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Revis\u00f5es sucessivas feitas por Fernanda Neis, Alessandra Roldan, DeRose e Camacho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de transcrito, o texto abaixo foi revisado e convertido de linguagem coloquial em linguagem escrita. Trechos foram suprimidos ou inseridos em benef\u00edcio de uma melhor reda\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><strong>ENTREVISTA<\/strong><span style=\"font-weight: 800;\"><strong> <\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0<\/p>\n<div><strong><strong><span>A sua cultura promove um indiv\u00edduo mais l\u00facido, mais consciente, mais interventivo na sociedade. \u00c9 isso? <\/span><\/strong><\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/div>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">A proposta \u00e9 essa. A proposta \u00e9 que atrav\u00e9s de um conjunto de t\u00e9cnicas e um conjunto de conceitos n\u00f3s possamos levar a pessoa comum a um estado de consci\u00eancia expandida. Se isso vai ser obtido ou n\u00e3o, vai depender de uma constela\u00e7\u00e3o de fatores. Entre eles, a pr\u00f3pria gen\u00e9tica do indiv\u00edduo. Quanto \u00e0 parte control\u00e1vel, vai depender da dedica\u00e7\u00e3o, do investimento de tempo na pr\u00e1tica dessa filosofia e tamb\u00e9m do ambiente onde a pessoa vive. Porque vai depender muito da bagagem cultural que ela traz, da profiss\u00e3o que ela exerce, da idade com a qual come\u00e7ou. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>\u00c9 poss\u00edvel esculpir um indiv\u00edduo diferente, mais interventivo na sociedade? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Cada indiv\u00edduo \u00e9 uma realidade distinta. As pr\u00f3prias t\u00e9cnicas, por exemplo, de oxigena\u00e7\u00e3o cerebral, v\u00e3o reagir diferentemente de um indiv\u00edduo para o outro.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Mas o senhor tem uma inten\u00e7\u00e3o, tem um destino que quer cumprir no esculpir desse indiv\u00edduo? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Sim. A meta que n\u00f3s queremos alcan\u00e7ar \u00e9 conceder a essa pessoa um estado de hiperconsci\u00eancia, um estado de megalucidez. Que, na verdade, \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o na qual a humanidade est\u00e1 caminhando.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Quando as sociedades dos nossos dias n\u00e3o t\u00eam um perfil nem de indiv\u00edduo nem de sociedade em si, a sua cultura pode ser a proposta que falta. Esse indiv\u00edduo, obviamente diferente, mais l\u00facido, mais consciente, que impacto real ele tem na sociedade? Em que ele pode fazer a diferen\u00e7a? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Quando o indiv\u00edduo tem mais lucidez, a primeira coisa que ocorre \u00e9 que ele vai exercer melhor o seu trabalho, a sua posi\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia, o seu engajamento em qualquer ideal, seja ele pol\u00edtico, humanit\u00e1rio, filantr\u00f3pico, art\u00edstico, seja l\u00e1 qual for. E, al\u00e9m do mais, ele se sente integrado. Quando o indiv\u00edduo ainda n\u00e3o tem uma consci\u00eancia plena, ele acha que o mundo se divide entre &#8220;eu e os outros&#8221;. No momento em que a consci\u00eancia se expande, ele percebe que n\u00e3o existe essa coisa de &#8220;eu e os outros&#8221;. Somos todos uma s\u00f3 coisa, estamos todos interligados, n\u00e3o apenas dentro da esp\u00e9cie humana, mas entre todas as esp\u00e9cies e com o pr\u00f3prio planeta, com o pr\u00f3prio cosmos. E esse estado de consci\u00eancia expandida \u00e9 alcan\u00e7\u00e1vel. Mas, geralmente, quando uma pessoa menciona a sua pretens\u00e3o, a sua inten\u00e7\u00e3o de conseguir tal estado de consci\u00eancia, um outro que n\u00e3o imagine o que \u00e9 isso, que n\u00e3o tenha lido a respeito, que n\u00e3o tenha estudado, que n\u00e3o tenha se esclarecido, pode supor um ideal inalcan\u00e7\u00e1vel, pode supor uma fantasia. Acontece que muita gente j\u00e1 logrou esse estado de consci\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Esse estado de hiperconsci\u00eancia, de megalucidez, traduz-se em qu\u00ea no dia-a-dia? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">No dia-a-dia, traduz-se em uma participa\u00e7\u00e3o objetiva, que n\u00f3s chamamos de a\u00e7\u00e3o efetiva. Porque muita gente tem iniciativas, mas poucas t\u00eam acabativas. Ent\u00e3o, uma das coisas que uma consci\u00eancia maior nos concede, \u00e9 perceber que n\u00e3o adianta apenas o discurso, n\u00e3o basta a inten\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso levar a cabo. \u00c9 necess\u00e1rio ter a iniciativa, a acabativa, o resultado final, para a vida deste indiv\u00edduo, para a sua fam\u00edlia, para os seus amigos, para os seus desamigos, para toda a sociedade, para a responsabilidade social, para responsabilidade ambiental, ou seja, ele vai expandido o seu campo de atua\u00e7\u00e3o, ele deixa de ser um indigente, ele deixa de ser um indiv\u00edduo que n\u00e3o \u00e9 ouvido, que n\u00e3o tem voz, nem voto. Ele passa a ser uma pessoa que atua e que modifica o mundo em que vive. E como essa pessoa, em geral, \u00e9 uma pessoa que tem nobres ideais, ao modificar o mundo em que vive, modifica-o para melhor.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Como \u00e9 que a sua cultura faz isso sobre o indiv\u00edduo? De que instrumentos, de que ferramentas disp\u00f5e para fazer isso? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">A Nossa Cultura! Eu chamo de \u201cNossa Cultura\u201d porque \u00e9 um conjunto de conceitos, \u00e9 uma filosofia, \u00e9 um sistema de vida. Essa Nossa Filosofia, essa Nossa Cultura, prop\u00f5e atuar sobre o indiv\u00edduo atrav\u00e9s de uma reeduca\u00e7\u00e3o comportamental progressiva e espont\u00e2nea. N\u00e3o somos a favor de doutrina\u00e7\u00e3o, portanto, doutrina\u00e7\u00e3o est\u00e1 exclu\u00edda. N\u00e3o somos tamb\u00e9m a favor de repress\u00e3o. Sem doutrina\u00e7\u00e3o e sem repress\u00e3o, o melhor caminho \u00e9 o do exemplo. \u00c9 a conviv\u00eancia. \u00c9 o que n\u00f3s chamamos de egr\u00e9gora. \u00c9 conviver com o poder greg\u00e1rio, de um grupo que j\u00e1 est\u00e1 dedicado a esses ideais. E, a partir da\u00ed, os conceitos s\u00e3o incorporados com muito mais facilidade. Quanto \u00e0s t\u00e9cnicas, a\u00ed j\u00e1 \u00e9 uma quest\u00e3o de dedica\u00e7\u00e3o individual, de praticar, de executar, de treinar.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Pode-se comparar esse tipo de interven\u00e7\u00e3o como quem afina uma orquestra? Vamos reunir os violinos, as flautas, e p\u00f4-los todos a prestarem um comportamento numa mesma dire\u00e7\u00e3o? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Certamente que \u00e9. N\u00f3s geramos uma sincronia entre todos os elementos que nos constituem como um ser humano. N\u00e3o apenas corpo e mente, mas corpo f\u00edsico, emocional, mental, intuicional, enfim, todos os elementos que v\u00e3o sinergizar-se, como voc\u00ea muito bem exemplificou, como uma orquestra. Depois, n\u00f3s vamos extrapolar para al\u00e9m do indiv\u00edduo. N\u00e3o queremos que o nosso praticante se restrinja a atuar dentro do seu pequeno mundinho, do seu universo pessoal. Extrapolando, essa orquestra passa a ser tamb\u00e9m a orquestra da fam\u00edlia, a orquestra do trabalho que ele executa, a orquestra da sua arte, de todos os elementos, pessoas, indiv\u00edduos, circunst\u00e2ncias, daquele ambiente. \u00c0 medida que vai ampliando seu campo de atua\u00e7\u00e3o, voc\u00ea chega a considerar que o mundo \u00e9 muito pequeno, porque alcan\u00e7a as pessoas, atrav\u00e9s de ve\u00edculos diversos. Outrora, era atrav\u00e9s da escrita, atrav\u00e9s de livros, antes deles, pelos pergaminhos. Hoje conseguimos atingir as pessoas por ve\u00edculos eletr\u00f4nicos, conseguimos estar, num momento, escrevendo em nosso computador e ao mesmo tempo sendo lidos, sendo acessados por pessoas em todo o planeta.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Carl Sagan defende, pelo oposto, um sujeito que \u00e9 contaminado pela sociedade, que \u00e9 polu\u00eddo pela sociedade. A Sua Cultura promove o oposto. Promove um indiv\u00edduo ativo, consciente, interventivo. <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Eu concordo com ele. A sociedade contamina o indiv\u00edduo. Mas o indiv\u00edduo tem o poder de contaminar a sociedade. Isso parte da proposta de voc\u00ea realmente perceber que a sociedade tem esse poder, que todo o ambiente cultural em que uma pessoa vive, tem poder sobre n\u00f3s. De fato, somos produto, n\u00f3s somos frutos do ambiente, da cultura em que fomos educados, na qual vivemos. Se tivermos consci\u00eancia disso, desse poder do ambiente de nos contaminar, e nos recusarmos a aceitar passivamente essa contamina\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o n\u00f3s inverteremos o processo e passaremos a influenciar a sociedade, a cultura e o mundo em que vivemos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Essa contracorrente do sujeito ativo, e n\u00e3o passivo, entronca naquilo que referi ao princ\u00edpio, que \u00e9 a perspectiva do indiv\u00edduo mais l\u00facido, mais consciente. Essa lucidez tamb\u00e9m tem a ver com o indiv\u00edduo aperceber-se de como a influ\u00eancia exterior lhe pode ser danosa, \u00e9 isso? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Sim. Mas \u00e9 preciso lembrarmo-nos de que esta proposta, embora revolucion\u00e1ria em termos comportamentais, n\u00e3o \u00e9 agressiva, no mau sentido. N\u00e3o \u00e9 violenta. Ou seja, n\u00f3s n\u00e3o estamos indo contra o que j\u00e1 est\u00e1 estabelecido, n\u00f3s n\u00e3o queremos que as pessoas simplesmente mudem e adotem a Nossa Filosofia. A proposta \u00e9: quem j\u00e1 estiver pensando dessa forma, n\u00e3o se sinta um <\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">avis rara<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\">. Que esses indiv\u00edduos sintam que h\u00e1 outros que pensam da mesma forma. E, ent\u00e3o, n\u00f3s podemos nos reunir, comungar um mesmo ideal e compartilhar as ideias, os conceitos, as pr\u00e1ticas, a maneira de viver, a maneira de constituir amizades, constituir rela\u00e7\u00f5es afetivas, de uma forma que n\u00f3s consideramos mais civilizada, que \u00e9 muito mais amorosa, muito mais tolerante.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Certa vez uma jovem aluna do nosso M\u00e9todo nos escreveu uma linda cartinha que terminava dizendo: &#8220;Sempre me senti o coringa do baralho e agora encontrei um baralho em que todas as cartas s\u00e3o coringas.&#8221; <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Porque Vossa Cultura n\u00e3o traz s\u00f3 uma proposta interior, do indiv\u00edduo, \u00e9 tamb\u00e9m na forma como ele se relaciona com os seres humanos \u00e0 sua volta, com o mundo f\u00edsico \u00e0 sua volta. H\u00e1 uma nova est\u00e9tica e uma nova \u00e9tica? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Sem d\u00favida, porque o conceito de um interior pressup\u00f5e que haja uma dicotomia entre interior e exterior. E a Nossa Cultura n\u00e3o entende o indiv\u00edduo, nem o mundo, como uma coisa separada. Um corpo e alma, por exemplo. Um antagonismo entre o espiritual e o natural, o f\u00edsico, o corporal. Ent\u00e3o, n\u00f3s entendemos que interior e exterior s\u00e3o uma coisa s\u00f3. Que estando integrados, n\u00f3s conseguimos realizar muito mais e muito melhor, muito mais bem feito o nosso trabalho. De nada adianta que consigamos proporcionar uma evolu\u00e7\u00e3o pessoal a um indiv\u00edduo se isso n\u00e3o for se reverberar na sociedade, no mundo, na humanidade e at\u00e9 no meio ambiente. Um mais elevado n\u00edvel de consci\u00eancia for\u00e7osamente desencadeia uma nova est\u00e9tica e uma nova \u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o aos valores que hoje est\u00e3o vigentes. Por outro lado, nada do que proclamamos \u00e9 novo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Quando os governos dos nossos dias pouco ou nada se preocupam com o perfil de indiv\u00edduo a definir, com o perfil de sociedade a alcan\u00e7ar, a n\u00e3o ser no plano puramente material, do acerto de contas financeiras, \u00e9 preciso haver um novo olhar sobre a qualidade do indiv\u00edduo. E a sua proposta de Cultura responde exatamente a isso. \u00c9 um sujeito mais l\u00facido, mais ativo, e que sabe para onde ele quer caminhar? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Exatamente. E sempre sob a \u00e9gide da toler\u00e2ncia. Porque, se n\u00e3o for assim, n\u00f3s estamos correndo o risco de inventar uma religi\u00e3o nova, o que n\u00e3o \u00e9 absolutamente a inten\u00e7\u00e3o. A nossa \u00e9 uma proposta educacional, uma proposta cultural, de levar o indiv\u00edduo a um patamar mais elevado de civilidade, de cultura, de educa\u00e7\u00e3o, de senso art\u00edstico, de sensibilidade e, como voc\u00ea disse antes, de \u00e9tica e de etiqueta tamb\u00e9m. A etiqueta \u00e9 uma pequena \u00e9tica. Quer dizer, temos a grande \u00e9tica, e n\u00f3s temos aquela \u00e9tica, aquela etiqueta, aplicada ao dia-a-dia, no relacionamento dentro de uma sociedade espec\u00edfica, na qual n\u00f3s precisamos nos adaptar. Porque quando expomos uma proposta abrangente como esta, temos de considerar que existe uma cultura crist\u00e3, mas existe uma cultura hindu, uma cultura judaica, uma cultura isl\u00e2mica e n\u00f3s n\u00e3o podemos sugerir uma proposta que se adapte apenas a uma dessas culturas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Isso muda completamente a din\u00e2mica do mundo \u00e0 nossa volta. Que possibilidades \u00e9 que se abrem? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">As possibilidades s\u00e3o m\u00faltiplas e bem abrangentes. No entanto, a realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre lenta, porque a mudan\u00e7a de paradigmas \u00e9 muito dif\u00edcil para o ser humano. Nossos circuitos neurol\u00f3gicos foram projetados de uma forma que, a partir do momento em que aprendemos um determinado conceito, um determinado c\u00f3digo de procedimento, n\u00e3o conseguimos mudar. \u00c9 muito dif\u00edcil mudar. Ent\u00e3o, quando transmitimos este ensinamento, devemos nos lembrar de que \u00e9 um ensinamento basicamente para um p\u00fablico jovem, adulto jovem. Adulto jovem, \u00e9 aquele que est\u00e1 na ativa, \u00e9 aquele que est\u00e1 na din\u00e2mica empresarial, pol\u00edtica, art\u00edstica, enfim, em qualquer \u00e1rea. Essa pessoa tem condi\u00e7\u00f5es ainda de processar uma transmuta\u00e7\u00e3o na sua maneira de ser. Tem condi\u00e7\u00f5es de incorporar uma nova pr\u00e1xis. E quem o tiver, no meu entender, \u00e9 um adulto jovem.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Martin Luther King legou-nos um sonho que ele tinha \u2013 \u201c<em>I have a dream<\/em>\u201d. O John Lennon pintou com m\u00fasica \u2013 \u201c<em>Imagine<\/em>\u201d. Nelson Mandela trocou a sua liberdade por esse sonho. O vision\u00e1rio DeRose, como \u00e9 que configura esse sonho? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Eu n\u00e3o diria vision\u00e1rio. Porque o nosso trabalho \u00e9 muito terra-a-terra, \u00e9 muito objetivo, vai diretamente ao indiv\u00edduo no mundo em que ele vive. Ou seja, sem subjetividades, sem teoriza\u00e7\u00f5es, sem suposi\u00e7\u00f5es. Ideais, sim. Mas dentro de um cuidado muito grande para que esses ideais n\u00e3o se tornem fan\u00e1ticos. O fanatismo tem que ser evitado. Mas a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente conduzir estes conceitos a que o indiv\u00edduo possa aplic\u00e1-los de fato. Que n\u00e3o seja apenas uma linda proposta, um lindo discurso, mas que ele realmente chegue l\u00e1 na sua empresa e fa\u00e7a isso funcionar, modificando a estrutura do seu neg\u00f3cio, modificando a administra\u00e7\u00e3o da empresa, tornando cada funcion\u00e1rio, cada colaborador seu um indiv\u00edduo que tem um valor, que tem um potencial, que tem uma criatividade e que \u00e9 um ser humano. N\u00e3o no sentido obsoleto de entender o funcion\u00e1rio e o empres\u00e1rio como for\u00e7as oponentes num cabo de guerra, mas colocando todos a tracionar na mesma dire\u00e7\u00e3o, dire\u00e7\u00e3o essa que \u00e9 o progresso individual e, por consequ\u00eancia, o progresso da sociedade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Quando o senhor imagina, vamos pegar no \u201c<em>Imagine<\/em>\u201d do John Lennon, quando o senhor sonha um futuro, sonha o qu\u00ea? V\u00ea o que no fim dessa viagem? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">No \u201c<\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">Imagine<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\">\u201d eu vejo um credo. O que ele prop\u00f5e \u00e9 realmente revolucion\u00e1rio. At\u00e9 me causa esp\u00e9cie que n\u00e3o tenha havido rea\u00e7\u00f5es mais virulentas contra aquelas propostas, porque Lennon exorta o indiv\u00edduo a superar as limita\u00e7\u00f5es de p\u00e1tria, as limita\u00e7\u00f5es de fronteiras. Isso obviamente n\u00e3o agrada nada \u00e0 maior parte da popula\u00e7\u00e3o, dos governantes, dos poderes constitu\u00eddos. Querer que todos sejamos um s\u00f3 povo, uma \u00fanica humanidade. E ao propor \u201c<\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">no religion too<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\">\u201d! Era de se esperar que todas as religi\u00f5es censurassem a ousadia. Mas n\u00e3o aconteceu isso. A m\u00fasica \u00e9 linda e o que n\u00f3s vemos \u00e9 que a sua letra \u00e9 aceita por todos, inclusive pelos governantes, pelos poderes constitu\u00eddos, pelas religi\u00f5es em geral. As pessoas gostaram da mensagem de <\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">Imagine<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\"> porque Lennon soube como express\u00e1-la com arte e est\u00e9tica.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Mas o senhor quando mobiliza os seus instrutores, a sua fam\u00edlia, a sua egr\u00e9gora DeRose, est\u00e1 a configurar um futuro. Onde \u00e9 o horizonte que configura para esta sua passagem pela vida? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Eu diviso, a curto prazo, pessoas mais felizes e mais saud\u00e1veis, com uma qualidade de vida melhor. Porque isto \u00e9 o que as nossas t\u00e9cnicas proporcionam. Em primeiro lugar, maior qualidade de vida. A m\u00e9dio prazo, eu vejo prosperidade. A longo prazo, autoconhecimento.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Uma pessoa que tem melhor qualidade de vida, que tem mais toler\u00e2ncia, que sabe lidar com o ser humano, que sabe lidar com seus superiores hier\u00e1rquicos ou com seus comandados, sabe lidar com seus clientes, com seus fornecedores, sabe lidar com seus amigos e com a sua fam\u00edlia, com as suas rela\u00e7\u00f5es afetivas, essa pessoa est\u00e1 no controle. Converte-se em um l\u00edder. Um l\u00edder sereno, carism\u00e1tico dentro do seu respectivo ambiente. Ent\u00e3o, a m\u00e9dio prazo, isso proporciona estabilidade. Estabilidade na rela\u00e7\u00e3o afetiva, estabilidade na fam\u00edlia, estabilidade no trabalho. A conseq\u00fc\u00eancia \u00e9 prosperidade. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Eu j\u00e1 estou nessa caminhada h\u00e1 meio s\u00e9culo. Durante estes cinquenta anos de profiss\u00e3o, tenho observado que de fato as pessoas que seguem a Nossa Cultura, a m\u00e9dio prazo, come\u00e7am a conquistar a estabilidade, a prosperidade, mais felicidade, maior expectativa de vida. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">O aumento da expectativa de vida \u00e9 conferido, inclusive, pelos bons h\u00e1bitos que s\u00e3o propostos. Nossa Filosofia ensina a n\u00e3o utilizar drogas, a n\u00e3o utilizar \u00e1lcool, n\u00e3o utilizar fumo. E buscar h\u00e1bitos saud\u00e1veis. Isto, muito longe de tornar a vida sem gra\u00e7a, torna-a muito mais interessante, porque aumentando a sua lucidez, se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sob influ\u00eancia de droga alguma. Ent\u00e3o, se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sob o jugo de nenhuma dessas subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, que interferem com a consci\u00eancia, inquestionavelmente, desfruta de mais felicidade, mais lucidez, percebe o mundo de uma outra maneira e, consequentemente, o mundo e a vida ficam muito mais divertidos. Essa pessoa fica mais feliz de fato. E, a longo prazo, a proposta \u00e9 aquele estado de consci\u00eancia expandida que nos conduza ao autoconhecimento.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Esse \u00e9 o objetivo a n\u00edvel individual? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">No \u00e2mbito individual, o autoconhecimento. Se um dia, a humanidade conseguir chegar a esse estado, n\u00f3s vamos ter uma humanidade muito diferente da que temos atualmente, porque hoje n\u00f3s partimos para solu\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas. N\u00f3s sempre observamos que, em um mesmo momento, v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es est\u00e3o em conflitos armados. Se consegu\u00edssemos que, sen\u00e3o toda a humanidade, pelo menos aqueles que t\u00eam o poder de decis\u00e3o, aqueles que podem criar leis, aqueles que podem declarar guerras, se todos esses estivessem em um estado de consci\u00eancia melhor, mais expandido, n\u00f3s ter\u00edamos um mundo muito mais harmonioso. Hoje, n\u00f3s vemos que, muitas vezes, em muitos pa\u00edses, o governante n\u00e3o quer o bem-estar e a evolu\u00e7\u00e3o do povo. At\u00e9 porque, se o povo ficar mais l\u00facido, \u00e9 capaz de tir\u00e1-lo do poder. Considerando o nosso ideal, n\u00f3s [<\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">a humanidade<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\">] n\u00e3o estamos em um momento bom. E a demonstra\u00e7\u00e3o disso s\u00e3o, justamente, esses conflitos que observamos em v\u00e1rias regi\u00f5es do globo. Mas se, passo a passo, gradualmente, sem nenhuma inten\u00e7\u00e3o de converter pessoa alguma, aos poucos, isso der certo, no sentido de uma expans\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o em geral, eu acredito que realmente n\u00f3s vamos ter, num futuro, um mundo muito diferente. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">O s\u00e9culo XXI j\u00e1 est\u00e1 diferente se n\u00f3s compararmos a qualidade de vida e o n\u00edvel de consci\u00eancia, n\u00e3o apenas de cultura, n\u00e3o apenas de informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas de ilustra\u00e7\u00e3o, mas o n\u00edvel de consci\u00eancia mesmo da maior parte da popula\u00e7\u00e3o comparada com 200 anos, 500 anos atr\u00e1s, 800 anos atr\u00e1s, n\u00f3s estamos numa curva ascendente.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>O senhor regride aos alicerces do nosso existir no (livro) \u201c<em>Eu me lembro<\/em>\u201d, como quem ganha balan\u00e7o em recuo para um salto. Esse salto leva-nos para onde? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">O livro \u201c<\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">Eu me lembro<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\">\u201d \u00e9 um conto ambientado num local, num per\u00edodo, numa civiliza\u00e7\u00e3o em que, at\u00e9 onde nos consta, pela hist\u00f3ria, pela arqueologia, habitava um povo que vivia em harmonia. A popula\u00e7\u00e3o tinha qualidade de vida, o cidad\u00e3o era respeitado. N\u00e3o se encontraram constru\u00e7\u00f5es fara\u00f4nicas para os monarcas, nem para o clero, mas encontraram-se casas muito confort\u00e1veis para a popula\u00e7\u00e3o. Estamos nos referindo a um per\u00edodo proto-hist\u00f3rico que est\u00e1 situado imediatamente antes do surgimento dos registros hist\u00f3ricos. Os historiadores recorreram, muitas vezes \u00e0 arqueologia, para poder montar um pouco da hist\u00f3ria daquele povo. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Estamos falando de 5000 anos atr\u00e1s, 3000 antes de Cristo. E nessa \u00e9poca, nessa civiliza\u00e7\u00e3o, chamada Civiliza\u00e7\u00e3o do Vale do Indo, j\u00e1 havia cidades extremamente bem urbanizadas, saneadas, as casas do povo eram pr\u00e9dios com dois andares, e mais, com \u00e1trio para ventila\u00e7\u00e3o interna, com o banheiro dentro da casa, com \u00e1gua corrente. Mas isto, 3000 antes de Cristo, \u00e9 qualquer coisa de inacredit\u00e1vel. Os pr\u00f3prios arque\u00f3logos quando encontraram suas ru\u00ednas, recearam comunicar a descoberta \u00e0s academias de ci\u00eancias, receando ser tidos por imprecisos. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Ent\u00e3o, as descobertas foram sendo comunicadas gradualmente. Convidaram outros arque\u00f3logos, de diversos pa\u00edses, a que fossem l\u00e1 constatar. Porque era realmente uma civiliza\u00e7\u00e3o excepcional para a \u00e9poca e at\u00e9 comparada com algumas regi\u00f5es do nosso planeta atualmente. Ent\u00e3o, imagine que, aquela ambienta\u00e7\u00e3o na qual essa hist\u00f3ria, esse conto, essa fic\u00e7\u00e3o (o livro <\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">Eu me lembro<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\">&#8230;), se baseia, \u00e9 a de um povo feliz, \u00e9 de um povo saud\u00e1vel, est\u00e1vel, pr\u00f3spero dentro dos limites do per\u00edodo hist\u00f3rico. E recuando para essas origens, dir\u00edamos, muito pr\u00f3ximo das origens da civiliza\u00e7\u00e3o mesma, n\u00f3s aprendemos alguma coisa com eles. Algo que foi perdido depois. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">As sociedades primitivas, n\u00e3o-guerreiras, todas tenderam ao matriarcalismo (como \u00e9 o caso da civiliza\u00e7\u00e3o do Vale do Indo) e as sociedades patriarcais, todas foram guerreiras. Com a chegada dos arianos em 1500 a.C., ocorreu a consequente introdu\u00e7\u00e3o do sistema patriarcal naquela regi\u00e3o. Desde o passado remoto, o sistema patriarcal tem vivido da guerra. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Por outro lado, a sociedade matriarcal, privilegia a m\u00e3e, o carinho, o ventre, o seio&#8230; \u00e9 uma outra forma de ver o mundo, uma outra proposta para administrar a fam\u00edlia e o pr\u00f3prio Estado. Sem guerras, esse povo obviamente consegue dedicar seu tempo e os seus recursos econ\u00f4micos \u00e0 arte, \u00e0 cultura, \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 filosofia. Tudo isso, sem repress\u00e3o, porque a sociedade matriarcal, em geral, n\u00e3o \u00e9 repressora. Ent\u00e3o, sem repress\u00e3o, imagine at\u00e9 onde puderam se expandir os impulsos art\u00edsticos e culturais daquele povo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>No \u201c<em>Eu me lembro<\/em>\u201d, o senhor recua a um passado on\u00edrico e depois transporta-nos por uma realidade mais palp\u00e1vel, onde aspectos tang\u00edveis, como os instrumentos de escrita, a pr\u00f3pria linguagem, j\u00e1 s\u00e3o mensur\u00e1veis. \u00c9 quase como se fosse uma vis\u00e3o antropol\u00f3gica. Como o senhor n\u00e3o d\u00e1 um ponto sem n\u00f3, quer nos levar para onde com esse transporte? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">N\u00e3o nos esque\u00e7amos de que toda a descri\u00e7\u00e3o \u00e9 uma fantasia, porque nesse livro, \u201c<\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">Eu me lembro<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\">\u201d, eu discorro sobre mem\u00f3rias de um passado, mas esse passado n\u00e3o \u00e9 nada espiritual, \u00e9 uma hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, levando o leitor at\u00e9 aquela realidade cultural, at\u00e9 aquela civiliza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 aquela maneira de ser, eu estou sugerindo uma reflex\u00e3o do indiv\u00edduo a respeito da validade daquela forma de se relacionar com os filhos, com os pais, com os amigos, com os inimigos, com a pessoa amada. Ent\u00e3o, talvez o conte\u00fado do livro possa fazer uma contribui\u00e7\u00e3o ao aprimoramento individual. Agora, onde est\u00e1 a fronteira entre a fantasia, a fic\u00e7\u00e3o, o mito e a realidade, isso eu deixo para que o leitor descubra.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>No entanto, a segunda parte do livro, j\u00e1 tem um cariz quase antropol\u00f3gico, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o pura? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">A fic\u00e7\u00e3o \u00e0 qual eu me refiro \u00e9 o conto em si. Eu utilizei o m\u00e1ximo poss\u00edvel de elementos palp\u00e1veis, de fatos reais, de dados hist\u00f3ricos para construir o alicerce do conto. Eu vejo a possibilidade de que a pessoa, primeiro, seja conquistada pelo cora\u00e7\u00e3o, por isso o in\u00edcio do livro \u00e9 muito doce, muito meigo, depois ele \u00e9 rom\u00e2ntico, e finalmente ele \u00e9, digamos, mais filos\u00f3fico. Na parte final, ele perde um pouco da do\u00e7ura, porquanto na idade madura tornamo-nos mais realistas. \u00c9 a hist\u00f3ria de uma pessoa que cresce. Primeiro \u00e9 crian\u00e7a, ent\u00e3o tem uma vis\u00e3o mais imaginativa do mundo. Depois torna-se adulto. Naquela \u00e9poca o homem tornava-se adulto aos 15 anos de idade, era a idade em que j\u00e1 estava apto a reproduzir, constituir fam\u00edlia. E envelhecia cedo, j\u00e1 era um senhor aos 30 anos de idade. Nesse momento, ele j\u00e1 v\u00ea o mundo de uma maneira mais consistente, mais cuidadosa, mais prudente. Eu tento transmitir no texto um pouco da nossa filosofia, n\u00e3o muito, apenas um pouco, porque o livro \u00e9 pequeno. \u00c9 um dos menores livros que eu escrevi.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Pode ser menor em tamanho, mas eu senti que era o elemento mais instigante, porque h\u00e1 v\u00e1rias leituras a fazer por tr\u00e1s. <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Sim, inclusive uma leitura revolucion\u00e1ria, no bom sentido. Uma leitura que subverte os maus h\u00e1bitos e a estrutura de parca civilidade do nosso mundo. N\u00e3o na inten\u00e7\u00e3o de demolir nada, mas no sentido de sugerir que o leitor pare e pense: &#8220;Afinal, essa proposta parece interessante! Quem sabe, n\u00f3s podemos adot\u00e1-la? Vamos experimentar, vamos usar isso na fam\u00edlia, vamos aplicar esses procedimentos com os nossos amigos.&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Quando o senhor, por exemplo, promove, em um dos seus pensamentos, defender a liberdade como primeiro pilar da nossa exist\u00eancia e, quando ela se choca com a disciplina, primar sempre pela liberdade. <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Esse pensamento \u00e9 bem categ\u00f3rico. Ele proclama que a liberdade \u00e9 o nosso bem mais precioso.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>No entanto, pela oposi\u00e7\u00e3o, n\u00f3s precisamos ter uma disciplina interior e existencial para defender os valores. Onde \u00e9 que as duas fronteiras se cruzam? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">A continua\u00e7\u00e3o desse pensamento diz que se a disciplina violentar a liberdade, opte pela liberdade. Como \u00e9 que n\u00f3s vamos temperar essas duas for\u00e7as? A disciplina \u00e9 fundamental, mas, se a disciplina de um grupo especifico, qualquer grupo que seja, um grupo pol\u00edtico, um grupo de esporte, um clube de futebol, n\u00e3o importa o qu\u00ea, se este grupo tem normas e tais normas, tal disciplina me violenta, eu devo priorizar a liberdade. Fazendo o qu\u00ea? Brigando, indo contra? N\u00e3o! Afastando-me. Obviamente, tal grupo n\u00e3o serve para mim. Esta empresa, este col\u00e9gio, esta faculdade, este clube, n\u00e3o serve, porque suas normas me violentam. Ent\u00e3o, eu saio procurando preservar as amizades e vou procurar a minha turma. Se n\u00f3s fizermos isso, ao inv\u00e9s de querer bater de frente, conseguiremos desfrutar uma vida muito melhor. E \u00e9 claro que eu respeito quem pensa o contr\u00e1rio. H\u00e1 quem tenha a opini\u00e3o de que, para defender um ponto de vista, n\u00f3s precisamos brigar, gritar, insultar, agredir, fazer esc\u00e2ndalo. \u00c9 uma quest\u00e3o de temperamento, de educa\u00e7\u00e3o, de car\u00e1ter. Est\u00e1 bem. Mas esse \u00e9 um outro grupo. Sempre que poss\u00edvel, procuro ficar distante dele.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>O senhor, por exemplo, defende a disciplina, o rigor, a farda, o vestir da camisola [<em>no Brasil, diz-se vestir a camiseta<\/em>], e esse coletivo pressup\u00f5e uma secundariza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. \u00c9 correto isso? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9. Nosso discurso pressup\u00f5e que tudo que voc\u00ea disse \u00e9 v\u00e1lido, desde que n\u00e3o violente o indiv\u00edduo. N\u00e3o pode violentar a liberdade dele e tem que estar bem assentado sobre a toler\u00e2ncia. Se n\u00f3s conseguirmos esse am\u00e1lgama, que \u00e9 alqu\u00edmico, encontramos ali o equil\u00edbrio do fio da navalha. Porque realmente \u00e9 um equil\u00edbrio sobre um caminho muito estreito. Uma brisa faz com que voc\u00ea se incline para um lado, para o extremismo da intoler\u00e2ncia, da disciplina que tem que ser cumprida a todo custo, ou para o outro lado, da toler\u00e2ncia excessiva, da complac\u00eancia com a falha. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Sua Cultura trabalha, por outro lado, sobre os extremos. N\u00f3s devemos trabalhar sobre aquilo que s\u00e3o as nossas dificuldades, os pontos menos bons, ou os pontos que s\u00e3o mais positivos? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">N\u00e3o sei se eu colocaria dessa forma, porque colocando assim n\u00f3s, de uma certa forma, cristianizamos um pouco esse conceito, exacerbando a no\u00e7\u00e3o do bem e do mal. E a nossa proposta \u00e9 a de que tenhamos sempre a consci\u00eancia de que bem e mal s\u00e3o sempre relativos. &#8220;Voc\u00ea est\u00e1 fazendo errado.&#8221; Mas errado em rela\u00e7\u00e3o a qu\u00ea? Com rela\u00e7\u00e3o a que momento? Richelieu disse, certa vez, que ser ou n\u00e3o ser um traidor \u00e9 uma quest\u00e3o de datas. \u00c9 um pouco isso, a respeito do certo e do errado. Em que sociedade, em que religi\u00e3o isto \u00e9 certo ou isto \u00e9 errado? Voc\u00ea entra numa igreja cat\u00f3lica e tira o chap\u00e9u em sinal de respeito. A\u00ed voc\u00ea entra numa sinagoga e coloca-o, em sinal de respeito. Eu me lembro de que uma vez n\u00f3s fomos visitar um templo sikh, na \u00cdndia, e eles pediram para cobrirmos a cabe\u00e7a. At\u00e9 a c\u00e2mera que eles mesmos usavam para gravar o ritual, era coberta em sinal de respeito, com um tecido branco. Conclui-se, portanto, que tudo \u00e9 conven\u00e7\u00e3o. E n\u00f3s temos que estar conscientes disso cada vez que nos deixarmos conduzir, dentro da tradi\u00e7\u00e3o que recebemos, que \u00e9 a do bem e do mal. \u201cEste \u00e9 o seu lado mau\u201d. \u201cIsto foi um erro cometido\u201d. Talvez, observando sob outra \u00f3tica, n\u00e3o seja bem assim. \u00c9 melhor considerar: isto talvez n\u00e3o tenha sido conveniente, neste momento, ou neste grupo. N\u00e3o que seja mau, ou que seja errado. Outro s\u00fatra diz que mal \u00e9 o nome que se d\u00e1 \u00e0 semente do bem. Porque tudo o que voc\u00ea passou na vida de \u201cmal\u201d ou de \u201cmau\u201d, voc\u00ea pode observar que, em seguida (ou j\u00e1, ou logo depois), produziu um fruto muito bom.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Realizando a lucidez do cidad\u00e3o consciente, o indiv\u00edduo l\u00facido, na viagem para o estado de hiperlucidez, esse sujeito tem que ter uma vis\u00e3o para onde caminha. Como quem vai fazer uma corrida de fundo, ele tem que saber, para se automotivar, para onde ele caminha. A Sua Cultura, como \u00e9 que o impregna desse sentido objetivo? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">N\u00f3s procuramos ver como se fosse uma viagem linda que voc\u00ea est\u00e1 fazendo de trem e que sabe que o percurso conduz a um determinado destino. Mas voc\u00ea olha a bela paisagem do lado de fora, conversa com um amigo do lado de dentro, vai at\u00e9 ao vag\u00e3o restaurante, delicia-se com uma comidinha, recosta, dorme um pouco. Voc\u00ea usufrui. Voc\u00ea desfruta do prazer da viagem. E, assim, chega mais r\u00e1pido. E se o indiv\u00edduo ficar s\u00f3 pensando: &#8220;eu tenho que chegar; o meu destino, o meu destino, o meu destino&#8221;. A viagem fica desagrad\u00e1vel e parece mais longa. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa meta, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9: n\u00e3o se preocupe com a meta. Vamos desfrutar a comunidade, as pessoas. As pessoas que, em geral, seguem este sistema, s\u00e3o pessoas interessantes, s\u00e3o pessoas bonitas, por dentro e por fora, s\u00e3o pessoas educadas, sens\u00edveis, que t\u00eam assunto para conversar com qualquer interlocutor.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>No entanto, quando n\u00f3s vemos, por exemplo, uma sociedade conservadora que, vamos imaginar, por exemplo, defende que a mulher deve ter um papel na sociedade, que deve viver para o marido, para os filhos, para as apar\u00eancias, o estado de lucidez permite a ela derrubar essa fronteira. A sociedade conservadora n\u00e3o hostiliza imediatamente essa lucidez? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">N\u00e3o, porque n\u00f3s n\u00e3o criticamos a postura tradicional em muitas sociedades hoje vigentes no mundo. E como a Nossa Filosofia n\u00e3o tem inten\u00e7\u00e3o de catequizar, n\u00e3o \u00e9 uma coisa que queira se expandir e, enfim, tomar simpatizantes de outros sistemas filos\u00f3ficos, muito menos dos religiosos. Por esse motivo, nunca houve uma rea\u00e7\u00e3o negativa, nunca houve uma oposi\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o a esta proposta.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Mas pode haver no \u00e2mbito das c\u00e9lulas familiares. Por exemplo, se eu desconhe\u00e7o determinada luz, sinto-me perdido no meu t\u00fanel de sombra e, de repente, aparece uma luz no fundo desse corredor, que pode ser, suponhamos, a Sua Proposta, e eu, de repente, passo a caminhar com outro alento nessa dire\u00e7\u00e3o. E se o t\u00fanel de sombra \u00e9 criado pela estrutura conservadora que a sociedade foi montando \u00e0 minha volta, eu torno-me rebelde. Pelo menos caminho numa dire\u00e7\u00e3o oposta. Essa cis\u00e3o n\u00e3o cria anticorpos? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Quando num casal, numa estrutura familiar, um dos dois c\u00f4njuges adota esta filosofia e o outro n\u00e3o, eventualmente, pode ocorrer inicialmente alguma dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o, como se s\u00f3 um dos dois adotasse um partido pol\u00edtico, diferente do do outro c\u00f4njuge, ou um time desportivo, contr\u00e1rio ao time do outro c\u00f4njuge. Isso pode gerar um atrito moment\u00e2neo, caso n\u00e3o se verifique uma atitude de compreens\u00e3o, carinho e respeito. Se voc\u00ea evoluiu, se adotou uma filosofia que tem pretens\u00e3o a uma evolu\u00e7\u00e3o maior, uma civilidade maior, uma lucidez maior, quem mudou foi voc\u00ea. Porque os dois se casaram dentro de uma determinada vis\u00e3o que um tinha do outro, e cada qual gostava do outro como ele era. Criaram-se regras e voc\u00ea mudou as regras do jogo, no meio do jogo. Quem est\u00e1 errado n\u00e3o \u00e9 o c\u00f4njuge, que est\u00e1 reagindo mal. Ent\u00e3o, voc\u00ea precisa ter mais paci\u00eancia, tem que ter mais toler\u00e2ncia, deve tentar i\u00e7\u00e1-lo, sem for\u00e7\u00e1-lo a isso. Talvez consiga incentiv\u00e1-lo a adotar o mesmo estilo de vida atrav\u00e9s do exemplo, pela sua forma de agir, mostrando que hoje voc\u00ea \u00e9 uma pessoa muito melhor para ele ou para ela.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>E se a outra pessoa preferir viver em outro tipo de refer\u00eancias. Por exemplo, quiser viver para as apar\u00eancias e n\u00e3o para o conte\u00fado do bolo? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Tem sido raro. O que n\u00f3s temos observado, \u00e9 que, se houver o processo que eu mencionei, de toler\u00e2ncia, de paci\u00eancia e de carinho, cativando a outra pessoa ao inv\u00e9s de cobrar dela uma postura, o c\u00f4njuge, geralmente, acompanha. Porque gosta do que est\u00e1 vendo. Seja marido, seja mulher, nota que o outro melhorou. Melhorou como pai ou m\u00e3e, melhorou como marido ou esposa, melhorou como amante, melhorou como companheiro, como amigo. Ent\u00e3o, em geral, ele ou ela acaba aceitando de bom grado e adotando a mesma filosofia de vida.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>No \u201c<em>Encontro com o Mestre<\/em>\u201d, o p\u00f3s-imberbe DeRose encontra-se com o DeRose j\u00e1 maduro, j\u00e1 consciente. O que \u00e9 que o Mestre j\u00e1 consciente diria hoje ao DeRose p\u00f3s-imberbe? Seria a mesma coisa que disse no livro? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Iria resultar no mesmo desencontro que eu expus no livro, porque ali era o autor com 58 anos, conversando com ele mesmo aos 18. Foi uma fic\u00e7\u00e3o, em que o DeRose de 18 anos aparece na vida do DeRose de 58. Ele, ent\u00e3o, discorda, discute, debate. Ele diz: &#8220;n\u00e3o pode ser assim; eu n\u00e3o concordo com isso; isto n\u00e3o pode ser&#8221;. E o di\u00e1logo entre os dois, entre o jovem idealista de 18 e o homem experiente de 58, pretende dar ao leitor um equil\u00edbrio entre as duas opini\u00f5es, porque muitos dos nossos leitores t\u00eam 18, 20, 25, 30, e outros t\u00eam 50, 60, 70, 80. S\u00e3o dois universos completamente diferentes e o livro procura casar esses dois universos, mostrando que ambos est\u00e3o corretos, que tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de perspectiva.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Os dois equilibram-se? S\u00e3o uma mesma coisa? S\u00e3o dois olhares sobre a mesma coisa? Ou um \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o sobre o outro? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Eu diria que, na verdade, os dois t\u00eam seus preconceitos, seus pr\u00e9-conceitos. Ambos discriminam e ambos procuram n\u00e3o discriminar. Ambos tentam n\u00e3o ter preconceitos e a\u00ed, o mais velho aprende com o mais novo, e o mais novo aprende com o mais velho. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>N\u00f3s tendemos a acrescentar na diferen\u00e7a. Normalmente as pessoas lidam muito mal com o que lhes \u00e9 diferente, defendem-se, rejeitam, oprimem, suprimem, em vez de somarem-se na diferen\u00e7a. <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Essas diferen\u00e7as s\u00e3o muito importantes. Se todos os meus amigos s\u00f3 me fizessem elogios, eu estaria cercado por bajuladores, como alguns monarcas no passado e alguns empres\u00e1rios hoje. O que eu vou aprender com isso? Vou estar errando e todos v\u00e3o dizer que estou acertando. N\u00e3o v\u00e3o me ajudar em nada. Mas quanto aos meus cr\u00edticos de plant\u00e3o, quando eu ainda nem tiver chegado a errar e eles j\u00e1 estar\u00e3o me apontando o dedo. Quem estar\u00e1 me ajudando mais? Quem estar\u00e1 me ajudando mais \u00e9 aquele que se considera inimigo, mas que, na verdade, \u00e9 mais eficiente do que os meus amigos ao promover o meu crescimento, porque me mostra o lado sombrio do que eu estou cometendo ou do que estou prestes a cometer. Ele aponta o erro e eu posso corrigi-lo. Sempre comparo o amigo e o inimigo a uma \u00e1rvore, em que as ra\u00edzes, que est\u00e3o nas trevas, que crescem para baixo, s\u00e3o os inimigos, porque est\u00e3o nas trevas, mas sem os quais a \u00e1rvore n\u00e3o fica em p\u00e9. A \u00e1rvore precisa das ra\u00edzes e os inimigos s\u00e3o as ra\u00edzes. J\u00e1 os amigos s\u00e3o as flores, s\u00e3o os frutos lindos, maravilhosos, mas sem as ra\u00edzes, n\u00e3o existiriam.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>O senhor, neste outro livro que acabou de ser lan\u00e7ado em Lisboa, d\u00e1 logo o exemplo at\u00e9 na dedicat\u00f3ria da obra, porque dedica n\u00e3o s\u00f3 a pessoas que o senhor admira pela luz&#8230; Pode nos falar um pouco disso? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">H\u00e1 pessoas que, \u00e0s vezes, por implic\u00e2ncia, at\u00e9 por n\u00e3o conhecerem bem o outro lado, a outra verdade, atacam, difamam, agridem, injuriam, excluem. Voc\u00ea pode se considerar um perseguido, injusti\u00e7ado, pode se considerar uma pessoa infeliz, pode ficar ressentido. Ou pode perceber, numa vis\u00e3o de grande angular, que aquilo ali foi extremamente importante e voc\u00ea pode ser grato \u00e0quelas pessoas. Mas com sinceridade. N\u00e3o adianta ser grato com hipocrisia. Obviamente, tem que ser uma atitude aut\u00eantica. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">O cristianismo s\u00f3 ficou conhecido porque foi perseguido, sen\u00e3o teria sido uma pequena seita judaica que teria desaparecido logo depois. Mas a persegui\u00e7\u00e3o deu visibilidade e, a partir da\u00ed, pessoas que concordavam com aquele ponto de vista, puderam conhec\u00ea-lo, fortalecer suas fileiras e fizeram com que se perenizasse.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Isso n\u00e3o \u00e9 o que n\u00f3s entendemos ou que a Sua Cultura descreve como ahims\u00e1? N\u00e3o \u00e9 o trocar o fel por mel, \u00e9 algo muito mais profundo? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Nossa Cultura prop\u00f5e um conceito de n\u00e3o-agress\u00e3o ativa e jamais passiva. Se voc\u00ea tiver maturidade e auto-estima, tem condi\u00e7\u00f5es de compreender que determinada pessoa est\u00e1 sendo agressiva porque ela tem medo. Uma pessoa \u00e9 agressiva quando teme. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Se aqui entrar a Jaya, que \u00e9 minha weimaraner, um c\u00e3o de grande porte, abanando o rabinho, n\u00f3s vamos dizer: &#8220;que bonitinha, vem c\u00e1, deixe-me fazer um carinho.&#8221; Mas, se entrar aqui, rosnando, mostrando os dentes, voc\u00ea logo diz: &#8220;tira esse bicho daqui sen\u00e3o eu dou uma pedrada nele.&#8221; Por que voc\u00ea ficou agressivo? Ficou agressivo porque sentiu medo. E assim \u00e9 em todas as situa\u00e7\u00f5es. Se voc\u00ea prestar aten\u00e7\u00e3o, analisar com imparcialidade, vai notar que, em todos os momentos nos quais uma pessoa ficou agressiva foi porque ela sentiu medo, sentiu-se amea\u00e7ada, entrou em defensiva. Algumas pessoas s\u00e3o assim o tempo todo porque o mundo lhes parece amea\u00e7ador.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Se algu\u00e9m lhe for agressivo, voc\u00ea pode, ou ter uma rea\u00e7\u00e3o imatura, que \u00e9: foi agressivo comigo, devolvo-lhe agressividade e meia. Ou pode ter uma rea\u00e7\u00e3o ponderada, de pessoa que tem elevada autoestima e que tem maturidade. Se foi agressivo comigo, eu tenho que compreender que voc\u00ea se sentiu agredido por mim, mas eu n\u00e3o tive a inten\u00e7\u00e3o de agredi-lo; voc\u00ea se sentiu amea\u00e7ado por mim, mas eu n\u00e3o tive a inten\u00e7\u00e3o de amea\u00e7\u00e1-lo; voc\u00ea talvez tenha tido um p\u00e9ssimo dia; talvez tenha um p\u00e9ssimo casamento; n\u00e3o sei, talvez tenha dificuldades, problemas na sua vida. E eu vou devolver mais agressividade? Isso n\u00e3o vai me ajudar. N\u00e3o vai ajudar a nossa rela\u00e7\u00e3o, quer seja uma rela\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios, se for uma rela\u00e7\u00e3o de amizade, n\u00e3o importa o qu\u00ea. Devolver agressividade \u00e9 tentar combater o \u00f3dio com mais \u00f3dio. Tentar combater fogo com gasolina. Essa atitude n\u00e3o ajuda. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Eu gostei muito da sua frase &#8220;devolver fel com mel&#8221;. \u00c9 interessante, \u00e9 mais ou menos isso. Porque se a pessoa agrediu e voc\u00ea lhe retribui com um sorriso, um sorriso sincero, aquela agressividade se reduz. Reduz-se drasticamente. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Lembro-me de uma situa\u00e7\u00e3o em que houve encontro de duas linhas filos\u00f3ficas de nomes quase id\u00eanticos, mas que s\u00e3o antag\u00f4nicas. Nesse encontro, entre as duas filosofias, uma senhora, professora da outra linha veio caminhando na minha dire\u00e7\u00e3o, com o dedo em riste e disse: \u201cDeRose, voc\u00ea isso, voc\u00ea aquilo!\u201d E come\u00e7ou a me insultar em altos brados, com a inten\u00e7\u00e3o assumida de que todos escutassem. Imagine a cena kafkiana: ela era professora de uma filosofia que prega o equil\u00edbrio, a n\u00e3o-agress\u00e3o e o autocontrole, insultando e agredindo outro professor, s\u00f3 por ser linha diferente! Todos pararam para ver qual seria a minha rea\u00e7\u00e3o. &#8220;Ser\u00e1 que tudo isso que ele diz, afinal \u00e9 mentira? Como ser\u00e1 que ele vai reagir? Ele vai dizer umas boas a essa senhora? Vai gritar com ela? Talvez agredi-la? Vai virar-lhe as costas e sair andando como um mal educado? Ou vai ficar parado ouvindo, passivamente, deixando que ela agrida, fale, fale, fale, insulte, insulte, insulte? Qual ser\u00e1 a rea\u00e7\u00e3o?&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">A rea\u00e7\u00e3o foi: agarrei a senhora, abracei-a fortemente e quando eu a soltei, ela j\u00e1 n\u00e3o tinha mais agress\u00e3o alguma, n\u00e3o tinha insulto algum para dizer. Quando eu a soltei, ela olhou para mim e disse: \u201cAh! DeRose, voc\u00ea, hein?\u201d Pronto, tirou o fel com o mel do abra\u00e7o, sem dar a outra face, sem ficar passivamente escutando as agress\u00f5es dela e sem devolver as agress\u00f5es o que, afinal, n\u00e3o ajudaria nada a minha rela\u00e7\u00e3o com ela, n\u00e3o ajudaria nada minha imagem com os outros que estavam assistindo. E tamb\u00e9m n\u00e3o me ajudaria comigo mesmo, porque naquela noite eu n\u00e3o teria dormido t\u00e3o bem.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Isso pressup\u00f5e o tal indiv\u00edduo que a Sua Cultura, o M\u00e9todo DeRose, pretende esculpir, do tal indiv\u00edduo l\u00facido, que se apercebe de uma forma como quem v\u00ea um filme o que est\u00e1 a acontecer\u00a0\u00e0 sua volta, e reage de uma forma atuante, consciente e l\u00facida, e n\u00e3o de uma forma prim\u00e1ria. <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Exatamente. Vamos trazer isso para a realidade de um casal, de um casamento, enfim, qualquer relacionamento afetivo. Em um casal, ambos sabem exatamente qual \u00e9 a fisionomia, qual \u00e9 o tom de voz e qual \u00e9 a frase que irrita o outro. Sabem perfeitamente, pois vivem juntos. E num conflito de casal se este disse aquela palavra ou fez aquela cara, o outro sabe exatamente qual \u00e9 a fisionomia, qual \u00e9 o tom de voz e qual \u00e9 a palavra que vai agrad\u00e1-lo, que vai atenuar aquela situa\u00e7\u00e3o. Mas por que n\u00e3o diz? &#8220;Porque eu n\u00e3o vou me dobrar, n\u00e3o vou ceder, sen\u00e3o o outro pisa em mim.&#8221; <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Depende da sua atitude, ao dar essa palavra para interromper o conflito conjugal que pode surgir ali. E depois estabelecer limites. Se essa rela\u00e7\u00e3o pode ser mantida, ela vai ser mantida com respeito, com considera\u00e7\u00e3o, com carinho, com companheirismo. Se n\u00e3o puder ser mantida, \u00e9 uma pena. Porque toda rela\u00e7\u00e3o que se rompe tem um custo emocional muito caro, um custo sobre a sa\u00fade muito alto. Mas, paci\u00eancia. H\u00e1 um momento m\u00e1gico em que as rela\u00e7\u00f5es precisam mesmo terminar porque, nesse caso, os protagonistas terminam o relacionamento como amigos. E se ultrapassar o momento m\u00e1gico e as pessoas insistirem que t\u00eam de permanecer juntas, talvez na hora em que mudarem o <\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">status quo<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\">, rompam como inimigos, com ressentimentos. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">\u00c0s vezes, \u00e9 apenas a quest\u00e3o de &#8220;hoje eu cedo e amanh\u00e3 a outra pessoa vai ceder&#8221;. Porque h\u00e1 uma reciprocidade natural entre os seres humanos. Quando voc\u00ea tem uma atitude cavalheiresca, uma atitude fidalga com rela\u00e7\u00e3o a uma pessoa, mesmo que \u00edntima, mesmo que seja um irm\u00e3o, mesmo que seja um c\u00f4njuge, a tend\u00eancia \u00e9 que o outro reaja de uma forma semelhante numa circunst\u00e2ncia imediata ou futura. Certa vez, um amigo meu estava dirigindo e conduzia muito mal. Fez uma convers\u00e3o p\u00e9ssima e o outro motorista quase abalroou o carro dele, p\u00f4s a cabe\u00e7a para fora e j\u00e1 ia dizer uns improp\u00e9rios. Esse meu amigo abriu-lhe um sorriso muito simp\u00e1tico, como quem diz: desculpe, eu errei. O outro motorista botou a cabe\u00e7a para dentro e disse: &#8220;vai, meu filho, vai!&#8221; E n\u00e3o deu briga. O que evitou o confronto? Foi s\u00f3 um sorriso.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>A import\u00e2ncia do indiv\u00edduo mais consciente, mais l\u00facido, mais atuante a todos os n\u00edveis. \u00c9 isso que a Sua Cultura quer relan\u00e7ar dentro da sociedade? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Precisamente. A tend\u00eancia \u00e9 colocar um r\u00f3tulo nessa Cultura. Eu prefiro chamar de Nossa Cultura ou Nosso Sistema, Nossa Filosofia, evitando colocar r\u00f3tulo. Por qu\u00ea? Porque na hora em que as pessoas colocam r\u00f3tulos, elas engessam a coisa. E a\u00ed come\u00e7am todas as intoler\u00e2ncias, at\u00e9 com rela\u00e7\u00e3o a quem est\u00e1 fora. Uma das confus\u00f5es que eu procuro corrigir, uma das vis\u00f5es distorcidas, \u00e9 que a pessoa pratique o M\u00e9todo dentro da sala de aula na qual ela o aprende. S\u00f3 que ali \u00e9 para aprender, n\u00e3o \u00e9 para praticar. \u00c9 para p\u00f4r em pr\u00e1tica na vida real. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Por exemplo, se dentro de uma sala de classe, n\u00f3s ensinamos a respirar corretamente, na hora em que a pessoa sai por aquela porta e vai embora, ela n\u00e3o h\u00e1 de sair respirando errado. Caso contr\u00e1rio, n\u00e3o ter\u00e1 adiantado nada. Ela aprendeu a respirar certo aqui dentro, agora deve sair respirando certo e ir caminhando at\u00e9 ao seu carro respirando certo, deve sentar-se e conduzir o ve\u00edculo, respirando corretamente. Chega ao seu escrit\u00f3rio e vai trabalhar, ou chega ao seu gin\u00e1sio e vai fazer esporte, respirando corretamente. Vai respirar corretamente, de forma mais produtiva, sempre, porque foi isso que aprendeu aqui. Eu usei como exemplo a respira\u00e7\u00e3o, contudo, poderia utilizar qualquer outra t\u00e9cnica para ilustrar. Esse conjunto de t\u00e9cnicas e conceitos que o praticante aprende na nossa institui\u00e7\u00e3o, ele deve aplicar em todas as situa\u00e7\u00f5es da vida. Isso \u00e9 o que n\u00f3s tentamos explicar, tentamos expor. Que o nosso aluno vai transmitir isso, vai irradiar isso, para toda a sociedade, porque ele vai irradiar para a fam\u00edlia, vai irradiar aos amigos, vai reverberar aos seus colegas de trabalho. Ent\u00e3o, aquilo vai criando ondas de choque e nossa proposta acaba por contagiar de uma forma positiva todas as pessoas que travam contato com o nosso praticante.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Se o Carl Sagan dizia que a sociedade corrompe o indiv\u00edduo, esse efeito impregnador tamb\u00e9m pode funcionar, e deve, e o senhor pretende que funcione em sentido contr\u00e1rio? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Sabemos que a sociedade influencia o indiv\u00edduo. No entanto, o indiv\u00edduo tamb\u00e9m influencia a sociedade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Se o senhor escrevesse agora n\u00e3o o \u201c<em>Eu me lembro<\/em>\u201d, mas o \u201c<em>Eu sonho<\/em>\u201d, que sonho \u00e9 que se escreveria? <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Na verdade, no \u201c<\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">Eu me lembro<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\">\u201d eu n\u00e3o conseguiria acrescentar mais nada, porque aquele livro me saiu numa arrancada s\u00f3. \u00c0s sete da noite eu comecei a escrever. \u00c0s sete da manh\u00e3, fui descansar. E pronto, estava terminado. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>E o \u201c<em>Eu sonho<\/em>\u201d, o que \u00e9 que tinha l\u00e1 dentro? <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">N\u00e3o sei. H\u00e1 muita coisa! Eu tenho muitos sonhos! <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span>Mas v\u00ea, com certeza. N\u00f3s sonhamos que os nossos filhos cres\u00e7am num mundo, numa determinada dire\u00e7\u00e3o. E n\u00f3s configuramos qual \u00e9 essa dire\u00e7\u00e3o. O senhor n\u00e3o \u201chipotecou\u201d, n\u00e3o investiu 50 anos de investiga\u00e7\u00e3o, em procura de saberes, sem sentir dentro de si onde \u00e9 que queria chegar? Onde \u00e9 que quer chegar? <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Eu gostaria de chegar a um ponto em que as pessoas, minimamente, escutassem o que n\u00f3s temos a dizer. Que nos permitissem falar. Que n\u00e3o nos amorda\u00e7assem. N\u00f3s temos coisas muito boas para dizer, n\u00e3o propondo um debate, mas propondo uma reflex\u00e3o. O que ocorre \u00e9 que os que n\u00e3o gostam do sistema, ou pensam que n\u00e3o gostam, n\u00e3o escutaram. Eles n\u00e3o conversaram comigo, n\u00e3o conversaram conosco, n\u00e3o conheceram a nossa gente, n\u00e3o leram nossos livros. O meu sonho seria poder arrancar essa morda\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Eu me sinto sob aquela puni\u00e7\u00e3o antiga, puni\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica, denominada sil\u00eancio obsequioso. &#8220;Disse o que n\u00e3o devia, n\u00e3o falar\u00e1 mais.&#8221; N\u00e3o querem que eu fale. Mas voc\u00ea observa que o que eu digo n\u00e3o \u00e9 pol\u00eamico. N\u00e3o considero pol\u00eamico, porque n\u00f3s n\u00e3o estamos polemizando, n\u00f3s n\u00e3o estamos discordando dos outros. N\u00e3o \u00e9 agressivo, acho que n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o tenho inten\u00e7\u00e3o de que seja. N\u00e3o quero agredir ningu\u00e9m. E a proposta \u00e9 boa, a proposta de boas rela\u00e7\u00f5es humanas, boas maneiras, boa sa\u00fade, boa qualidade de vida, boa cultura, bons h\u00e1bitos. N\u00f3s trabalhamos essencialmente com adultos jovens. Portanto, ao produzir uma juventude saud\u00e1vel, longe das drogas, do \u00e1lcool e do fumo, se mais nada prestasse no nosso trabalho, pelo menos isso seria uma contribui\u00e7\u00e3o a ser reconhecida. Contribui\u00e7\u00e3o essa que o nosso trabalho j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 meio s\u00e9culo proporcionando \u00e0 sociedade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Para n\u00f3s que de fora visitamos a Sua Cultura, vamos fazer um exerc\u00edcio de <\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">flash<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\">. A sua vis\u00e3o ou a sua miss\u00e3o aponta para onde? Onde \u00e9 o horizonte que configura para esta sua passagem pela vida? <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: normal;\">Eu tenho conhecido gente muito interessante, realmente exemplos de seres humanos. Pessoas com quem eu tenho o privil\u00e9gio de conviver. Algumas h\u00e1 mais de 30 anos, outras h\u00e1 mais de 20 anos, outras que eu estou conhecendo agora, como \u00e9 o seu caso, e que para mim constitui um privil\u00e9gio. Essa profiss\u00e3o nossa, esse nosso ideal, nos permite isso: conhecer pessoas. N\u00f3s n\u00e3o somos <\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">head hunters<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\">, n\u00f3s somos <\/span><em><span style=\"font-weight: normal;\">heart hunters<\/span><\/em><span style=\"font-weight: normal;\">. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span>Obrigado!<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p><strong><!--EndFragment--><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><!--EndFragment--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista concedida ao jornalista Ant\u00f3nio Mateus, no Pal\u00e1cio Pestana, em Lisboa, no ano de 2009, transcrita por Alexandre Montagna e simultaneamente por Renata Coura e Maicon Casagrande, com a colabora\u00e7\u00e3o de Caio Martareli,\u2028Priscila Ramos, Raffa Loffredo, Taline Mendes, R\u00f4mulo \u2028Justa e Alessandra Filippini. Revis\u00f5es sucessivas feitas por Fernanda Neis, Alessandra Roldan, DeRose e Camacho. \u00a0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[135,83],"tags":[119,180,239,464,238],"class_list":["post-4795","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-imprensa","tag-blog-do-derose","tag-entrevista","tag-metodo-derose","tag-uni-yoga-swasthya","tag-yoga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4795"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4795\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}