
































































































{"id":7283,"date":"2012-07-14T04:12:51","date_gmt":"2012-07-14T07:12:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.uni-yoga.org\/blogdoderose\/?p=7283"},"modified":"2012-07-07T01:58:27","modified_gmt":"2012-07-07T04:58:27","slug":"manual-de-civilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/a-bem-da-justica-e-da-verdade\/manual-de-civilidade\/","title":{"rendered":"Manual de Civilidade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Civilidade, o que \u00e9 isso?<\/strong><\/p>\n<p>O que vem a ser &#8220;civilidade&#8221;? O Dicion\u00e1rio Houaiss nos diz que \u00e9 &#8220;um conjunto de formalidades, de palavras e atos que os cidad\u00e3os adotam entre si para demonstrar m\u00fatuo respeito e considera\u00e7\u00e3o, boas maneiras, cortesia.&#8221; Como sin\u00f4nimo nos oferece a palavra &#8220;delicadeza&#8221;.<\/p>\n<p>Eu tiraria formalidades e colocaria atitudes, j\u00e1 que a civilidade precisa ser t\u00e3o legitimamente incorporada que n\u00e3o deve depender de formalidades. Defendo que a civilidade \u00e9 aut\u00eantica quando exercida at\u00e9 com seus amigos \u00edntimos, com seus familiares e com seu parceiro afetivo.<\/p>\n<p><strong>Cordialidade<\/strong><\/p>\n<p>Cordialidade prov\u00e9m do latim <em>cordis<\/em>, cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 algo que fazemos de cora\u00e7\u00e3o, com afeto, com amor. Expressar cordialidade como um estilo de vida, al\u00e9m de ser uma postura linda perante a vida, perante o mundo, faz bem a n\u00f3s mesmos. No passado, havia inclusive rem\u00e9dios que eram denominados <em>cordiais<\/em>, porque faziam bem ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De fato, voc\u00ea fica com uma sensa\u00e7\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o mais leve quando manifesta uma atitude bonita, am\u00e1vel, seja l\u00e1 com quem for. Isso nos demonstra que o maior beneficiado n\u00e3o \u00e9 o outro que foi alvo da nossa gentileza e sim n\u00f3s mesmos, em primeiro lugar.<\/p>\n<p>A civilidade abre portas, facilita os tr\u00e2mites sociais, culturais e at\u00e9 mesmo os burocr\u00e1ticos. Um aluno cordial cativa seus professores que facilitar\u00e3o sua vida escolar. Um funcion\u00e1rio gentil azeita as rela\u00e7\u00f5es com clientes, com colegas e com superiores. Um cliente simp\u00e1tico consegue mais boa vontade e, \u00e0s vezes, at\u00e9 um desconto por parte do vendedor. Um vendedor atencioso vende mais, ganha mais dinheiro. Um morador simp\u00e1tico consegue exce\u00e7\u00f5es maravilhosas do porteiro do seu pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>A civilidade, a cordialidade s\u00e3o muito f\u00e1ceis quando o outro j\u00e1 est\u00e1 sendo am\u00e1vel. Mas, e quando o outro est\u00e1 sendo grosseiro e agressivo? Bem, a\u00ed \u00e9 preciso que sua civilidade seja muito aut\u00eantica e que voc\u00ea tenha assumido o compromisso perante si pr\u00f3prio de ser cordial em qualquer situa\u00e7\u00e3o, com qualquer pessoa, haja o que houver.<\/p>\n<p>Certa vez, a vizinha apresentou uma reclama\u00e7\u00e3o por escrito contra uma instrutora do nosso M\u00e9todo que morava no apartamento de cima. Reclamava que\u00a0 a moradora de cima chegava tarde, andava de salto alto e ouvia m\u00fasica muito alta. Fora uma reclama\u00e7\u00e3o injusta. Na \u00e9poca, Virg\u00ednia nem usava salto alto. E sempre foi uma jovem suave, de modos sutis. O impulso da indigna\u00e7\u00e3o era escrever uma carta veemente que rebatesse as reclama\u00e7\u00f5es daquela senhora. A vontade de qualquer pessoa seria a de lhe dizer umas verdades e criar um confronto. Mas, como Virg\u00ednia \u00e9 instrutora do M\u00e9todo DeRose, orientei-a a escrever esta carta:<\/p>\n<p>&#8220;Prezada Sra. Rosa Maria.<\/p>\n<p>Fiquei ciente de que, involuntariamente, perturbei o seu sossego. Pe\u00e7o que me desculpe, pois tenho plena consci\u00eancia de que a minha liberdade termina onde come\u00e7a a do meu vizinho. Lamentavelmente, as paredes e lajes do nosso pr\u00e9dio s\u00e3o muito finas e o m\u00ednimo ru\u00eddo produzido num apartamento perturba os que est\u00e3o em baixo e em volta.<\/p>\n<p>Procuro ouvir minhas m\u00fasicas em volume baixo e sempre que posso caminho descal\u00e7a quando estou em casa. Mesmo assim, soube que o som tem atrapalhado o seu descanso.<\/p>\n<p>J\u00e1 providenciei um tapete para ver se assim os ru\u00eddos do meu apartamento n\u00e3o reverberam mais no seu e vou tentar escutar minhas m\u00fasicas ainda mais baixo. Caso essas medidas n\u00e3o sejam suficientes, por favor, me informe para que eu veja que outros cuidados preciso adotar para n\u00e3o incomod\u00e1-la.<\/p>\n<p>Quanto a chegar tarde em casa, eu preciso trabalhar at\u00e9 tarde e como n\u00e3o tenho computador em casa preciso usar o do escrit\u00f3rio da Universidade onde trabalho, a fim de que na manh\u00e3 seguinte minhas tarefas estejam em dia. Mas procurarei entrar em casa o mais silenciosamente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Obrigada pela sua compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Virg\u00ednia Barbosa<br \/>\nApartamento 75<br \/>\nTel. xxxx-xxxx&#8221;<\/p>\n<p>Como resultado dessa cartinha, a moradora retirou a queixa contra a vizinha, elogiou-a perante todos os cond\u00f4minos e at\u00e9 eu recebi elogios por nossa instrutora ser t\u00e3o educada.<\/p>\n<p>No mesmo pr\u00e9dio, uma vizinha reclamou da moradora ao lado que, por acaso era outra instrutora da nossa Cultura. A reclama\u00e7\u00e3o era absurda, pois aludia a barulho que faziam as amigas recebidas altas horas da noite pela Mariana. Acontece que a Mariana n\u00e3o recebia ningu\u00e9m na sua casa, nem de noite, nem de dia, pois trabalhava muito o dia todo e \u00e0 noite chegava e ca\u00eda na cama, de cansada, e dormia.<\/p>\n<p>Mais uma oportunidade de alimentar conflitos ou de cultivar as boas rela\u00e7\u00f5es humanas. Aconselhei Mariana que escreveu a seguinte carta:<\/p>\n<p>&#8220;Estimada vizinha Vivian.<\/p>\n<p>Acabo de receber o seu e-mail que foi enviado ao s\u00edndico, sobre alguns probleminhas que est\u00e3o ocorrendo no nosso andar.<\/p>\n<p>Lamento que ao abrir a porta eu tenha feito muito barulho. N\u00e3o percebi, mas \u00e9 poss\u00edvel que assim tenha sido por falta de cuidado da minha parte. Vou prestar mais aten\u00e7\u00e3o das pr\u00f3ximas vezes.<\/p>\n<p>Sobre eu chegar de madrugada com uma amiga falando alto, isso pode ter ocorrido no m\u00e1ximo uma vez, h\u00e1 muito tempo. Moro sozinha e n\u00e3o recebo amigos ou amigas em casa, pelo simples motivo de que trabalho na escola at\u00e9 tarde e n\u00e3o me sobra tempo para atividades sociais em minha resid\u00eancia. Imagino que possa ter sido outra pessoa e sugiro que, para tirarmos a d\u00favida, da pr\u00f3xima vez que isso ocorrer, a prezada vizinha observe pelo olho m\u00e1gico ou mesmo abra a porta para flagrar quem est\u00e1 entrando com a amiga de madrugada, falando alto.<\/p>\n<p>De qualquer forma, estou ao seu inteiro dispor para conversarmos e buscarmos juntas as solu\u00e7\u00f5es que satisfa\u00e7am a todos n\u00f3s que precisamos compartilhar um espa\u00e7o t\u00e3o pequeno.<\/p>\n<p>Cordialmente,<\/p>\n<p>Mariana Rodrigues&#8221;<\/p>\n<p>Mas o pr\u00e9dio \u00e9 mesmo problem\u00e1tico. A v\u00edtima seguinte fui eu mesmo, com reclama\u00e7\u00f5es descabidas sobre a minha cadela Jaya que \u00e9 extremamente educada. Argumentava o s\u00edndico que alguns cond\u00f4minos reclamaram por que ela estava solta e eles tinham medo. E porque cachorro tem que descer pelo elevador de servi\u00e7o e sair pela garagem. E que nossos c\u00e3es (dos moradores que tinham cachorros) n\u00e3o poderiam circular nem brincar nas \u00e1reas comuns do t\u00e9rreo. E mais uma por\u00e7\u00e3o de implic\u00e2ncias. Agora era a minha vez de escrever uma cartinha de acordo com os nossos princ\u00edpios de cordialidade e concilia\u00e7\u00e3o. Enviei esta carta a todos os moradores:<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Estimado Vizinho.<\/p>\n<p>Sou o propriet\u00e1rio do apartamento 71. Recentemente, nosso S\u00edndico teve uma am\u00e1vel conversa comigo a respeito da minha cachorrinha Jaya (que de cachorrinha s\u00f3 tem o carinho que sinto por ela, pois \u00e9 meio grandalhona) e do Fred, o labrador preto de propriedade da moradora Sra. Regina.<\/p>\n<p>O s\u00edndico me informou que, \u00e0s vezes, eles correm e sujam o ch\u00e3o com as patas cheias de terra e que alguns moradores t\u00eam medo deles, n\u00e3o por ser bravos \u2013 pois eles s\u00e3o bem mansos e queridos \u2013 mas pelo seu tamanho, uma vez que poderiam trombar com algum cond\u00f4mino mais idoso. Ele est\u00e1 com a raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso,\u00a0 por uma quest\u00e3o de civilidade e boa vizinhan\u00e7a, quero encontrar uma solu\u00e7\u00e3o que o deixe satisfeito e que agrade aos demais moradores sem, com isso, prejudicar os que tem c\u00e3es.<\/p>\n<p>Como parte da solu\u00e7\u00e3o, propus instalar, por minha conta, uma cerca que proteja o canteiro de flores para que elas n\u00e3o sejam pisoteadas pelos nossos amiguinhos de quatro patas.<\/p>\n<p>Propus, tamb\u00e9m, que a parte de tr\u00e1s, que d\u00e1 para a Av. Rebou\u00e7as, seja isolada e que nossos c\u00e3es possam se exercitar e brincar sem perturbar os demais moradores.<\/p>\n<p>Caso o estimado Vizinho tenha alguma opini\u00e3o ou sugest\u00e3o a respeito, eu agradeceria se tivesse a bondade de me escrever ou contactar, para que pud\u00e9ssemos avaliar e ponderar uma solu\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n<p>Com toda a boa vontade do<\/p>\n<p>DeRose&#8221;<\/p>\n<p>Bem, nem sempre a gentileza funciona. Nesse caso, n\u00e3o adiantou nada quanto aos c\u00e3es. Mas tenho a certeza de que contribuiu bastante para a nossa\u00a0 boa imagem junto aos vizinhos. E isso \u00e9 sempre muito importante.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Civilidade, o que \u00e9 isso? O que vem a ser &#8220;civilidade&#8221;? O Dicion\u00e1rio Houaiss nos diz que \u00e9 &#8220;um conjunto de formalidades, de palavras e atos que os cidad\u00e3os adotam entre si para demonstrar m\u00fatuo respeito e considera\u00e7\u00e3o, boas maneiras, cortesia.&#8221; Como sin\u00f4nimo nos oferece a palavra &#8220;delicadeza&#8221;. Eu tiraria formalidades e colocaria atitudes, j\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[77,250],"tags":[61,902,119,484,151,268,26,58,422,39,239,269,82,86,249,238],"class_list":["post-7283","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-a-bem-da-justica-e-da-verdade","category-filosofia","tag-afeto","tag-atitude","tag-blog-do-derose","tag-boas-maneiras","tag-civilidade","tag-compartilhar","tag-cultura","tag-derose","tag-estilo-de-vida","tag-metodo","tag-metodo-derose","tag-om","tag-respeito","tag-swasthya","tag-uni-yoga","tag-yoga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7283"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7283\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}