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Depois, \u00e0 medida que eu viajava mais e por v\u00e1rios pa\u00edses, a influ\u00eancia se fez sentir. E cresceu mais quando nossa rede de escolas e associa\u00e7\u00f5es filiadas tornou-se numericamente relevante e influente na vida de tantas pessoas. Da\u00ed, a partir de um dado momento, come\u00e7amos a encontrar o nosso chai em casas de ch\u00e1 e at\u00e9 mesmo restaurantes. Em muitos deles, constava como ch\u00e1 y\u00f4gi, numa clara refer\u00eancia \u00e0 nossa escola, pois na \u00cdndia esse ch\u00e1 n\u00e3o \u00e9 tomado apenas em entidades de Y\u00f4ga, mas em toda parte. Mesmo se voc\u00ea entra em uma loja de com\u00e9rcio, oferecem-lhe logo um chai. \u00c9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de cordialidade. Aceit\u00e1-lo, uma demonstra\u00e7\u00e3o de boa educa\u00e7\u00e3o. Pois, bem, a hist\u00f3ria que quero contar tem a ver com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Como um simples chai endossa nossas inten\u00e7\u00f5es de autenticidade<\/strong><\/p>\n<p>Na escola do Fernando Prado, em Buenos Aires, um senhor indiano levava a esposa para praticar Sw\u00e1Sthya e ficava esperando por ela na recep\u00e7\u00e3o da escola. N\u00e3o conversava, n\u00e3o sorria. Quando o diretor da escola procurava ser cordial, o marid\u00e3o respondia com monoss\u00edlabos. Algum tempo depois, Fernando se lembrou de lhe oferecer um chai. O senhor indiano ergueu as sobrancelhas e redarguiu: &#8220;Voc\u00eas tem chai? Quero ver.&#8221; Fernando serviu-lhe um chai. O senhor indiano provou. Sorriu. Come\u00e7ou a conversar. Tempos mais tarde, Fernando lhe perguntou por que depois do chai ele ficou t\u00e3o simp\u00e1tico e antes n\u00e3o queria nem conversa. Ent\u00e3o, a gl\u00f3ria: &#8220;Eu achava que voc\u00eas eram como os outros ocidentais que dizem ensinar Y\u00f4ga e transmitem uma deturpa\u00e7\u00e3o ofensiva \u00e0s nossas tradi\u00e7\u00f5es. Mas quando provei a bebida tradicional indiana, percebi que se at\u00e9 no chai voc\u00eas fazem quest\u00e3o de autenticidade, o Y\u00f4ga que ensinam tamb\u00e9m deve ser aut\u00eantico.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Chazinhos natur\u00e9bas, n\u00e3o!<\/strong><\/p>\n<p>Por isso, fico muito triste quando visito alguma escola que diz seguir o nosso m\u00e9todo, mas serve chazinhos natur\u00e9bas, que s\u00e3o um modismo ocidental contempor\u00e2neo. Nada contra as infus\u00f5es medicinais, para ser tomadas quando necess\u00e1rio. Mas oferecer essas bebidas sem gra\u00e7a dentro de uma escola de Y\u00f4ga \u00e9 subordinar-se a um paradigma equivocado, associando erroneamente Y\u00f4ga com terapia. Y\u00f4ga \u00e9 filosofia. Todos os dicion\u00e1rios e enciclop\u00e9dias o definem como tal. Sua meta, segundo P\u00e1ta\u00f1jali, \u00e9 o sam\u00e1dhi, o estado de consci\u00eancia expandida que proporciona o autoconhecimento. Se, por efeito colateral, aumenta a vitalidade e todas aquelas consequ\u00eancias positivas, devemos interpretar isso como acidentes de percurso, positivos, por certo, mas jamais como objetivo. Uma abordagem mais s\u00e9ria n\u00e3o deve acenar com benef\u00edcios. \u00c9 como se o instrutor quisesse convencer algu\u00e9m de alguma coisa, ou como se quisesse vender algo a algu\u00e9m. \u00a0Mais nobre \u00e9 praticar o Y\u00f4ga pelo Y\u00f4ga e n\u00e3o visando a benef\u00edcios pessoais. Este posicionamento est\u00e1 muito claramente exposto em nossos livros, sempre que, pela exig\u00eancia do cap\u00edtulo, somos obrigados a mencionar os t\u00e3o decantados &#8220;benef\u00edcios do Y\u00f4ga&#8221;. N\u00e3o negamos que eles existam, mas preferimos n\u00e3o fazer apela\u00e7\u00e3o. Ao n\u00e3o oferecer benef\u00edcios terap\u00eauticos e n\u00e3o aplicar misticismo, fica evidenciada a seriedade do nosso trabalho.<!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chai \u00e9 o nome do ch\u00e1 indiano, feito com um pouco de leite, a\u00e7\u00facar e podendo conter gengibre, cardamomo e outras especiarias. Da palavra chai, prov\u00e9m o portugu\u00eas ch\u00e1.\u00a0A partir de 1975, comecei a introduzir o chai no Ocidente.\u00a0Adotamos o chai como bebida oficial nas nossas escolas.\u00a0No in\u00edcio, teve pouca repercuss\u00e3o. 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