhecimento pelo fato de a literatura n\u00e3o estar escrita em ingl\u00eas (\u201cse n\u00e3o est\u00e1 escrito em ingl\u00eas, n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia.\u201d)!<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Tivemos um fil\u00f3sofo brasileiro, falecido na d\u00e9cada de 80, que era um verdadeiro g\u00eanio. Seu nome, Huberto Rohden. Quando jovem ele esteve na Alemanha e, na \u00e9poca, escreveu um livro de filosofia em alem\u00e3o impec\u00e1vel. Enviou a obra a um editor que a aceitou incontinenti. Mandou chamar o autor para firmar contrato de edi\u00e7\u00e3o. No entanto, quando Rohden abriu a boca o editor percebeu tratar-se de brasileiro e voltou atr\u00e1s, recusando-se a editar o livro. \u201cDe brasileiros n\u00f3s n\u00e3o compramos cultura. Compramos s\u00f3 caf\u00e9\u201d, disse o preconceituoso editor. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Por todos estes fatos, devemos valorizar o trabalho que a Universidade de Y\u00f4ga est\u00e1 realizando pelo mundo afora. A Uni-Y\u00f4ga \u00e9 a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o cultural brasileira (agora tamb\u00e9m argentina e portuguesa) que exporta <em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">know-how<\/em> cultural e profissional para o resto do planeta. Ainda encontramos entraves lingu\u00edsticos e outros, mas estamos derrubando fragorosamente todas as barreiras e seguimos crescendo para mostrar ao mundo a linda filosofia que temos para compartilhar. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\"><!--more--><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe n\u00e3o est\u00e1 escrito em ingl\u00eas, n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia.\u201d Por tr\u00e1s da arrog\u00e2ncia desta frase, existe uma realidade global. Por isso, os 200 gurus indianos n\u00e3o tomaram conhecimento do Tratado de Y\u00f4ga e penaram para compilar apenas 600 \u00e1sanas, quando poderiam ter contado com um incremento consider\u00e1vel ao seu trabalho, se voltassem suas lunetas para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[77,575,250,83,272,97],"tags":[87,748,384,268,26,88,1033,3298,681,859,51,639,44,3299,860,98,258,32,259,934,648,53,721,238,861],"class_list":["post-1891","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-a-bem-da-justica-e-da-verdade","category-cultura-geral","category-filosofia","category-imprensa","category-india","category-livros","tag-asana","tag-ashram","tag-bhagavad-gita","tag-compartilhar","tag-cultura","tag-curso","tag-dravida","tag-filosofia","tag-guru","tag-gurus","tag-hindu","tag-hindus","tag-historia","tag-india","tag-indiano","tag-literatura","tag-mestre","tag-reconhecimento","tag-sabio","tag-sutra","tag-tantra","tag-universidade","tag-woodroffe","tag-yoga","tag-yoga-sutra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1891"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1891\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}