
































































































{"id":2523,"date":"2009-04-11T06:34:22","date_gmt":"2009-04-11T08:34:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.uni-yoga.org\/blogdoderose\/?p=2523"},"modified":"2009-06-17T17:25:15","modified_gmt":"2009-06-17T19:25:15","slug":"depois-dizem-que-os-caes-nao-sabem-de-que-estao-tomando-bronca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/caes-e-animais\/depois-dizem-que-os-caes-nao-sabem-de-que-estao-tomando-bronca\/","title":{"rendered":"Depois dizem que os c\u00e3es n\u00e3o sabem de que est\u00e3o tomando bronca"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o cinco da manh\u00e3. Acabo de chegar, vindo do hospital para onde hav\u00edamos levado uma amiga que tinha passado mal. Ao entrar no quarto, deparei-me com uma bagun\u00e7a. Jaya, minha weimaraner, havia fu\u00e7ado a lata de lixo e espalhado tudo pelo ch\u00e3o. Ela nunca havia feito isso. Veio me cumprimentar efusivamente, como os c\u00e3es fazem habitualmente quando os donos chegam. Eu me mantive s\u00e9rio, apontei para aquela sujeira e perguntei baixinho: &#8220;Quem fez isto?&#8221; A Jaya teve uma rea\u00e7\u00e3o inusitada que me tocou profundamente. O que ocorreu em seguida, n\u00e3o conseguirei p\u00f4r em palavras, nem o seu clima emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jaya me fitou com um olhar de culpada, baixou a cabe\u00e7a e saiu do quarto com rabinho baixo. Deixei passar alguns segundos e fui ver onde ela estava. A pobre estava no corredor, encostada num canto de parede como se estivesse com medo, ou com vergonha, abanando o rabinho baixo e me olhando de baixo para cima, com cara de quem sabia perfeitamente que havia errado. Veio me tocar com o focinho uma vez, duas, tr\u00eas, e eu resistindo estoicamente para n\u00e3o estragar tudo me derretendo e abra\u00e7ando a coitadinha. Mas aguentei firme. N\u00e3o disse nada e n\u00e3o fiz carinho. Ela olhou para mim mais uma vez e foi saindo de mansinho, subindo a escada escura que d\u00e1 para o outro andar, onde ficou encolhida at\u00e9 que a Fernanda chegasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso tudo era quase a rea\u00e7\u00e3o de uma animal que tomasse surras. Mas ela \u00e9 super mimada. Nunca apanhou nem \u00e9 tratada com rispidez. E, apesar disso, ficou magoadinha s\u00f3 porque eu fiquei quieto, olhando para ela. Depois, enquanto vim escrever estas palavras, ela veio aqui para me pedir desculpas. Primeiro, chegou do meu lado e ficou em p\u00e9, quietinha, me olhando. Depois, encostou o focinho de leve no meu bra\u00e7o. Ent\u00e3o, achei que a indiferen\u00e7a j\u00e1 havia sido suficiente e que estava na hora de lhe dar carinho. Enquanto acariciava seu rosto, eu lhe disse baixinho: &#8220;Eu sei&#8230; Voc\u00ea n\u00e3o vai fazer mais, n\u00e9?&#8221; Ela recostou a cabe\u00e7a na minha perna e quase pude\u00a0sentir que ela interiormente chorou de arrependimento. Ou de gratid\u00e3o, por termos feito as pazes. Ent\u00e3o, para consolidar nossa reconcilia\u00e7\u00e3o, ela me trouxe seu <em>toy<\/em> e o entregou na minha m\u00e3o. Em troca, ganhou um biscoito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os treinadores dizem que o c\u00e3o n\u00e3o deve receber bronca pelo que ele fez h\u00e1 algum tempo, porque ele n\u00e3o associa o que fez com a bronca. Se isso for verdade, a Jaya me mostrou que \u00e9 diferente, pois ela sabia exatamente porque eu estava chateado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essas e outras, eu sempre digo que a Jaya n\u00e3o \u00e9 uma cadela. \u00c9 um anjo que se fez peludinho para me derramar b\u00ean\u00e7\u00e3os de ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"comment-author\"><strong><a class=\"row-title\" title=\"Editar Coment\u00e1rio\" href=\"http:\/\/www.uni-yoga.org\/blogdoderose\/wp-admin\/comment.php?action=editcomment&amp;c=10287\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"avatar avatar-32\" src=\"http:\/\/www.gravatar.com\/avatar\/a8279ff34f59e96d472b34ac1f8eac63?s=32&amp;d=http%3A%2F%2Fwww.gravatar.com%2Favatar%2Fad516503a11cd5ca435acc9bb6523536%3Fs%3D32&amp;r=G\" alt=\"\" width=\"32\" height=\"32\" \/><span style=\"font-size: x-small; color: #2583ad;\"> Fernanda Neis<\/span><\/a><\/strong><\/p>\n<p class=\"comment-author\">A cachorrinha<\/p>\n<p>Mas que amor de cachorrinha!<br \/>\nMas que amor de cachorrinha!<\/p>\n<p>Pode haver coisa no mundo<br \/>\nMais branca, mais bonitinha<br \/>\nDo que a tua barriguinha<br \/>\nCrivada de mamiquinha?<\/p>\n<p>Pode haver coisa no mundo<br \/>\nMais travessa, mais tontinha<br \/>\nQue esse amor de cachorrinha<br \/>\nQuando vem fazer festinha<br \/>\nRemexendo a traseirinha?<\/p>\n<p>Vinicius de Moraes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o cinco da manh\u00e3. Acabo de chegar, vindo do hospital para onde hav\u00edamos levado uma amiga que tinha passado mal. Ao entrar no quarto, deparei-me com uma bagun\u00e7a. Jaya, minha weimaraner, havia fu\u00e7ado a lata de lixo e espalhado tudo pelo ch\u00e3o. Ela nunca havia feito isso. 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