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A proposta \u00e9 que atrav\u00e9s de um conjunto de t\u00e9cnicas e um conjunto de conceitos n\u00f3s possamos levar uma pessoa comum a um estado de consci\u00eancia expandida. Agora se isso vai ser obtido ou n\u00e3o, vai depender de uma quantidade de fatores. Entre eles, a pr\u00f3pria gen\u00e9tica do indiv\u00edduo. E, da parte control\u00e1vel, a dedica\u00e7\u00e3o, o investimento de tempo na pr\u00e1tica dessa filosofia. E tamb\u00e9m o ambiente onde a pessoa vive. Porque vai depender muito da bagagem cultural que ela traz, da profiss\u00e3o que ela exerce, da idade com a qual ela come\u00e7ou. Ent\u00e3o \u00e9 uma constela\u00e7\u00e3o de fatores.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>\u00c9 poss\u00edvel esculpir um indiv\u00edduo diferente, mais interventivo na sociedade? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Cada indiv\u00edduo \u00e9 uma realidade diferente. Ent\u00e3o, as pr\u00f3prias t\u00e9cnicas, por exemplo, de oxigena\u00e7\u00e3o cerebral, v\u00e3o reagir diferentemente de um indiv\u00edduo para o outro.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Mas o senhor tem uma inten\u00e7\u00e3o, tem um destino que quer cumprir no esculpir desse indiv\u00edduo? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Sim. A meta que n\u00f3s queremos alcan\u00e7ar \u00e9 conceder a essa pessoa um estado de hiperconsci\u00eancia, um estado de megalucidez. Que, na verdade, \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o na qual a humanidade esta caminhando.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Quando as sociedades dos nossos dias n\u00e3o t\u00eam um perfil nem de indiv\u00edduo nem de sociedade em si, a sua cultura pode ser a proposta que falta. Esse indiv\u00edduo, obviamente diferente, mais l\u00facido, mais consciente, que impacto real \u00e9 que ele tem na sociedade? Em que ele pode fazer a diferen\u00e7a? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Quando a pessoa tem mais lucidez, a primeira coisa que ocorre \u00e9 que ela vai exercer melhor o seu trabalho, a sua posi\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia, o seu engajamento em qualquer ideal, seja ele pol\u00edtico, humanit\u00e1rio, filantr\u00f3pico, art\u00edstico, seja l\u00e1 qual for. E, al\u00e9m do mais, ele se sente integrado. Porque quando o indiv\u00edduo ainda n\u00e3o tem uma consci\u00eancia plena, ele acha que o mundo se divide entre eu e os outros. No momento em que a consci\u00eancia se expande, ele percebe que n\u00e3o existe essa coisa de eu e os outros. Somos todos uma s\u00f3 coisa, estamos todos interligados, n\u00e3o apenas dentro da esp\u00e9cie humana, mas entre todas as esp\u00e9cies e com o pr\u00f3prio planeta, com o pr\u00f3prio cosmos. E esse estado de consci\u00eancia expandida \u00e9 alcan\u00e7\u00e1vel. Mas, normalmente, quando a pessoa menciona a sua pretens\u00e3o, a sua inten\u00e7\u00e3o de conseguir tal estado de consci\u00eancia, uma outra pessoa que n\u00e3o imagine o que \u00e9 isso, que n\u00e3o tenha lido a respeito, que n\u00e3o tenha estudado, que n\u00e3o tenha se esclarecido, pode supor um ideal inalcan\u00e7\u00e1vel, pode supor uma fantasia. Acontece que muita gente j\u00e1 logrou esse estado de consci\u00eancia. Ent\u00e3o \u00e9 realidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Esse estado de hiperconsci\u00eancia, de lucidez, traduz-se em qu\u00ea no dia-a-dia? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>No dia-a-dia, traduz-se em uma participa\u00e7\u00e3o objetiva, que n\u00f3s chamamos de a\u00e7\u00e3o efetiva. Porque muita gente tem iniciativas, mas poucas t\u00eam acabativas. Ent\u00e3o, uma das coisas que uma consci\u00eancia maior, que uma lucidez maior, nos concede, \u00e9 perceber que n\u00e3o adianta apenas o discurso, n\u00e3o basta a inten\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso levar a cabo. \u00c9 necess\u00e1rio ter a iniciativa, a acabativa, o resultado final, para a vida deste indiv\u00edduo, para a sua fam\u00edlia, para os seus amigos, para os seus desamigos, para toda a sociedade, para a responsabilidade social, para responsabilidade ambiental, ou seja, ele vai expandido o seu campo de atua\u00e7\u00e3o, ele deixa de ser um indigente, ele deixa de ser um indiv\u00edduo que n\u00e3o \u00e9 ouvido, que n\u00e3o tem voz, nem voto. Ele passa a ser uma pessoa que atua e que modifica o mundo em que vive. E como essa pessoa, em geral, \u00e9 uma pessoa que tem nobres ideais, ao modificar o mundo em que vive, modifica-o para melhor.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Como \u00e9 que a sua cultura faz isso sobre o indiv\u00edduo? Que instrumentos, que ferramentas \u00e9 que disp\u00f5e para fazer isso? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>A Nossa Cultura. Eu chamo de \u201cNossa Cultura\u201d com N mai\u00fasculo e C mai\u00fasculo, porque \u00e9 um conjunto de conceitos, \u00e9 uma filosofia, \u00e9 um sistema de vida. Essa Nossa Filosofia, essa Nossa Cultura, prop\u00f5e isso atrav\u00e9s de uma reeduca\u00e7\u00e3o comportamental progressiva e espont\u00e2nea. N\u00e3o somos a favor de doutrina\u00e7\u00e3o, portanto, doutrina\u00e7\u00e3o est\u00e1 exclu\u00eddo. N\u00e3o somos tamb\u00e9m a favor de repress\u00e3o. Sem doutrina\u00e7\u00e3o e sem repress\u00e3o, o melhor caminho \u00e9 o exemplo. \u00c9 a conviv\u00eancia. \u00c9 o que n\u00f3s chamamos de egr\u00e9gora. \u00c9 conviver com o poder greg\u00e1rio, de um grupo que j\u00e1 est\u00e1 dedicado a esses ideais. E, a partir da\u00ed, os conceitos s\u00e3o incorporados com muito mais facilidade. E as t\u00e9cnicas, isso a\u00ed j\u00e1 \u00e9 uma quest\u00e3o de dedica\u00e7\u00e3o individual, de praticar, de executar tais t\u00e9cnicas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Pode-se comparar esse tipo de interven\u00e7\u00e3o como quem afina uma orquestra? Vamos reunir os violinos, as flautas, e p\u00f4-los todos a prestarem um comportamento numa mesma dire\u00e7\u00e3o? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Certamente que \u00e9. N\u00f3s vamos criar uma sincronia entre todos os elementos que nos constituem um ser humano. N\u00e3o apenas corpo e mente, mas corpo, energia (bioenergia), emocional, a mente, o intuicional. Enfim todos os elementos que v\u00e3o funcionar, como voc\u00ea muito bem exemplificou, como uma orquestra. E depois, n\u00f3s vamos extrapolar para al\u00e9m do indiv\u00edduo, que \u00e9 o ideal. N\u00e3o ficar dentro do seu pequeno mundinho, do seu universo pessoal. Ent\u00e3o, extrapolando, essa orquestra passa a ser tamb\u00e9m a orquestra da fam\u00edlia, a orquestra do trabalho que ele executa, a orquestra da sua arte, de todos os elementos, pessoas, indiv\u00edduos, circunst\u00e2ncias, daquele ambiente. E quando voc\u00ea vai ampliando seu campo de atua\u00e7\u00e3o, voc\u00ea chega a considerar que o mundo \u00e9 muito pequeno, porque voc\u00ea alcan\u00e7a as pessoas, atrav\u00e9s de ve\u00edculos diversos. Outrora, era atrav\u00e9s da escrita, era atrav\u00e9s de livros, antes deles, os pergaminhos. E hoje, n\u00f3s conseguimos atingir as pessoas por ve\u00edculos eletr\u00f4nicos, n\u00f3s conseguimos estar num momento escrevendo no nosso computador e ao mesmo tempo sendo lidos, sendo acessados, por pessoas em todo planeta e brevemente at\u00e9 fora dele.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Carl Sagan defende, pelo oposto, um sujeito que \u00e9 contaminado pela sociedade, que \u00e9 polu\u00eddo pela sociedade. A Sua Cultura promove o oposto. Promove um indiv\u00edduo ativo, consciente, interventivo. <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Eu concordo com ele. A sociedade corrompe o indiv\u00edduo. Mas, se o indiv\u00edduo tiver o poder de descorromper a sociedade e isso parte da proposta de voc\u00ea realmente perceber que a sociedade tem esse poder, que todo o ambiente cultural em que uma pessoa vive, esse ambiente tem poder sobre. N\u00f3s somos produtos, n\u00f3s somos frutos do ambiente. Somos frutos da cultura em que fomos educados, na qual vivemos. Se tivermos consci\u00eancia disso, desse poder, do ambiente nos corromper e nos recusarmos a aceitar passivamente essa corrup\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a\u00ed n\u00f3s invertemos o processo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Essa contra-corrente do sujeito ativo, e n\u00e3o passivo, entronca naquilo que referi ao princ\u00edpio, que \u00e9 a perspectiva do indiv\u00edduo mais l\u00facido, mais consciente. Essa lucidez tamb\u00e9m tem a ver com o indiv\u00edduo aperceber-se de como a influ\u00eancia exterior lhe pode ser danosa, \u00e9 isso? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Sim. Mas \u00e9 preciso lembrar que essa proposta, embora revolucion\u00e1ria em termos comportamentais, n\u00e3o \u00e9 agressiva. Agressiva, no mal sentido. N\u00e3o \u00e9 violenta. Ou seja, n\u00f3s n\u00e3o estamos indo contra o que j\u00e1 est\u00e1 estabelecido, n\u00f3s n\u00e3o queremos que as pessoas simplesmente mudem e adotem a Nossa Filosofia. A proposta \u00e9 que alguns indiv\u00edduos, que j\u00e1 est\u00e3o pensando dessa forma, n\u00e3o se sintam um <em>avis rara<\/em>. Que esses indiv\u00edduos sintam que h\u00e1 outros que pensam da mesma forma. E, ent\u00e3o, n\u00f3s podemos nos reunir, comungando de um mesmo ideal e compartilhar as id\u00e9ias, os conceitos, as pr\u00e1ticas, a maneira de viver, a maneira de constituir amizades, constituir rela\u00e7\u00f5es afetivas, de uma forma que n\u00f3s chamamos, que n\u00f3s consideramos, mais civilizada, que \u00e9 muito mais amorosa, que \u00e9 muito mais tolerante.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Porque Vossa Cultura n\u00e3o traz s\u00f3 uma proposta interior, do indiv\u00edduo, \u00e9 tamb\u00e9m na forma como ele se relaciona com os seres humanos a sua volta, com o mundo f\u00edsico a sua volta. H\u00e1 uma nova est\u00e9tica e uma nova \u00e9tica? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Sim, porque o conceito de um interior pressup\u00f5e que haja uma dicotomia entre interior e exterior. E a Nossa Cultura n\u00e3o entende o indiv\u00edduo, nem o mundo, como uma coisa separada. Um corpo e alma, por exemplo. Um antagonismo entre o espiritual e o natural, o f\u00edsico, o corporal. Ent\u00e3o, n\u00f3s entendemos que \u00e9 uma coisa s\u00f3. Que estando integrados, nos conseguimos realizar muito mais e muito melhor, muito mais bem feito o nosso trabalho.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Quando os governos dos nossos dias pouco ou nada se preocupam com o perfil de indiv\u00edduo a definir, com o perfil de sociedade a alcan\u00e7ar, a n\u00e3o ser no plano puramente material, do acerto de contas financeiras, \u00e9 preciso haver um novo olhar sobre a qualidade do indiv\u00edduo. E a sua proposta de Cultura responde exatamente a isso. \u00c9 um sujeito mais l\u00facido, mais ativo, e que sabe para onde ele quer caminhar? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Exatamente. E sempre sob a \u00e9gide da toler\u00e2ncia. Porque, se n\u00e3o for assim, n\u00f3s estamos correndo o risco de inventar uma religi\u00e3o nova, que n\u00e3o \u00e9 absolutamente a proposta. \u00c9 uma proposta educacional, uma proposta cultural, uma proposta de levar o indiv\u00edduo a um patamar mais elevado de civilidade, de cultura, de educa\u00e7\u00e3o, de senso art\u00edstico, de sensibilidade, e, como voc\u00ea disse antes, de \u00e9tica e de etiqueta tamb\u00e9m. A etiqueta \u00e9 uma pequena \u00e9tica. Quer dizer, n\u00f3s temos a grande \u00e9tica, e n\u00f3s temos aquela \u00e9tica, aquela etiqueta aplicada ao dia-a-dia, no relacionamento dentro de uma sociedade espec\u00edfica, na qual n\u00f3s temos que nos adaptar. Porque quando n\u00f3s fazemos uma proposta abrangente como esta, n\u00f3s temos que considerar que existe uma cultura crist\u00e3, mas existe uma cultura hindu, existe uma cultura judaica, existe uma cultura isl\u00e2mica, e n\u00f3s n\u00e3o podemos criar uma proposta que se adapte apenas a uma dessas culturas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Mestre, isso muda completamente a din\u00e2mica do mundo a nossa volta. Que possibilidades \u00e9 que se abrem? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>A possibilidade, eu vejo que \u00e9 grande. Agora, a realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre lenta, porque a mudan\u00e7a de paradigmas \u00e9 muito dif\u00edcil para o ser humano. N\u00f3s fomos constru\u00eddos, n\u00f3s fomos projetados, de uma forma que, a partir do momento em que aprendemos um determinado conceito, um determinado c\u00f3digo de procedimento, depois n\u00f3s n\u00e3o conseguimos mudar. \u00c9 muito dif\u00edcil mudar. Ent\u00e3o, quando n\u00f3s transmitimos esse ensinamento, temos que nos lembrar que \u00e9 um ensinamento basicamente para um p\u00fablico jovem, adulto jovem. Adulto jovem, que \u00e9 aquele que est\u00e1 na ativa, que \u00e9 aquele que est\u00e1 na din\u00e2mica empresarial, pol\u00edtica, art\u00edstica, enfim, em qualquer \u00e1rea. E essa pessoa tem condi\u00e7\u00f5es ainda de processar uma transmuta\u00e7\u00e3o na sua maneira de ser.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Martin Luther King legou-nos um sonho que ele tinha \u2013 \u201c<em>I have a dream<\/em>\u201d. O John Lennon pintou com m\u00fasica \u2013 \u201c<em>Imagine all the people<\/em>\u201d. Nelson Mandela trocou a sua liberdade por esse sonho. O vision\u00e1rio DeRose, como \u00e9 que configura esse sonho? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Eu n\u00e3o sei se diria vision\u00e1rio. Porque o nosso trabalho \u00e9 muito terra-terra, \u00e9 muito objetivo, vai diretamente ao indiv\u00edduo no mundo em que ele vive. Ou seja, sem subjetividades, sem teoriza\u00e7\u00f5es, sem suposi\u00e7\u00f5es. Ideais, sim. Mas dentro de um cuidado muito grande, como eu disse antes, para que esses ideais n\u00e3o se tornem radicais. Radicais, at\u00e9 certo ponto, est\u00e1 bem. Prov\u00e9m de ra\u00edzes. N\u00f3s temos ra\u00edzes. Radical, at\u00e9 certo ponto. Mas um fanatismo tem que ser evitado. Da\u00ed o meu cuidado com a palavra vision\u00e1rio. Mas a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente conduzir estes conceitos a que o indiv\u00edduo possa aplic\u00e1-los realmente. Que n\u00e3o seja apenas uma linda proposta, um lindo discurso, mas que ele realmente chegue l\u00e1 na sua empresa e fa\u00e7a isso funcionar, modificando a estrutura da empresa, modificando a administra\u00e7\u00e3o da empresa, tornando cada funcion\u00e1rio, cada colaborador seu, um indiv\u00edduo que tem um valor, que tem um potencial, que tem uma criatividade e que \u00e9 um ser humano. N\u00e3o no sentido apenas de colocar o funcion\u00e1rio e o empres\u00e1rio como for\u00e7as oponentes num cabo de guerra, mas colocando todos puxando na mesma dire\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o progresso individual e, em seguida, o progresso da sociedade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Quando o senhor imagina, vamos pegar no \u201c<em>Imagine<\/em>\u201d do John Lennon, quando o senhor sonha um futuro, sonha o qu\u00ea? V\u00ea o que no fim dessa viagem? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>No \u201c<em>Imagine<\/em>\u201d eu vejo um credo. Porque aquilo que ele prop\u00f5e \u00e9 realmente revolucion\u00e1rio. At\u00e9 me causa esp\u00e9cie que n\u00e3o tenha havido rea\u00e7\u00f5es mais virulentas contra aquelas propostas, porque aquilo \u00e9 lindo, mas ao mesmo tempo, ele fala com rela\u00e7\u00e3o ao indiv\u00edduo superar as limita\u00e7\u00f5es de p\u00e1tria, as limita\u00e7\u00f5es de fronteiras. Isso obviamente n\u00e3o agrada nada a maior parte da popula\u00e7\u00e3o, dos governantes, dos poderes constitu\u00eddos. Querer que todos sejamos um s\u00f3 povo, uma \u00fanica humanidade. E \u201c<em>no religion too<\/em>\u201d. Tamb\u00e9m todas as religi\u00f5es, provavelmente reagiriam de uma forma um tanto quanto reservada. Mas n\u00e3o aconteceu isso. A m\u00fasica \u00e9 linda e o que n\u00f3s vemos \u00e9 que a sua letra \u00e9 aceita pela popula\u00e7\u00e3o em geral, inclusive pelos governantes, pelos poderes constitu\u00eddos, pelas religi\u00f5es em geral. As pessoas gostaram daquilo porque ele soube diz\u00ea-lo. E tamb\u00e9m provavelmente gostaram antes do John Lennon estar mais ativista. Quando ele chegou em Nova York, a coisa ficou mais agressiva.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Mas o senhor quando mobiliza os seus instrutores, a sua fam\u00edlia, a sua egr\u00e9gora DeRose, est\u00e1 a configurar um futuro. Onde \u00e9 que \u00e9 o horizonte que configura para esta sua passagem pela vida? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Eu vejo, a curto prazo, pessoas mais felizes e mais saud\u00e1veis, com uma qualidade de vida melhor. Porque isto \u00e9 o que realmente as nossas t\u00e9cnicas proporcionam. Em primeiro lugar, maior qualidade de vida. A m\u00e9dio prazo, eu vejo prosperidade. Porque uma pessoa que tem melhor qualidade de vida, uma pessoa que tem mais toler\u00e2ncia, que sabe lidar com o ser humano, que sabe lidar com seus superiores hier\u00e1rquicos ou com seus comandados, sabe lidar com seus clientes, com seus fornecedores, sabe lidar com seus amigos e com a sua fam\u00edlia, com as suas rela\u00e7\u00f5es afetivas. Essa pessoa est\u00e1 no controle. Essa pessoa converte-se em um l\u00edder. Um l\u00edder sereno, carism\u00e1tico dentro do seu ambiente, do seu respectivo ambiente. Ent\u00e3o, a m\u00e9dio prazo, isso proporciona estabilidade. Estabilidade na rela\u00e7\u00e3o afetiva, estabilidade na fam\u00edlia, estabilidade no trabalho. A conseq\u00fc\u00eancia \u00e9 prosperidade. Ent\u00e3o, a m\u00e9dio prazo, eu vejo essa nossa fam\u00edlia, ou seja, esses nossos praticantes, e isso j\u00e1 tem acontecido, n\u00f3s j\u00e1 estamos nessa caminhada h\u00e1 meio s\u00e9culo, h\u00e1 49 anos. Ano que vem (2010), 50 anos, portanto, eu vejo, acompanhando o que de fato tem acontecido. As pessoas come\u00e7am a conquistar a estabilidade, a prosperidade, mais felicidade, maior expectativa de vida. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Essa expectativa de vida, conferida, inclusive, pelos bons h\u00e1bitos que s\u00e3o propostos. Porque essa Nossa Filosofia ensina a n\u00e3o utilizar drogas, a n\u00e3o utilizar \u00e1lcool, n\u00e3o utilizar fumo. E buscar h\u00e1bitos saud\u00e1veis. Isto, muito longe de tornar a vida sem gra\u00e7a, torna a vida muito mais interessante, porque aumentando a sua lucidez, se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sob influ\u00eancia de droga alguma, inclusive o \u00e1lcool \u00e9 uma droga, droga legal, mas \u00e9 droga, \u00e9 o mais poderoso dos psicotr\u00f3picos. Ent\u00e3o se voc\u00ea n\u00e3o esta sob o julgo de nenhuma dessas subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, que interferem com a consci\u00eancia, essa pessoa tem mais felicidade, mais lucidez, ela percebe o mundo de uma outra maneira e, consequentemente, o mundo e a vida ficam muito mais divertidos. Essa pessoa fica mais feliz de fato. E, a longo prazo, a proposta \u00e9 aquele estado de consci\u00eancia expandida que nos conduzir\u00e1 ao autoconhecimento.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Esse \u00e9 o objetivo a n\u00edvel individual? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>No \u00e2mbito individual o autoconhecimento. E, se um dia, a humanidade conseguir, toda a humanidade, chegar a esse estado, n\u00f3s vamos ter uma humanidade muito diferente da que temos hoje, porque hoje n\u00f3s partimos para solu\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas. N\u00f3s sempre observamos que, em um mesmo momento, N na\u00e7\u00f5es est\u00e3o em conflitos armados. Ent\u00e3o se n\u00f3s consegu\u00edssemos que, pelo menos, sen\u00e3o toda a humanidade, pelo menos, aqueles que t\u00eam o poder de decis\u00e3o, aqueles que podem criar leis, aqueles que podem declarar guerras, se todos esses estivessem em um estado de consci\u00eancia melhor, mais expandido, essa hiperconsci\u00eancia, n\u00f3s ter\u00edamos um mundo muito mais harmonioso. Porque hoje, n\u00f3s vemos que, muitas vezes, em muitos pa\u00edses, o governante n\u00e3o quer o bem-estar e a evolu\u00e7\u00e3o do povo. At\u00e9 porque, se o povo ficar mais l\u00facido, \u00e9 capaz de tir\u00e1-lo do poder. Ent\u00e3o, n\u00f3s estamos num momento que, considerando o nosso ideal, que \u00e9 para o futuro, nos n\u00e3o estamos em um momento bom, e a demonstra\u00e7\u00e3o disso justamente s\u00e3o esses conflitos que nos observamos em v\u00e1rias regi\u00f5es do globo. Mas se, passo a passo, gradualmente, sem nenhuma inten\u00e7\u00e3o de converter pessoa alguma, mas se, aos poucos, isso der certo, no sentido de uma expans\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o em geral, eu acredito que realmente n\u00f3s vamos ter, num futuro, um mundo muito diferente. Hoje j\u00e1 est\u00e1 diferente se n\u00f3s pensarmos, se n\u00f3s compararmos a qualidade de vida e o n\u00edvel de consci\u00eancia, n\u00e3o apenas de cultura, n\u00e3o apenas de informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas de ilustra\u00e7\u00e3o, mas o n\u00edvel de consci\u00eancia mesmo da maior parte da popula\u00e7\u00e3o comparada com 200 anos, 500 anos atr\u00e1s, 800 anos atr\u00e1s, n\u00f3s estamos numa curva ascendente.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>O senhor regride aos alicerces do nosso existir no (livro) \u201c<em>Eu me lembro<\/em>\u201d, como quem ganha balan\u00e7o em recuo para um salto. Esse salto leva-nos para onde? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Bem, em primeiro lugar, essa volta \u00e0s origens vai nos levar a uma \u00e9poca em que, uma civiliza\u00e7\u00e3o, esse (livro) \u201c<em>Eu me lembro<\/em>\u201d \u00e9 um conto, \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o, mas que \u00e9 ambientada num local, num per\u00edodo, numa civiliza\u00e7\u00e3o em que, at\u00e9 onde nos consta, pela hist\u00f3ria, pela arqueologia, essa civiliza\u00e7\u00e3o, esse povo, vivia em harmonia. O povo tinha qualidade de vida, o cidad\u00e3o era respeitado. N\u00e3o se encontraram constru\u00e7\u00f5es fara\u00f4nicas para o monarca, nem para o clero, mas encontraram-se casas muito confort\u00e1veis para a popula\u00e7\u00e3o. N\u00f3s estamos falando de um per\u00edodo proto-hist\u00f3rico. Um per\u00edodo que est\u00e1 imediatamente antes do surgimento dos registros hist\u00f3ricos. E os historiadores recorreram, muitas vezes \u00e0 arqueologia, para poder montar um pouco da hist\u00f3ria daquele povo. Essa \u00e9poca, imagine, s\u00e3o 5000 anos atr\u00e1s, s\u00e3o 3000 antes de Cristo. E nessa \u00e9poca, nessa civiliza\u00e7\u00e3o, chamada civiliza\u00e7\u00e3o do Vale do Indo, j\u00e1 havia cidades extremamente bem urbanizadas, saneadas, havia as casas do povo, casas com dois andares, e mais, com \u00e1trio para ventila\u00e7\u00e3o interna, com a casa de banho dentro da casa, com \u00e1gua corrente. Mas isto, 3000 antes de Cristo, \u00e9 qualquer coisa de inacredit\u00e1vel. Os pr\u00f3prios arque\u00f3logos quando encontraram, recearam comunicar aquilo \u00e0s academias de ci\u00eancias, porque iam ser tidos por mentirosos. Ent\u00e3o aquilo foi sendo comunicado muito aos poucos. Foram convidando outros arque\u00f3logos, de outros pa\u00edses, a que fossem l\u00e1 constatar. Porque era realmente uma civiliza\u00e7\u00e3o excepcional para a \u00e9poca e at\u00e9 comparada com algumas regi\u00f5es hoje, do nosso planeta. Ent\u00e3o, voc\u00ea imagina que, aquela ambienta\u00e7\u00e3o na qual essa hist\u00f3ria, esse conto, essa fic\u00e7\u00e3o (o livro <em>Eu me lembro<\/em>&#8230;), se baseia, \u00e9 a de um povo feliz, \u00e9 de um povo saud\u00e1vel, \u00e9 de um povo est\u00e1vel, \u00e9 de um povo pr\u00f3spero, dentro dos limites do per\u00edodo hist\u00f3rico. E recuando para essas origens, s\u00e3o, dir\u00edamos muito pr\u00f3ximo das origens da civiliza\u00e7\u00e3o mesma, n\u00f3s aprendemos alguma coisa com eles. Coisa que foi perdida depois. Com a introdu\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o patriarcal, aquela que era matriarcal, essa original, vamos considerar, inclusive, fazer aqui um par\u00eantesis, as sociedades primitivas, n\u00e3o-guerreiras, todas elas tenderam ao matriarcalismo e as sociedades patriarcais, todas foram guerreiras. Ent\u00e3o, s\u00f3 isso j\u00e1 estabelece par\u00e2metros, para que n\u00f3s saibamos que a sociedade patriarcal, ela precisa da guerra. At\u00e9 porque, a pr\u00f3pria estrutura patriarcal, a estrutura do macho, do homem \u00e9 baseada em testosterona e isso \u00e9 um perigo. Testosterona devia ser posto nas bombas que jogam na cabe\u00e7a dos inimigos, porque isto \u00e9 muito explosivo. Agora, a sociedade matriarcal, ela j\u00e1 privilegia a m\u00e3e, privilegia o carinho, privilegia o ventre, privilegia o seio, j\u00e1 \u00e9 uma outra forma de ver o mundo, uma outra forma de administrar a fam\u00edlia, uma outra forma de administrar o Estado. E, sem guerras, esse povo obviamente consegue dedicar seu tempo e os seus recursos econ\u00f4micos, \u00e0 arte, por exemplo. \u00c0 dan\u00e7a, \u00e0 pintura, \u00e0 escultura. E sem repress\u00e3o, porque a sociedade matriarcal, em geral, n\u00e3o \u00e9 repressora. A sociedade patriarcal, em geral, \u00e9. Ent\u00e3o, sem repress\u00e3o, imagine para onde v\u00e3o esses impulsos art\u00edsticos e culturais desse povo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>No \u201c<em>Eu me lembro<\/em>\u201d, o senhor recua h\u00e1 um passado on\u00edrico e depois transporta-nos por uma realidade mais palp\u00e1vel, onde aspectos tang\u00edveis, como os instrumentos de escrita, a pr\u00f3pria linguagem, j\u00e1 s\u00e3o mensur\u00e1veis. \u00c9 quase como se fosse uma vis\u00e3o antropol\u00f3gica. Como o senhor n\u00e3o d\u00e1 um ponto sem n\u00f3, quer nos levar para onde com esse transporte? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Aquilo ali \u00e9 uma fantasia, porque nesse livro, \u201c<em>Eu me lembro<\/em>\u201d, o autor, que sou eu, eu conto sobre mem\u00f3rias de um passado, mas esse passado n\u00e3o \u00e9 nada espiritual, \u00e9 uma hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, levando o leitor at\u00e9 aquela realidade cultural, at\u00e9 aquela civiliza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 aquela maneira de ser, eu estou propondo, estou sugerindo at\u00e9 mesmo um debate do indiv\u00edduo com ele mesmo, a respeito da validade daquela maneira de se relacionar com os filhos, com os pais, com os amigos, com os inimigos, com o relacionamento afetivo, com a pessoa que a gente ama. Ent\u00e3o, talvez aquilo ali possa fazer uma contribui\u00e7\u00e3o. Agora, onde est\u00e1 a fronteira entre a fantasia, a fic\u00e7\u00e3o, o mito, e a realidade, isso eu deixo para que o leitor descubra.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>No entanto, a segunda parte do livro, j\u00e1 tem um cariz quase antropol\u00f3gico, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o pura? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>\u00c9. \u00c9 baseada em fatos reais, porque a fic\u00e7\u00e3o a que eu me refiro \u00e9 a historia, aquela coisa toda. Agora, o m\u00e1ximo poss\u00edvel de elementos palp\u00e1veis, de elementos reais, elementos hist\u00f3ricos, eu utilizei para dar o alicerce, a fundamenta\u00e7\u00e3o daquilo l\u00e1. Eu estou vendo a possibilidade de que a pessoa, primeiro seja conquistada pelo cora\u00e7\u00e3o, porque o in\u00edcio do livro \u00e9 muito doce, muito meigo, depois ele \u00e9 rom\u00e2ntico, e depois ele \u00e9, digamos, mais filos\u00f3fico. Ele perde um pouco aquela do\u00e7ura. Porque \u00e9 a historia de uma pessoa que cresce. Primeiro \u00e9 crian\u00e7a, ent\u00e3o tem uma vis\u00e3o mais rom\u00e2ntica do mundo. Depois torna-se adulto, naquela \u00e9poca adulto era 15 anos de idade, era a idade em que j\u00e1 estava apto a reproduzir, constituir fam\u00edlia. E depois j\u00e1 estava um senhor de 30 anos de idade. Ent\u00e3o a\u00ed ele j\u00e1 v\u00ea o mundo de uma maneira mais consistente, de uma maneira mais cuidadosa, mais prudente. E eu tento transmitir ali um pouco da Nossa Filosofia. Um pouco, porque o livro \u00e9 fininho. \u00c9 um dos menores livros que eu escrevi.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Pode ser menor em espessura, mas \u00e9 tamb\u00e9m para n\u00f3s, os leigos, que olhamos para essa Cultura, eu senti pessoalmente, que era o elemento mais provocativo, porque h\u00e1 varias leituras a fazer por tr\u00e1s. <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Sim, inclusive uma leitura subversiva, no bom sentido. Uma leitura que subverte os maus h\u00e1bitos e que subverte a estrutura da nossa sociedade. N\u00e3o na inten\u00e7\u00e3o de demolir nada, mas no sentido da pessoa parar e pensar \u2013 afinal essa maneira de ser parece mais interessante! Quem sabe n\u00f3s podemos adot\u00e1-la? Vamos experimentar, vamos usar isso na fam\u00edlia, vamos usar isso com os nossos amigos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Quando o senhor, por exemplo, promove, em um dos s\u00fatras, dos seus s\u00fatras, defender a liberdade como primeiro pilar da nossa exist\u00eancia e quando ela choca com a disciplina primar sempre pela liberdade. <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Esse s\u00fatra bate bem nessa tecla, ele \u00e9 bem categ\u00f3rico, veemente, com rela\u00e7\u00e3o a isso, que a liberdade \u00e9 o nosso bem mais precioso.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Mestre, no entanto, pela oposi\u00e7\u00e3o, n\u00f3s precisamos ter uma disciplina interior e existencial para defender os valores. Onde \u00e9 que as duas fronteiras se cruzam? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>E a continua\u00e7\u00e3o desse s\u00fatra, desse pensamento, \u00e9 quando ele diz que se a disciplina violentar a liberdade, opte pela liberdade. Ent\u00e3o, como \u00e9 que n\u00f3s vamos temperar essas duas for\u00e7as, essas duas propostas? \u00c9 que, a disciplina \u00e9 fundamental, mas, se a disciplina deste grupo especifico, qualquer grupo que seja, um grupo pol\u00edtico, um grupo de esporte, um clube de futebol, n\u00e3o importa o qu\u00ea, se este grupo tem normas e estas normas, estas regras, esta disciplina me violenta, eu tenho que valorizar a liberdade, eu tenho que colocar a liberdade em primeiro lugar. Fazendo o que? Brigando contra? N\u00e3o, me afastando. N\u00e3o serviu para mim. Esta empresa, este col\u00e9gio, este liceu, esta faculdade, este clube, n\u00e3o serve, porque estas normas me violentam. Ent\u00e3o eu saio e vou procurar a minha turma. Se n\u00f3s fizermos isso, ao inv\u00e9s de querer bater de frente, vamos conseguir ter uma vida muito melhor. E \u00e9 claro que eu respeito quem pensa o contr\u00e1rio, porque h\u00e1 a opini\u00e3o de que nos precisamos lutar contra. Est\u00e1 bem. \u00c9 um outro grupo. S\u00e3o os dois grupos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>O senhor, por exemplo, defende a disciplina, o rigor, a farda, o vestir da camisola (da camiseta, como se diz no Brasil), e esse coletivo pressup\u00f5e uma secundariza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. \u00c9 correto isso? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>N\u00e3o. Isto pressup\u00f5e que isto tudo que voc\u00ea disse \u00e9 verdade, mas n\u00e3o pode violentar o indiv\u00edduo. N\u00e3o pode violentar a liberdade dele e tem que estar bem assentado sobre a toler\u00e2ncia. Se n\u00f3s conseguirmos esse am\u00e1lgama, que \u00e9 alqu\u00edmico, se n\u00f3s conseguirmos isso, encontramos o equil\u00edbrio ali do fio da navalha. Porque realmente \u00e9 um equil\u00edbrio sobre um caminho muito estreito. Uma brisa faz com que voc\u00ea caia para o lado, para o extremismo da intoler\u00e2ncia, da disciplina que tem que ser cumprida a todo custo, ou para o outro lado, da toler\u00e2ncia excessiva, da complac\u00eancia, da magnanimidade, no mal sentido. Ent\u00e3o \u00e9 o caminho mesmo do centro, \u00e9 o caminho do meio que \u00e9 muito estreito. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Sua Cultura trabalha, por outro lado, sobre os extremos. N\u00f3s devemos trabalhar sobre aquilo que s\u00e3o as nossas dificuldades, os pontos menos bons, ou os pontos que s\u00e3o mais positivos? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>N\u00e3o sei se eu colocaria dessa forma. Porque colocando assim n\u00f3s, de uma certa forma, cristianizamos um pouco essa coisa do bem e do mal. E a nossa proposta \u00e9 a de que tenhamos sempre a consci\u00eancia de que bem e mal s\u00e3o sempre relativos. Voc\u00ea esta fazendo errado. Mas errado em rela\u00e7\u00e3o a que? Com rela\u00e7\u00e3o a que momento? Richelieu disse certa vez que ser ou n\u00e3o ser um traidor \u00e9 uma quest\u00e3o de datas. Ent\u00e3o \u00e9 um pouco isso, do certo e do errado. Em que sociedade, em que religi\u00e3o isto \u00e9 certo ou isto \u00e9 errado? Voc\u00ea entra numa igreja cat\u00f3lica e tira o chap\u00e9u em sinal de respeito. A\u00ed voc\u00ea entra numa sinagoga e coloca-o, em sinal de respeito. Eu me lembro de que uma vez n\u00f3s fomos visitar um templo sikh, na \u00cdndia, e eles pediram para cobrirmos a cabe\u00e7a. At\u00e9 a c\u00e2mera que eles mesmos usavam para gravar o ritual, a c\u00e2mera era coberta em sinal de respeito, era coberta com um tecido branco. Ent\u00e3o tudo \u00e9 conven\u00e7\u00e3o. E n\u00f3s temos que estar conscientes disso cada vez que nos deixarmos seduzir, ou enfim, escorregar um pouco para o lado da cultura que n\u00f3s recebemos que \u00e9 a do bem e do mal. \u201cEste \u00e9 o seu lado mal\u201d. \u201cIsto foi um erro cometido\u201d. Calma, n\u00e3o \u00e9 bem assim. \u00c9 melhor colocar: isto talvez n\u00e3o tenha sido conveniente, neste momento, ou neste grupo. Mas n\u00e3o que seja mal, ou que seja errado. E outro s\u00fatra diz que mal \u00e9 o nome que se da \u00e0 semente do bem. Porque tudo o que voc\u00ea passou na vida de \u201cmau\u201d, voc\u00ea pode observar que, em seguida, ou j\u00e1, ou logo depois, produziu um fruto muito bom.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Realizando a lucidez do cidad\u00e3o consciente, o indiv\u00edduo l\u00facido, na viagem para o estado de hiperlucidez, nem que seja no patamar, esse sujeito tem que ter uma vis\u00e3o para onde \u00e9 que caminha. Como quem vai fazer uma corrida de fundo, ele tem que saber, para se auto-motivar, para onde \u00e9 que ele caminha. A Sua Cultura, como \u00e9 que o impregna desse sentido objetivo? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>N\u00f3s procuramos ver como se fosse uma viagem linda que voc\u00ea est\u00e1 fazendo de comboio e que sabe que aquilo vai a um determinado ponto. Vai a um determinado destino. Mas voc\u00ea olha a paisagem linda do lado de fora, voc\u00ea conversa com um amigo do lado de dentro, voc\u00ea vai at\u00e9 o vag\u00e3o refeit\u00f3rio, restaurante, delicia-se com uma comidinha, recosta, dorme um pouquinho. Voc\u00ea usufrui. Voc\u00ea desfruta do prazer da viagem. E, assim, chega mais r\u00e1pido. E se o indiv\u00edduo ficar s\u00f3 pensando: eu tenho que chegar; o meu destino, o meu destino, o meu destino. A viagem fica desagrad\u00e1vel e parece mais longa. Ent\u00e3o, com rela\u00e7\u00e3o a nossa meta, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9: n\u00e3o se preocupe com a meta. Vamos usufruir da comunidade, das pessoas. As pessoas que, em geral, seguem este sistema, s\u00e3o pessoas interessantes, s\u00e3o pessoas bonitas, por dentro e por fora, s\u00e3o pessoas educadas, s\u00e3o pessoas sens\u00edveis, s\u00e3o pessoas que tem assunto para conversar com qualquer pessoa.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>No entanto, Mestre, quando n\u00f3s vemos, por exemplo, uma sociedade conservadora, que vamos imaginar, por exemplo, defende que a mulher deve ter um papel na sociedade, que deve viver para o marido, para os filhos, para as apar\u00eancias, o estado de lucidez permite a ela derrubar essa fronteira. A sociedade conservadora n\u00e3o hostiliza imediatamente essa lucidez? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>N\u00e3o, porque n\u00f3s n\u00e3o criticamos essa postura tradicional em muitas sociedades hoje vigentes no mundo. E como a Nossa Filosofia, ela n\u00e3o tem inten\u00e7\u00e3o de catequizar, n\u00e3o \u00e9 uma coisa que queira se expandir e, enfim, tomar simpatizantes de outros sistemas filos\u00f3ficos, muito menos religiosos, ent\u00e3o a rea\u00e7\u00e3o nunca foi negativa, nunca houve uma oposi\u00e7\u00e3o, uma resist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Mas pode haver a n\u00edvel das c\u00e9lulas familiares. Por exemplo, se eu desconhe\u00e7o determinada luz, sinto-me perdido no meu corredor, no meu t\u00fanel de sombra e, de repente, aparece uma luz no fundo desse corredor, que pode ser, suponhamos, a Sua Proposta, e eu, de repente, passo a caminhar com outro alento nessa dire\u00e7\u00e3o. E se o t\u00fanel de sombra \u00e9 criado pela estrutura conservadora que a sociedade foi montando a minha volta, eu torno-me rebelde. Pelo menos caminho numa dire\u00e7\u00e3o oposta. Essa cis\u00e3o n\u00e3o cria anticorpos? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Normalmente ocorre o seguinte. Quando num casal, numa estrutura familiar, um dos dois, s\u00f3 um, adota esta filosofia, \u00e9 como se s\u00f3 um dos dois adotasse um partido pol\u00edtico, contr\u00e1rio ao do outro c\u00f4njuge, ou um time contr\u00e1rio ao time do outro c\u00f4njuge. E pode gerar um momento de dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o o que n\u00f3s recomendamos \u00e9 o seguinte: se voc\u00ea evoluiu, se voc\u00ea adotou uma filosofia que tem uma pretens\u00e3o a uma evolu\u00e7\u00e3o maior, uma civilidade maior e tudo, uma lucidez maior, quem est\u00e1 errado \u00e9 voc\u00ea. Porque os dois se casaram dentro de uma determinada vis\u00e3o que um tinha do outro, e cada um gostava do outro como ele era. Criou-se uma regra, criaram-se regras neste jogo, e voc\u00ea mudou as regras do jogo, no meio do jogo. Quem est\u00e1 errado n\u00e3o \u00e9 o c\u00f4njuge, que est\u00e1 reagindo mal, quem est\u00e1 errado \u00e9 voc\u00ea. Ent\u00e3o voc\u00ea tem que ter mais paci\u00eancia com o outro, tem que ter mais toler\u00e2ncia, tem que tentar i\u00e7\u00e1-lo sem for\u00e7\u00e1-lo a isso. Talvez pelo exemplo, talvez pela sua forma de agir, mostrando que hoje voc\u00ea \u00e9 uma pessoa muito melhor pra ele ou pra ela.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>E se a outra pessoa preferir viver em outro tipo de refer\u00eancias. Por exemplo, quiser viver para as apar\u00eancias, e n\u00e3o para o conte\u00fado do bolo? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Tem sido raro. Normalmente, se houver esse processo que eu mencionei, de toler\u00e2ncia, de paci\u00eancia e de sedu\u00e7\u00e3o, cativando a outra pessoa ao inv\u00e9s de cobrando dela uma postura, pelo que n\u00f3s temos observado nestes anos, nestas d\u00e9cadas, \u00e9 que, no geral, o c\u00f4njuge acompanha. Porque ele gosta do que ele est\u00e1 vendo. Seja marido, seja mulher, nota que o outro melhorou. Melhorou como pai ou m\u00e3e, melhorou como marido ou esposa, melhorou como amante, melhorou como companheiro, como amigo. Ent\u00e3o, em geral, ele acaba vindo junto.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>No (livro) \u201c<em>Encontro com o Mestre<\/em>\u201d, o p\u00f3s-imberbe DeRose encontra-se com o DeRose j\u00e1 maduro, j\u00e1 Mestre, j\u00e1 consciente. O que \u00e9 que o Mestre j\u00e1 consciente diria hoje ao DeRose p\u00f3s-imberbe? Seria a mesma coisa que disse no livro? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Iria dar o mesmo desencontro do que eu expus no livro, porque ali era o autor com 58 anos, conversando com o mesmo aos 18. Foi assim, tamb\u00e9m, mais um conto, mais uma fic\u00e7\u00e3o, em que o DeRose de 18 anos aparece na vida do DeRose de 58. E ele ent\u00e3o discorda, ele discute, ele debate. Ele diz: mas n\u00e3o pode ser assim; eu n\u00e3o concordo com isso; isto n\u00e3o pode ser. E o di\u00e1logo entre os dois, entre o jovem idealista de 18 e o homem vivido de 58, aquilo ali pretende dar ao leitor um equil\u00edbrio entre as duas opini\u00f5es, porque muitos dos nossos leitores t\u00eam 18 e 20 e 25 e 30, e muitos dos nossos leitores t\u00eam 58 e 60 e 70 e 80. Ent\u00e3o s\u00e3o dois universos completamente diferentes, e o livro procura casar esses dois universos, mostrando que ambos est\u00e3o corretos, e que \u00e9 muito uma quest\u00e3o de \u00f3tica.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Os dois equilibram-se? S\u00e3o uma mesma coisa? S\u00e3o dois olhares sobre a mesma coisa? Ou um \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o sobre o outro? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Eu diria que, na verdade, os dois t\u00eam seus preconceitos, seus pr\u00e9-conceitos. Ambos discriminam e ambos procuram n\u00e3o discriminar. Ambos tentam n\u00e3o ter preconceitos e a\u00ed, este mais velho aprende com o mais novo, e o mais novo aprende com o mais velho. A id\u00e9ia b\u00e1sica desse livro \u00e9 essa.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>N\u00f3s tendemos a acrescentarmos na diferen\u00e7a. Normalmente as pessoas lidam muito mal com o que lhes \u00e9 diferente, defendem-se, rejeitam, oprimem, suprimem, em vez de somarem-se na diferen\u00e7a. <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>\u00c9. E essas diferen\u00e7as s\u00e3o muito importantes. Porque, imagine o seguinte: se todos os meus amigos s\u00f3 me fizessem elogios, eu estaria cercado por bajuladores, como alguns monarcas no passado. O que eu vou aprender com isso? Eu vou estar errando e todos v\u00e3o estar dizendo que eu estou acertando. N\u00e3o v\u00e3o me ajudar em nada. Mas o meu cr\u00edtico, os cr\u00edticos de plant\u00e3o, eu ainda nem cheguei a errar e eles j\u00e1 est\u00e3o me apontando o dedo. Ent\u00e3o, quem est\u00e1 me ajudando mais? Quem est\u00e1 me ajudando mais \u00e9 aquele que se considera inimigo, mas que na verdade, \u00e9 mais amigo do que os meus amigos, porque ele me mostra o lado sombrio que eu estou cometendo ou estou prestes a cometer. Ele aponta o erro e eu posso corrigir esse erro. Eu sempre comparo o amigo e o inimigo a uma \u00e1rvore, em que as ra\u00edzes, que est\u00e3o nas trevas, que crescem pra baixo, s\u00e3o os inimigos, porque est\u00e3o nas sombras, mas sem os quais a \u00e1rvore n\u00e3o fica em p\u00e9. A \u00e1rvore precisa das ra\u00edzes, e os inimigos s\u00e3o as ra\u00edzes. E os amigos s\u00e3o as flores, s\u00e3o os frutos lindos, maravilhosos, mas sem as ra\u00edzes, n\u00e3o existiriam.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>O senhor, neste \u201c<em>Tratado de Y\u00f4ga<\/em>\u201d, que acabou de ser lan\u00e7ado em Lisboa d\u00e1 logo o exemplo at\u00e9 na dedicat\u00f3ria do livro, porque ele dedica n\u00e3o s\u00f3 a pessoas que o senhor admira pela luz, mas tamb\u00e9m por uma pessoa em particular, que o obrigou&#8230; Pode nos falar um pouco disso? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Pessoas que \u00e0s vezes, por implic\u00e2ncia, at\u00e9 por n\u00e3o conhecer bem o outro lado, a outra verdade, atacam, difamam, agridem, injuriam, excluem. Ent\u00e3o, o que acontece: voc\u00ea pode se considerar um perseguido, voc\u00ea pode se considerar uma pessoa infeliz, pode ficar ressentido. Ou voc\u00ea pode perceber, numa vis\u00e3o de grande angular, que aquilo ali foi extremamente importante e voc\u00ea pode ser grato \u00e0quela pessoa, mas com sinceridade. N\u00e3o adianta ser grato com hipocrisia. \u201cN\u00e3o, sou muito agradecido aos meus inimigos\u201d, mas aqui dentro\u2026 n\u00e3o \u00e9. Ent\u00e3o, n\u00e3o. Tem que ser uma coisa, obviamente, tem que ser uma coisa aut\u00eantica. E ali \u00e9 muito sincero. Se aquele senhor n\u00e3o tivesse desencadeado toda aquela implic\u00e2ncia, que ainda ocorre hoje, e n\u00e3o tivesse gerado todo um f\u00e3 clube dele contra o nosso trabalho, hoje o nosso trabalho seria impercept\u00edvel. O cristianismo s\u00f3 ficou conhecido porque foi perseguido, sen\u00e3o teria sido uma pequena seita judaica ou ess\u00eanica, que teria desaparecido logo depois. Mas a persegui\u00e7\u00e3o deu visibilidade e, a partir da\u00ed, pessoas que concordavam com aquele ponto de vista, fizeram com que se estruturasse e se eternizasse.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Isso n\u00e3o \u00e9 o que n\u00f3s entendemos ou que a Sua Cultura descreve como ahims\u00e1? N\u00e3o \u00e9 o trocar o fel por mel, \u00e9 algo muito mais profundo? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Eu acho que \u00e9 mais profundo. Agora, nesse conceito, do ahims\u00e1, que \u00e9 a n\u00e3o agress\u00e3o proposta por Gandhi. Ahims\u00e1, n\u00f3s aplicamos n\u00e3o exatamente da forma como Jesus prop\u00f4s, que era oferecer a outra face, n\u00e3o \u00e9 exatamente assim, mas \u00e9 de uma outra maneira. Por exemplo, quando uma pessoa tem uma atitude agressiva. N\u00f3s precisamos ter consci\u00eancia. Se voc\u00ea tiver maturidade e auto-estima, voc\u00ea tem condi\u00e7\u00f5es de compreender que aquela pessoa est\u00e1 sendo agressiva porque ela tem medo. Uma pessoa \u00e9 agressiva quando teme. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Se aqui entrar a minha cachorrinha, a Jaya, que \u00e9 a minha weimaraner vegetariana, abanando o rabinho, n\u00f3s vamos dizer: &#8220;que bonitinha, vem c\u00e1, deixa eu fazer um carinhozinho.&#8221; Mas, se entrar aqui, rosnando, mostrando os dentes, voc\u00ea logo diz: &#8220;tira esse bicho daqui sen\u00e3o eu dou uma pedrada nele.&#8221; Porque voc\u00ea ficou agressivo? Ficou agressivo porque sentiu medo. E assim \u00e9 em todas as situa\u00e7\u00f5es. Se voc\u00ea prestar aten\u00e7\u00e3o, analisar com imparcialidade, voc\u00ea vai notar que, todos os momentos em que uma pessoa ficou agressiva \u00e9 porque ela sentiu medo, ela se sentiu amea\u00e7ada, ela entrou em defensiva. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Ent\u00e3o algu\u00e9m foi agressivo com voc\u00ea, voc\u00ea pode, ou ter uma rea\u00e7\u00e3o imatura, que \u00e9 assim: voc\u00ea foi agressivo comigo, devolvo-lhe a agressividade. Ou voc\u00ea pode ter uma rea\u00e7\u00e3o ponderada, uma rea\u00e7\u00e3o da pessoa que tem auto-estima e que tem maturidade. Voc\u00ea foi agressivo comigo, eu tenho que compreender que voc\u00ea se sentiu agredido por mim, mas eu n\u00e3o tive a inten\u00e7\u00e3o de agredi-lo; voc\u00ea se sentiu amea\u00e7ado por mim, mas eu n\u00e3o tive a inten\u00e7\u00e3o de amea\u00e7\u00e1-lo; voc\u00ea talvez tenha tido um p\u00e9ssimo dia; voc\u00ea talvez tenha um p\u00e9ssimo casamento; n\u00e3o sei, talvez voc\u00ea tenha dificuldades, problemas na sua vida. E eu vou devolver mais agressividade? Isso n\u00e3o vai me ajudar. N\u00e3o vai ajudar a nossa rela\u00e7\u00e3o. Se for uma rela\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios, se for uma rela\u00e7\u00e3o de amizade, n\u00e3o importa o que. Devolver agressividade \u00e9 tentar combater o \u00f3dio com mais \u00f3dio. Tentar combater fogo com gasolina. Ent\u00e3o isso n\u00e3o ajuda. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Eu gostei muito da sua frase que \u00e9 devolver fel com mel. \u00c9 interessante, porque \u00e9 mais ou menos isso. De fato, \u00e9 mais ou menos. Porque se a pessoa agrediu e voc\u00ea lhe d\u00e1 um sorriso, um sorriso sincero, porque a pessoa percebe no seu olhar, na sua express\u00e3o facial, o cinismo \u00e9 detect\u00e1vel, instintivamente, por qualquer pessoa. Se voc\u00ea realmente lhe ofereceu um semblante descontra\u00eddo, um sorriso sincero, aquela agressividade se reduz. Mas se reduz drasticamente. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Eu me lembro de uma situa\u00e7\u00e3o em que houve encontro de duas linhas filos\u00f3ficas de nomes quase id\u00eanticos, mas que s\u00e3o antag\u00f4nicas, e at\u00e9 por isso mesmo s\u00e3o antag\u00f4nicas, porque quanto mais semelhantes s\u00e3o, mais elas t\u00eam dessintonias. Ent\u00e3o, nesse encontro, entre as duas filosofias, uma senhora, professora da outra linha veio caminhando na minha dire\u00e7\u00e3o, com o dedo em riste e disse: \u201cDeRose, voc\u00ea isso, voc\u00ea aquilo!\u201d E come\u00e7ou a me insultar em altos brados, com a inten\u00e7\u00e3o mesmo de que todos escutassem. E todos pararam no evento, no congresso, para ver qual seria a minha rea\u00e7\u00e3o. Afinal ser\u00e1 que tudo isso que ele diz, afinal \u00e9 mentira? Como ser\u00e1 que ele vai reagir? Ele vai dizer umas boas a essa senhora? Vai gritar com ela? Talvez agredi-la? Vai virar-lhe as costas e sair andando como um mal educado? Ou vai ficar parado ouvindo, deixando que ela agrida, fale,fale, fale, insulte, insulte, insulte? Qual ser\u00e1 a rea\u00e7\u00e3o? <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>E a\u00ed, que rea\u00e7\u00e3o eu teria tido? Imagine l\u00e1. Tempo para pensar. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Pronto. A rea\u00e7\u00e3o foi: agarrei a velinha, abracei a velhinha, e quando eu soltei, ela j\u00e1 n\u00e3o tinha mais agress\u00e3o nenhuma, n\u00e3o tinha insulto nenhum pra dizer. Quando eu soltei, ela olhou para mim e disse: \u201cAi DeRose, voc\u00ea hein?\u201d Pronto, tirou o fel com o mel do abra\u00e7o, sem dar a outra face, sem ficar simplesmente, passivamente, escutando as agress\u00f5es dela, e sem devolver as agress\u00f5es que, afinal, n\u00e3o ajudaria nada a minha rela\u00e7\u00e3o com ela, n\u00e3o ajudaria nada minha imagem com os outros que estavam assistindo. E tamb\u00e9m n\u00e3o me ajudaria comigo mesmo, porque naquela noite eu n\u00e3o teria dormido t\u00e3o bem.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Isso pressup\u00f5e o tal indiv\u00edduo que a Sua Cultura, o M\u00e9todo DeRose, pretende esculpir, do tal indiv\u00edduo l\u00facido, que se apercebe de uma forma como quem v\u00ea um filme o que est\u00e1 a acontecer a sua volta, e reage de uma forma atuante, consciente e l\u00facida, e n\u00e3o de uma forma prim\u00e1ria. <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Exatamente. Vamos trazer isso para a realidade de um casal, de um casamento, enfim, qualquer relacionamento afetivo. Num casal, ambos sabem exatamente qual \u00e9 a fisionomia, qual \u00e9 o tom de voz e qual \u00e9 a frase que irrita o outro. Sabem perfeitamente, pois vivem juntos. Est\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximos. E num conflito, de casal, se este disse aquela palavra ou fez aquela cara, o outro sabe exatamente qual \u00e9 a fisionomia, qual \u00e9 o tom de voz e qual \u00e9 a palavra que vai agrad\u00e1-lo, que vai atenuar aquela situa\u00e7\u00e3o. Mas por que n\u00e3o diz? Porque eu n\u00e3o vou me dobrar, n\u00e3o vou ceder, sen\u00e3o o outro pisa em mim. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>A\u00ed depende da sua atitude, ao dar essa palavra, interromper o conflito conjugal que vai surgir ali e depois estabelecer limites. E se essa rela\u00e7\u00e3o pode ser mantida, ela vai ser mantida com respeito, com considera\u00e7\u00e3o, com carinho, com companheirismo. Se n\u00e3o puder ser mantida, \u00e9 uma pena. Porque toda rela\u00e7\u00e3o que se rompe tem um custo emocional muito caro, um custo sobre a sa\u00fade muito alto. Mas, paci\u00eancia. H\u00e1 um momento m\u00e1gico em que as rela\u00e7\u00f5es precisam mesmo terminar, porque a\u00ed terminam como amigos. E se ultrapassar o momento m\u00e1gico, e as pessoas insistirem que tem que permanecer juntas, a\u00ed talvez na hora em que romperem, rompam como inimigos, com ressentimentos. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Ent\u00e3o, \u00e0s vezes \u00e9 apenas a quest\u00e3o de hoje eu cedo e amanh\u00e3 essa outra pessoa vai ceder. Porque h\u00e1 uma reciprocidade natural dos seres humanos, quando voc\u00ea tem uma atitude cavalheiresca, uma atitude fidalga com rela\u00e7\u00e3o a uma pessoa, mesmo que \u00edntima, mesmo que seja um irm\u00e3o, mesmo que seja um c\u00f4njuge, a tend\u00eancia \u00e9 que a outra pessoa reaja de uma forma semelhante numa circunst\u00e2ncia imediata ou futura. Uma vez, eu estava sendo conduzido num ve\u00edculo, o meu amigo estava conduzindo e conduzia muito mal. E fez uma convers\u00e3o p\u00e9ssima e o outro motorista quase bateu no carro dele, botou a cabe\u00e7a para fora e j\u00e1 ia dizer uns improp\u00e9rios. E esse meu amigo abriu um sorriso para ele, como quem diz: desculpe, eu errei. Mas com um sorriso, muito simp\u00e1tico. O outro motorista botou a cabe\u00e7a para dentro e disse: vai, meu filho, vai! E n\u00e3o deu briga. O que evitou a briga? Foi s\u00f3 um sorriso.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>A import\u00e2ncia do indiv\u00edduo mais consciente, mais l\u00facido, mais atuante a todos os n\u00edveis. \u00c9 isso que a Sua Cultura quer a relan\u00e7ar dentro da sociedade? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Precisamente. Porque a tend\u00eancia \u00e9 colocar um r\u00f3tulo nessa Cultura, e eu prefiro chamar de Nossa Cultura ou Nosso Sistema, Nossa Filosofia, evitando colocar rotulo; o Nosso M\u00e9todo, evitando o r\u00f3tulo. Por qu\u00ea? Porque na hora em que as pessoas colocam r\u00f3tulos, elas engessam a coisa. E a\u00ed come\u00e7am todas as intoler\u00e2ncias, at\u00e9 com rela\u00e7\u00e3o a quem est\u00e1 fora. E uma das confus\u00f5es que eu procuro corrigir, uma das vis\u00f5es distorcidas, \u00e9 que a pessoa pratique o M\u00e9todo dentro da sala de aula na qual ela aprende o M\u00e9todo. S\u00f3 que ali \u00e9 para aprender, n\u00e3o \u00e9 para praticar. N\u00e3o \u00e9 para p\u00f4r em pratica. Por exemplo, se dentro de uma sala de classe, n\u00f3s ensinamos a respirar corretamente, na hora em que a pessoa sai por aquela porta e vai embora, ela n\u00e3o h\u00e1 de sair respirando errado. Ent\u00e3o n\u00e3o adiantou nada. Ent\u00e3o, ela aprendeu a respirar certo aqui dentro, agora ela sai respirando certo e vai caminhando respirando certo at\u00e9 o seu carro, senta-se e vai conduzindo o carro, respirando corretamente. Chega no seu escrit\u00f3rio e vai trabalhar, ou chega no seu gin\u00e1sio e vai fazer esporte, respirando corretamente. Vai respirar corretamente, de forma mais produtiva, sempre, porque foi isso que ele aprendeu aqui. Eu usei respira\u00e7\u00e3o, podia usar qualquer outra t\u00e9cnica para exemplificar. Esse conjunto de t\u00e9cnicas e conceitos que ele aprende na nossa institui\u00e7\u00e3o, ele sai e deve aplicar, como voc\u00ea disse, em todas as situa\u00e7\u00f5es da vida. Como n\u00f3s tentamos explicar, tentamos expor. Que ele vai transmitir isso, ele vai irradiar isso, para toda a sociedade, porque ele vai irradiar pra fam\u00edlia, ele vai irradiar para os amigos, ele vai irradiar para os seus colegas de trabalho. Ent\u00e3o aquilo vai criando ondas de choque e, aquilo ali vai contagiando de uma forma positiva, todas as pessoas que travam contato com o nosso praticante.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Se o Carl Sagan dizia que a sociedade corrompe o indiv\u00edduo, esse efeito impregnador tamb\u00e9m pode funcionar, e deve, e o senhor pretende que funcione em sentido contr\u00e1rio? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>N\u00f3s sabemos que funciona de l\u00e1 pra c\u00e1. Fa\u00e7amos funcionar ent\u00e3o, tamb\u00e9m, daqui pra l\u00e1.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Se o senhor escrevesse agora n\u00e3o o \u201c<em>Eu me lembro<\/em>\u201d, mas o \u201c<em>Eu sonho<\/em>\u201d, que sonho \u00e9 que se escreveria? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Na verdade, do \u201c<em>Eu me lembro<\/em>\u201d eu n\u00e3o conseguiria acrescentar mais nada, porque aquele livro me saiu numa arrancada s\u00f3. \u00c0s sete da noite eu comecei a escrever. \u00c0s sete da manh\u00e3, eu disse: vou descansar um pouquinho. E pronto, estava terminado. N\u00e3o consegui acrescentar nem uma linha.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>E o \u201c<em>Eu sonho<\/em>\u201d, o que \u00e9 que tinha l\u00e1 dentro? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Ali, n\u00e3o sei. Ali tem muita coisa! Tem muita coisa!<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Podemos pegar-lhe por uma ponta, por um p\u00e9? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Que eu espero um dia poder expressar.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Mas v\u00ea com certeza. N\u00f3s sonhamos que os nossos filhos cres\u00e7am num mundo numa determinada dire\u00e7\u00e3o. E n\u00f3s configuramos qual \u00e9 essa dire\u00e7\u00e3o. O senhor n\u00e3o \u201chipotecou\u201d, n\u00e3o investiu 50 anos de investiga\u00e7\u00e3o, em procura de saberes, sem sentir dentro de si onde \u00e9 que queria chegar? Onde \u00e9 que quer chegar? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Eu gostaria de chegar a um ponto em que as pessoas, minimamente, escutassem o que nos temos a dizer. Que nos permitissem falar. Que n\u00e3o nos amorda\u00e7assem. Porque o grande problema que eu tenho sentido, \u00e9 que n\u00f3s temos coisas muito boas para dizer, n\u00e3o propondo um debate, mas propondo uma reflex\u00e3o. O que ocorre \u00e9 que os que n\u00e3o gostam do sistema, ou pensam que n\u00e3o gostam, n\u00e3o escutaram. Eles n\u00e3o conversaram comigo, n\u00e3o conversaram conosco, n\u00e3o conheceram a nossa gente, n\u00e3o leram nossos livros. Ent\u00e3o, essa morda\u00e7a, eu gostaria, o meu sonho seria poder arrancar essa morda\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Eu me sinto sob aquela puni\u00e7\u00e3o antiga, puni\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica, do sil\u00eancio obsequioso. &#8220;Disse o que n\u00e3o devia, n\u00e3o falar\u00e1 mais.&#8221; E realmente eu sinto muito isso. N\u00e3o querem que eu fale. Mas voc\u00ea observa que o que eu falo n\u00e3o \u00e9 pol\u00eamico. N\u00e3o considero pol\u00eamico, porque n\u00f3s n\u00e3o estamos polemizando, n\u00f3s n\u00e3o estamos discordando dos outros. N\u00e3o \u00e9 agressivo, acho que n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o tenho inten\u00e7\u00e3o de que seja. N\u00e3o quero agredir ningu\u00e9m. E a proposta \u00e9 boa, a proposta \u00e9 uma juventude saud\u00e1vel. N\u00f3s trabalhamos essencialmente com adultos jovens. Portanto, produzir uma juventude saud\u00e1vel, juventude longe das drogas, do \u00e1lcool e do fumo, se mais nada prestasse, pelo menos isso seria uma contribui\u00e7\u00e3o a ser reconhecida, que o nosso trabalho j\u00e1 esta h\u00e1 meio s\u00e9culo proporcionando \u00e0 sociedade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Para n\u00f3s que de fora visitamos a Sua Cultura, vamos fazer um exerc\u00edcio de flash. A sua vis\u00e3o ou a sua miss\u00e3o aponta pra onde? Onde \u00e9 que \u00e9 o horizonte que configura para esta sua passagem pela vida? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Eu tenho conhecido gente muito interessante, realmente exemplos de seres humanos. Pessoas com quem eu tenho o privil\u00e9gio de conviver. Algumas h\u00e1 mais de 30 anos, outras h\u00e1 mais de 20 anos, outras que eu estou conhecendo agora, como \u00e9 o seu caso, e que pra mim constitui um privil\u00e9gio. Essa profiss\u00e3o nossa, esse nosso ideal, nos permite isso: conhecer pessoas. N\u00f3s n\u00e3o somos <em>head hunters<\/em>, n\u00f3s somos <em>heart hunters<\/em>. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Obrigado!<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"comment-author\"><strong><a class=\"row-title\" title=\"Editar Coment\u00e1rio\" href=\"http:\/\/www.uni-yoga.org\/blogdoderose\/wp-admin\/comment.php?action=editcomment&amp;c=14466\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"avatar avatar-32\" src=\"http:\/\/www.gravatar.com\/avatar\/c65de065398969d72e69a11899430df2?s=32&amp;d=http%3A%2F%2Fwww.gravatar.com%2Favatar%2Fad516503a11cd5ca435acc9bb6523536%3Fs%3D32&amp;r=G\" alt=\"\" width=\"32\" height=\"32\" \/>Thiago<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Entrevista sensacional!!!!<\/p>\n<p>Como gravar a entrevista com o Educador DeRose, em Portugal, em m\u00eddia de CD-Rom (que permite reprodu\u00e7\u00e3o em aparelho DVD).<\/p>\n<p>Ol\u00e1 Mestre,<br \/>\nSegue o passo a passo para gravar a entrevista em CD-Rom no formato de v\u00eddeo para reprodu\u00e7\u00e3o na maioria dos aparelhos de DVD:<\/p>\n<p>1\u00b0 Fazer o download da entrevista (salvar em um local que voc\u00ea lembre no computador);<\/p>\n<p>2\u00b0 Abrir o programa Nero;(utilizei a vers\u00e3o 4 : Nero vision 4 (Essentials SE)<\/p>\n<p>3\u00b0 Clicar na aba CD;<\/p>\n<p>4\u00b0 Selecione o \u00edcone foto e v\u00eddeo;<\/p>\n<p>5\u00b0 E na sequ\u00eancia, criar CD de v\u00eddeo;<\/p>\n<p>6\u00b0 Abrir\u00e1 uma janela chamada Meu CD de V\u00eddeo, nela clique no bot\u00e3o adicionar e escolha o arquivo da entrevista. (Importante: caso n\u00e3o visualize o arquivo, escolha a pasta onde foi salva a entrevista e na parte inferior em Tipos de arquivo, altere para Todos os arquivos (*.*). Dessa forma a entrevista aparecer\u00e1 para escolha);<\/p>\n<p>7\u00b0 Insira a m\u00eddia de CD-Rom para grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>8\u00ba. Pronto. Agora voc\u00ea pode promover uma atividade cultural ou deixar a entrevista rodando na sala de espera . Pode fazer uma c\u00f3pia para todos seus alunos, amigos e familiares.<\/p>\n<p>Se houver alguma d\u00favida, me coloco a disposi\u00e7\u00e3o. <strong>[Contat\u00e1-lo pelo nosso blog.]<\/strong><\/p>\n<p>That\u2019s all!<\/p>\n<p>Um abra\u00e7o a todos.<\/p>\n<p>Thiago Ferreira<br \/>\nInstrutor do M\u00e9todo DeRose<br \/>\nUnidade Tatuap\u00e9 &#8211; S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span> <\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista realizada com o jornalista Ant\u00f3nio Mateus transcrita por Alexandre Montagna e simultaneamente por Renata Coura e Maicon, com a colabora\u00e7\u00e3o de Caio, \u2028Priscila Ramos, Raffa Loffredo, Taline Mendes, R\u00f4mulo \u2028Justa, Alessandra Filipini (e faltou algu\u00e9m, por favor, avise-me.) A sua cultura promove um indiv\u00edduo mais l\u00facido, mais consciente, mais interventivo na sociedade. \u00c9 isso? [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[103,575,250,83,97,52],"tags":[265,546,1181,1148,27,119,60,151,1127,268,1149,432,409,26,1124,58,237,180,1500,287,3298,51,44,80,116,81,1276,216,258,39,239,1272,14,343,3291,431,430,82,3301,112,1205,693,102,1444,464,63,238],"class_list":["post-4481","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-amigos","category-cultura-geral","category-filosofia","category-imprensa","category-livros","category-profissao","tag-amizade","tag-arte","tag-auto-estima","tag-autoconhecimento","tag-bem-estar","tag-blog-do-derose","tag-carinho","tag-civilidade","tag-civilizacao","tag-compartilhar","tag-comportamental","tag-comportamento","tag-consciencia","tag-cultura","tag-culturas","tag-derose","tag-egregora","tag-entrevista","tag-estabilidade","tag-felicidade","tag-filosofia","tag-hindu","tag-historia","tag-jornalista","tag-jovens","tag-liberdade","tag-mandela","tag-mateus","tag-mestre","tag-metodo","tag-metodo-derose","tag-nelson-mandela","tag-nobres","tag-paz","tag-profissao","tag-qualidade-de-vida","tag-reeducacao","tag-respeito","tag-responsabilidade-ambiental","tag-responsabilidade-social","tag-revolucionario","tag-silencio-obsequioso","tag-sutras","tag-tolerancia","tag-uni-yoga-swasthya","tag-vegetariana","tag-yoga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4481"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4481\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}