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A arte de combinar sons em uma perfeita equa\u00e7\u00e3o mel\u00f3dica que torna o texto uma escultura sonora, vibrante, capaz de conduzir um leitor \u00e0s l\u00e1grimas ou \u00e0s gargalhadas, capaz de levar uma pessoa a dar sua vida por um ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, alguns fen\u00f4menos est\u00e3o ocorrendo na Terra de Santa Cruz. L\u00e1, por omiss\u00e3o dos linguistas e das autoridades, foi institucionalizado por certos ve\u00edculos de circula\u00e7\u00e3o nacional que n\u00e3o devemos mais respeitar a concord\u00e2ncia dos plurais. &#8220;\u00c9 para obter identifica\u00e7\u00e3o com o povo.&#8221; &#8211; justificam-se os respons\u00e1veis. Veja o caso da tradu\u00e7\u00e3o dos textos em que no original conste &#8220;eleven Oscar<span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>s<\/strong><\/span>&#8221; e inevitavelmente o tradutor brasileiro traduz &#8220;onze Oscar&#8221;. Assim tamb\u00e9m fazem com os sobrenomes. O mais chocante foi o filme intitulado &#8220;Did You Hear About the Morgan<span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>s<\/strong><\/span>?&#8221; e traduzido &#8220;Cad\u00ea os Morgan?&#8221; Por que n\u00e3o respeitam o \u00f3bvio plural? Que o pov\u00e3o fale mal, paci\u00eancia, n\u00e3o se pode fazer nada. Mas que tradutores e \u00f3rg\u00e3os de Imprensa tenham por norma ignorar os plurais \u00e9 algo incompreens\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, encontrei um aliado que execra a ortografia portuguesa sem \u00edpsilon:<br \/>\n&#8220;Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das id\u00e9as nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons s\u00e3o cores ideaes &#8211; tudo isso me toldou de instincto como uma grande emo\u00e7\u00e3o politica. [ &#8230; ]<br \/>\nN\u00e3o tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, por\u00e9m, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria \u00e9 a lingua portuguesa. [ &#8230; ] Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, [ &#8230; ] a pagina mal escripta, como pessoa pr\u00f3pria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem \u00edpsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.&#8221; Fernando Pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na outra extremidade, encontra-se o inomin\u00e1vel, o inacredit\u00e1vel, um outro universo paralelo em que os cidad\u00e3os n\u00e3o t\u00eam a m\u00ednima no\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria l\u00edngua. Todos j\u00e1 conhecem mas vale a pena assistir outra vez. Procure no Google &#8220;As \u00e1rveres somos nozes&#8221; (digite extamente desta forma).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa l\u00edngua \u00e9 o que possu\u00edmos de mais precioso. 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