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Enquanto n\u00e3o conquistei o reconhecimento fora do pa\u00eds e enquanto n\u00e3o fui \u00e0 \u00cdndia durante mais de 20 anos consecutivos, a comunidade relutou em acatar a sistematiza\u00e7\u00e3o do Sw\u00e1Sthya Y\u00f4ga.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Isso foi extremamente \u00fatil, pois descobri que quanto mais me pres\u00adsionavam, mais for\u00e7a eclodia para reagir e mais realiza\u00e7\u00f5es afloravam. Desfrutava at\u00e9 de um certo est\u00edmulo ao vencer os obst\u00e1culos que eram impostos pelos instrutores de y\u00f3ga mais velhos. Por outro lado, nos per\u00edodos em que estava tudo bem, acomodava-me. Se esse per\u00edodo de bonan\u00e7a se prolongava, sentia alguma nostalgia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Comecei a observar as outras pessoas e notei que a maioria reage da mesma forma. Ent\u00e3o elaborei a teoria da <em>S\u00edndrome da Felicidade<\/em>, a qual contribuiu bastante para que pudesse ajudar aos demais em seus conflitos existenciais, conjugais, etc.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A teoria baseia-se no fato de que o ser humano \u00e9 um animal em transi\u00e7\u00e3o evolutiva e que, nos seus milh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o, somente h\u00e1 uns m\u00edseros dez mil anos come\u00e7ou a construir aquilo que viria a ser a civiliza\u00e7\u00e3o. E s\u00f3 nos \u00faltimos s\u00e9culos, sentiu o gosto amargo das restri\u00e7\u00f5es impostas como tributo dessa aventura.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Como animais, temos nossos instintos de luta, os quais compreendem dispositivos de incentivo e recompensa pela sensa\u00e7\u00e3o emocional e mesmo fisiol\u00f3gica de satisfa\u00e7\u00e3o cada vez que vencemos, quer pela luta, quer pela fuga (a fuga tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de vit\u00f3ria, j\u00e1 que o animal conseguiu vencer na corrida ou na estrat\u00e9gia de fuga; e seu predador foi derrotado, uma vez que n\u00e3o o conseguiu alcan\u00e7ar).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Numa situa\u00e7\u00e3o de perigo, o instinto ordena lutar ou fugir. Quando acatamos essa necessidade psico-org\u00e2nica, o resultado na maior parte das vezes, \u00e9 a sa\u00fade e a satisfa\u00e7\u00e3o que se instala no est\u00e1gio posterior.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Se n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fugir nem lutar, desencadeiam-se estados de <em>stress<\/em> que conduzem a um leque de dist\u00farbios fisiol\u00f3gicos diversos. Isto tudo j\u00e1 foi exaustivamente estudado em laborat\u00f3rio e divulgado noutras obras.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">O que introduzimos na teoria da <em>S\u00edndrome da Felicidade<\/em> \u00e9 a desco\u00adberta de um fen\u00f4meno quase inverso ao que foi descrito e que os pes\u00adquisadores ainda n\u00e3o situaram a contento. Trata-se daquela circuns\u00adt\u00e2ncia mais ou menos duradoura na qual n\u00e3o h\u00e1 necessidade de lutar nem de fugir porque est\u00e1 tudo bem. Bem demais, por tempo demais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Isso geralmente acontece com maior incid\u00eancia nos pa\u00edses de grande seguran\u00e7a social e numa propor\u00e7\u00e3o assustadora nas fam\u00edlias mais abastadas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">O dispositivo de premia\u00e7\u00e3o com a sensa\u00e7\u00e3o de vit\u00f3ria, sua consequente euforia e auto-valoriza\u00e7\u00e3o por ter vencido na luta ou na fuga, tal dispositivo em algumas pessoas n\u00e3o \u00e9 acionado com a frequ\u00eancia necess\u00e1ria. Como consequ\u00eancia o animal sente falta \u2013 afinal \u00e9 um mecanismo que existe para ser usado, mas n\u00e3o o est\u00e1 sendo \u2013 e, ent\u00e3o, ele cai em depress\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Se quisermos considerar o lado fisiol\u00f3gico do fen\u00f4meno, podemos atribuir a depress\u00e3o \u00e0 falta de um horm\u00f4nio, ainda n\u00e3o descoberto cientificamente, que denominei <em>endoestimulina<\/em>, e que o organismo para de segregar se n\u00e3o precisa lutar nem fugir por um per\u00edodo mais ou menos longo, vari\u00e1vel de uma pessoa para outra.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">O cachorro dom\u00e9stico entra em depress\u00e3o, mas n\u00e3o sabe por qu\u00ea. A dona do c\u00e3ozinho tamb\u00e9m n\u00e3o sabe a causa da sua pr\u00f3pria depress\u00e3o, j\u00e1 que o processo \u00e9 inconsciente, por\u00e9m, seu c\u00e9rebro, mais sofisticado do que o do c\u00e3o, racionaliza, isto \u00e9, elabora uma justificativa e atribui sua profunda insatisfa\u00e7\u00e3o a causas irrelevantes. N\u00e3o adiantar\u00e1 satis\u00adfazer uma suposta car\u00eancia, imaginariamente respons\u00e1vel pela insatis\u00adfa\u00e7\u00e3o ou depress\u00e3o: outra surgir\u00e1 em seguida para lhe ocupar o lugar e permitir a continuidade da falsa justificativa. O exemplo acima poderia ser com pessoas de ambos os sexos e todas as idades, mas, para ocorrer, \u00e9 preciso que a pessoa seja feliz.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Resumindo, quando o ser humano est\u00e1 tendo que lutar por alguma coisa n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o em sua mente para se sentir infeliz. Se ele n\u00e3o pode lutar nem fugir, primeiro sobrev\u00eam rea\u00e7\u00f5es violentas; depois, a apatia e a somatiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias doen\u00e7as. Mas se est\u00e1 tudo bem, bem demais, por tempo demais, o indiv\u00edduo come\u00e7a a sentir infelicidade por falta do est\u00edmulo de <strong><em>perigo-luta-e-recompensa<\/em><\/strong>. Como isso ocorre em n\u00edvel do inconsciente, a pessoa tenta justificar sua infelicidade, atribuindo-a a coisas que n\u00e3o teriam o m\u00ednimo efeito depressivo em algu\u00e9m que estivesse lutando contra a adversidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Exemplos:<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><span>\u00b7<span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/span><\/span>Na Escandin\u00e1via, onde a popula\u00e7\u00e3o conta com uma das melhores estruturas de conforto, paz social, seguran\u00e7a pessoal e estabilidade econ\u00f4mica, \u00e9 onde se verifica um dos maiores \u00edndices de depress\u00e3o e suic\u00eddio no mundo. No Vietnam, onde as pessoas, durante a guerra, teriam boas raz\u00f5es para abdicar da vida, o \u00edndice de suic\u00eddios foi quase nulo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><span>\u00b7<span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/span><\/span>Os pa\u00edses mais civilizados que n\u00e3o teriam motivos para passeatas e agita\u00e7\u00f5es populares, pois nada h\u00e1 a reclamar dos seus governos, com alguma frequ\u00eancia realizam as mesmas manifesta\u00e7\u00f5es, mas agora com outros pretextos, tais como a ecologia, o pacifismo ou a defesa dos direitos humanos na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><span>\u00b7<span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/span><\/span>O movimento em defesa dos direitos da mulher surgiu justamente no pa\u00eds onde as mulheres tinham mais direitos e eram mesmo mais poderosas que os homens. L\u00e1, onde tradicionalmente se reconhece a ascend\u00eancia da esposa, justo l\u00e1, foi onde as mulheres reclamaram contra sua falta de liberdade e de igualdade. J\u00e1 na It\u00e1lia, Espanha, Portugal, Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia, pa\u00edses mu\u00e7ulmanos e outros onde a mulher poderia ter motivos na \u00e9poca para reclamar, em nenhum deles ela se sentiu t\u00e3o violentamente prejudicada nos seus direitos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Assim, sempre que algum aluno ou aluna vinha chorar as m\u00e1goas, explicava-lhe nossa teoria da <em>S\u00edndrome da Felicidade<\/em> e conclu\u00eda dizendo:<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u2013<em> Se voc\u00ea se sente infeliz sem raz\u00e3o, ou o atribui a essas raz\u00f5es t\u00e3o pequenas, talvez seja porque voc\u00ea \u00e9 feliz demais e n\u00e3o est\u00e1 conseguindo metabolizar sua felicidade. Algo como indigest\u00e3o por excesso de felicidade. Pense nisso e pare de reclamar da vida. Procure algum ideal, arte, filantropia e comece a ter que lutar por isso. Nunca mais precisar\u00e1 tomar Prozac.<\/em><\/p>\n<p><!--EndFragment--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 O que \u00e9 pior: ser infeliz ou estar convencido disso? DeRose \u00a0 Quando comecei a lecionar Y\u00f4ga, era muito jovem e o caldo de cultura onde o Y\u00f4ga fermentava era de pessoas espiritualistas, idosas e preconceituosas. 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