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Em ingl\u00eas \u00e9 etimologicamente muito significativo que a palavra <em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">History<\/em> seja composta de <em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">his+story<\/em> (sua est\u00f3ria, sua vers\u00e3o). <\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">No fundo, \u00e9 tudo mitologia. Se lhe perguntarem: &#8220;qual \u00e9 a cor do cavalo branco de Napole\u00e3o?&#8221;, n\u00e3o responda que ele era cinzento e que <em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">branco <\/em>era seu nome. Na verdade ele era branco mesmo e o nome era <em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">Le Vizir. <\/em>Se ouvir que Ivan, <em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">o Terr\u00edvel <\/em>era terr\u00edvel, duvide. Alexandre, <em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">o Grande, <\/em>era pequeno. Rasputin era muito mais santo que dem\u00f4nio. E, afinal, os peles-vermelhas n\u00e3o eram uns selvagens desalmados como se quis fazer crer durante s\u00e9culos.<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.1pt;\">A Hist\u00f3ria sempre foi torcida por quem a escreveu. Qual ter\u00e1 sido a verdadeira hist\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o russa ou da revolu\u00e7\u00e3o francesa? Comunistas comiam criancinhas? Os qu\u00edmicos da idade m\u00e9dia eram mesmo bruxos emiss\u00e1rios do diabo? Joana d&#8217;Arc era o que diziam os ingleses (uma bruxa francesa), o que diziam os franceses (uma santa) ou ainda o que diria Freud (uma portadora de psicose obsessiva com alucina\u00e7\u00f5es)? N\u00e3o faria diferen\u00e7a: ela seria queimada de qualquer maneira.<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Na mesma fogueira s\u00e3o torrados o nome, a reputa\u00e7\u00e3o e a paz de esp\u00edrito de todos aqueles que ousam ser mais l\u00facidos que a massa ignara, ou simplesmente diferentes. O pr\u00f3prio Freud foi impiedosamente perseguido e difamado enquanto vivo. Depois de morto, tornou-se venerado como g\u00eanio. Anos depois, outra vez, atacado e injuriado. Pelo jeito esse processo c\u00edclico vai continuar se repetindo.<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Galileu foi preso por dizer a verdade, libertado por admitir a mentira. Giordano Bruno, Miguel Servet e outros tantos, n\u00e3o se calaram: foram torturados e queimados vivos em pra\u00e7a p\u00fablica. O psicanalista Wilhelm Reich saiu da Alemanha nazista e foi para o pa\u00eds da liberdade: l\u00e1 foi preso por suas ideias libert\u00e1rias e morreu na pris\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Quantos passaram \u00e0 Hist\u00f3ria como loucos e eram iluminados; quantos passaram como iluminados e eram loucos!<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">A esta altura j\u00e1 acho que <em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">honesto <\/em>\u00e9 o adjetivo que se aplica a todo aquele que n\u00e3o foi desmascarado. E, em contrapartida, <em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">desonesto <\/em>\u00e9 o que n\u00e3o conseguiu provar sua inoc\u00eancia, ainda que verdadeira. Ah! Quanta gente honesta voc\u00ea conhece, n\u00e3o \u00e9?<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Curioso \u00e9 que embora a lei diga que todos s\u00e3o inocentes at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio, o povo faz o inverso. Ao inv\u00e9s de exigir as provas ao que acusa, exige-as ao acusado! Ent\u00e3o, para o populacho ele passa a ser culpado at\u00e9 que se prove a sua inoc\u00eancia. Lembra-se do caso da respeit\u00e1vel Helena Petrovna Blavatsky que j\u00e1 relatei neste livro?<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Pensando bem, na Justi\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 assim. Se voc\u00ea for acusado falsamente ter\u00e1 de provar que a acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 falsa, sen\u00e3o vai preso! Ent\u00e3o&#8230; e aquela est\u00f3ria de que \u201cao acusador cabe o \u00f4nus da prova\u201d?<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Hoje, quando estoura algum esc\u00e2ndalo envolvendo personalidades p\u00fablicas em seus supostos envolvimentos amorosos &#8220;provados&#8221;, corrup\u00e7\u00f5es &#8220;documentadas&#8221; e outras pilantragens &#8220;testemunhadas&#8221; penso c\u00e1 comigo o qu\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 que tenham apenas sido v\u00edtimas de compl\u00f4s para desmoraliz\u00e1-los e, assim, afastar concorrentes realmente fortes por ser incorruptivelmente honestos. <\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Mas o que esperar da humanidade se os seus mais ilustres s\u00e1bios t\u00eam nos dado mostras de sandice desde a antiguidade at\u00e9 os nossos dias? \u00c9 o pr\u00f3prio Camille Flammarion quem nos conta estas:<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">&#8220;Assistia eu, certo dia, a uma sess\u00e3o da Academia de Ci\u00eancias, dia esse de hilariante recorda\u00e7\u00e3o, em que o f\u00edsico Du Moncel apresentou o fon\u00f3grafo de Edson \u00e0 douta assembl\u00e9ia. Feita a apresenta\u00e7\u00e3o, p\u00f4s-se o aparelho docilmente a recitar a frase registrada em seu respectivo cilindro. Viu-se, ent\u00e3o, um acad\u00eamico de idade madura, saturado mesmo das tradi\u00e7\u00f5es de sua cultura cl\u00e1ssica, nobremente revoltar-se contra a aud\u00e1cia do inovador, precipitar-se sobre o representante de Edson e agarr\u00e1-lo pelo pesco\u00e7o, gritando:<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">\u2013 &#8216;Miser\u00e1vel! N\u00f3s n\u00e3o seremos ludibriados por um ventr\u00edloquo.&#8217;<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">&#8220;Senhor Bouillaud chamava-se esse membro do Instituto. Foi isso a 11 de mar\u00e7o de 1878. Mais curioso ainda \u00e9 que, seis meses ap\u00f3s, a 30 de setembro, em uma sess\u00e3o an\u00e1loga, sentiu-se ele muito satisfeito em declarar que, ap\u00f3s maduro exame, n\u00e3o constatara no caso mais do que simples ventriloquia, pois <em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">&#8216;n\u00e3o se pode admitir que um vil metal possa substituir o nobre aparelho da fona\u00e7\u00e3o humana&#8217;<\/em>.<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">&#8220;Quando Lavoisier procedeu \u00e0 an\u00e1lise do ar e descobriu que o mesmo se comp\u00f5e principalmente de dois gases, o oxig\u00eanio e o azoto, esta descoberta desconcertou mais de um esp\u00edrito positivo e equilibrado.<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">&#8220;Um membro da Academia de Ci\u00eancias, o qu\u00edmico Baum\u00e9 (inventor do aer\u00f4metro), acreditando firmemente nos quatro elementos da ci\u00eancia antiga, escrevia doutoralmente:<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.1pt;\">\u2013 &#8216;Os elementos ou princ\u00edpios dos corpos t\u00eam sido reconhecidos e confirmados pelos f\u00edsicos de todos os s\u00e9culos e de todas as na\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 presum\u00edvel que esses elementos, considerados como tais durante um lapso de dois mil anos, sejam postos, em nossos dias, em um n\u00famero de subst\u00e2ncias compostas, e que se possa dar como certos tais processos para decompor a \u00e1gua e o ar e tais racioc\u00ednios absurdos, para n\u00e3o dizer coisa pior, com que se pretende negar a exist\u00eancia do fogo ou da terra.&#8217;<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">&#8220;O pr\u00f3prio Lavoisier n\u00e3o est\u00e1 indene da mesma acusa\u00e7\u00e3o contra os que sup\u00f5em tudo descoberto, pois ele dirigiu um s\u00e1bio relat\u00f3rio \u00e0 Academia para demonstrar que n\u00e3o podem cair pedras do c\u00e9u. Ora, a queda de aer\u00f3litos, a prop\u00f3sito da qual ele escreveu esse relat\u00f3rio oficial, tinha sido observada em todos os seus detalhes: tinha-se visto e ouvido o b\u00f3lido explodir, bem como o aer\u00f3lito cair, tendo sido levantado do ch\u00e3o ainda ardente, para ser em seguida submetido ao exame da Academia. E esta Academia declarou, pelo \u00f3rg\u00e3o do seu relator, que a coisa era inacredit\u00e1vel e inadmiss\u00edvel. Assinalemos tamb\u00e9m que h\u00e1 milhares de anos caem pedras do c\u00e9u diante de centenas de testemunhas, que tem sido apanhado grande n\u00famero dessas pedras, tendo sido conservadas diversas nas igrejas, nos museus, nas cole\u00e7\u00f5es. Mas faltava ainda, no fim do s\u00e9culo, um homem independente para afirmar que de fato caem essas pedras do c\u00e9u: tal homem foi Chladui.<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">&#8220;Na \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o dos trens de ferro, houve engenheiros que demonstraram que esses trens n\u00e3o caminhariam e que as rodas das locomotivas rodariam sempre sobre o mesmo lugar. Na Baviera, o Col\u00e9gio Real de Medicina, consultado, declarou que as estradas de ferro causariam, se fossem constru\u00eddas, os mais graves danos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, j\u00e1 que um movimento assim t\u00e3o r\u00e1pido, provocaria abalos cerebrais nos viajantes e vertigens no p\u00fablico exterior. Em consequ\u00eancia, recomendou o encerramento das linhas entre duas cercas de madeira \u00e0 altura dos vag\u00f5es.&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Todo este extenso texto foi retirado do livro <em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">O Desconhecido e os Problemas Ps\u00edquicos, <\/em>editado no Rio de Janeiro no ano de 1954.<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">O leitor poder\u00e1 argumentar que o texto de Flammarion se refere a uma \u00e9poca pret\u00e9rita e que hoje n\u00e3o \u00e9 mais assim. Deploro a ingenuidade de quem pensar dessa forma. O texto foi justamente escolhido por referir-se a atitudes absurdamente rid\u00edculas aos nossos olhos de hoje, para que possamos ter uma ideia de como ser\u00e3o tachadas mais tarde as que estamos cometendo agora.<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 9pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Helena Petrovna Blavatsky, uma sensitiva com dons paranormais, foi quem fundou a Sociedade Teos\u00f3fica. Sofreu t\u00e3o pavorosas persegui\u00e7\u00f5es e difama\u00e7\u00f5es, que fez publicar o seguinte an\u00fancio no jornal New York World, em 6 de maio de 1877:<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt 14.2pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">&#8220;Desde o primeiro m\u00eas de minha chegada a Nova Iorque comecei, por motivos misteriosos, mas, talvez intelig\u00edveis, a provocar \u00f3dio entre aqueles que pretendiam ser dos meus melhores amigos e manter comigo boas rela\u00e7\u00f5es. <\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt 14.2pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Informa\u00e7\u00f5es aleivosas, insinua\u00e7\u00f5es vis e indiretas pouco elegantes choveram sobre mim.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt 14.2pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Mantive sil\u00eancio por mais de dois anos, embora a menor das ofensas que me lan\u00e7aram fosse calculada para excitar a repugn\u00e2ncia de algu\u00e9m com o meu temperamento.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt 14.2pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Consegui livrar-me de um n\u00famero regular desses varejistas de difama\u00e7\u00f5es, mas, achando que estava atualmente sofrendo na estima de amigos cuja boa opini\u00e3o me \u00e9 valiosa, adotei uma pol\u00edtica de auto-exclus\u00e3o.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt 14.2pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Por dois anos, meu mundo esteve restrito ao apartamento que ocupo, e dezessete horas por dia, em m\u00e9dia, estive sentada \u00e0 secret\u00e1ria, tendo os livros e manuscritos por \u00fanicos companheiros.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt 14.2pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana; letter-spacing: -0.1pt;\">Sou uma velha e sinto necessidade de ar fresco como qualquer pessoa, mas minha avers\u00e3o por esse mundo, caluniador e mentiroso, que se acha fora das fronteiras dos pa\u00edses incivilizados e pag\u00e3os foi tal que, em sete meses, creio ter sa\u00eddo de casa apenas tr\u00eas vezes.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt 14.2pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Mas, nenhum retiro \u00e9 seguro bastante contra os caluniadores an\u00f4nimos que se valem do servi\u00e7o postal. Cartas in\u00fameras foram recebidas por amigos leais, contendo as cal\u00fanias mais imundas contra a minha pessoa.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt 14.2pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Por v\u00e1rias vezes fui acusada de alco\u00f3latra, embusteira, espi\u00e3 russa, espi\u00e3 anti-russa, de n\u00e3o ser russa, de aventureira francesa, de ter estado em c\u00e1rceres destinados a ladr\u00f5es, de ter assassinado sete maridos, de bigamia, etc. Outras coisas poderiam ser mencionadas, mas a dec\u00eancia n\u00e3o permite.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt 14.2pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Desafio qualquer pessoa em toda a Am\u00e9rica a vir provar uma s\u00f3 das imputa\u00e7\u00f5es contra minha honra. Convido qualquer pessoa de posse de tais provas a public\u00e1-las nos jornais, sob sua assinatura.&#8221;<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">\u00a0Bem, tudo isso est\u00e1 aqui apenas para registro. Foram coisas que, evidentemente, marcaram-me bastante no passado e devem ter influenciado o norteamento de toda a obra. No entanto, h\u00e1 muitos anos superei quaisquer perplexidades, reivindica\u00e7\u00f5es ou indigna\u00e7\u00f5es. Talvez gra\u00e7as ao amadurecimento proporcionado pela idade e pelas viv\u00eancias, talvez com a contribui\u00e7\u00e3o do sucesso e da aceita\u00e7\u00e3o das pessoas&#8230; \u00c9 dif\u00edcil determinar o motivo real da satisfa\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m. <\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Apesar de ainda haver reflexos das campanhas desencadeadas pelo Yeti e seus pros\u00e9litos, para tristeza e decep\u00e7\u00e3o deles, elas n\u00e3o conseguem mais nos prejudicar.<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">Atualmente, guardamos um sentimento no cora\u00e7\u00e3o: uma profunda gratid\u00e3o por tudo e por todos, pelo que nos ensinaram e pelo est\u00edmulo do desafio. <\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 4pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Verdana;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><\/em><\/div>\n<div><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><\/em><\/div>\n<div><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><\/em><\/div>\n<p><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><span style=\"font-size: 8pt; font-family: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial;\"><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: right;\" align=\"right\"><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><span style=\"font-size: 8pt; font-family: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial;\">J\u00e1 sofri demasiadamente a incompreens\u00e3o e o isolamento a que se \u00e9 relegado quando se tenta dizer aquilo que os homens n\u00e3o compreendem.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: right;\" align=\"right\"><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><span style=\"font-size: 8pt; font-family: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial;\">Carl Gustav Jung<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; page-break-after: auto; text-indent: 0cm; text-align: right;\" align=\"right\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"text-align: right;\">Dai-me seis linhas escritas pelo homem mais honrado<br \/>\ne eu conseguirei motivos para lev\u00e1-lo \u00e0 forca.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<div><em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<p><span style=\"font-size: 8pt; font-family: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt; font-family: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial;\">Cardeal Richelieu<\/span><\/p>\n<p class=\"LI\" style=\"text-align: right;\">\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div style=\"mso-element: footnote-list;\">\n<div id=\"ftn1\" style=\"text-align: right; mso-element: footnote;\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><\/em><!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Hist\u00f3ria Oficial \u00a0 \u00c9 dif\u00edcil obter o triunfo da verdade. Pasteur Os historiadores sabem-no bem: n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que hist\u00f3ria e est\u00f3ria (History &amp; story) t\u00eam a mesma origem sem\u00e2ntica. Em ingl\u00eas \u00e9 etimologicamente muito significativo que a palavra History seja composta de his+story (sua est\u00f3ria, sua vers\u00e3o). No fundo, \u00e9 tudo mitologia. 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