
































































































{"id":8169,"date":"2009-09-24T21:09:30","date_gmt":"2009-09-25T00:09:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.uni-yoga.org\/blogdoderose\/?p=8169"},"modified":"2010-09-24T21:18:28","modified_gmt":"2010-09-25T00:18:28","slug":"yoga-yoga-yoga-ioga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/livros\/yoga-yoga-yoga-ioga\/","title":{"rendered":"Y\u00f4ga, Yoga, Y\u00f3ga, ioga"},"content":{"rendered":"<p><strong>O que \u00e9 o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga?<\/strong><\/p>\n<p><strong>(Extrato de um cap\u00edtulo do livro Tratado de Y\u00f4ga)<\/strong><\/p>\n<p>Certa vez um famoso bailarino improvisou alguns movimentos instintivos, por\u00e9m, extremamente sofisticados gra\u00e7as ao seu virtuosismo e, por isso mesmo, lind\u00edssimos. Essa linguagem corporal n\u00e3o era propriamente um ballet, mas, inegavelmente, havia sido inspirada na dan\u00e7a.<\/p>\n<p>A arrebatadora beleza da t\u00e9cnica emocionava a quantos assistiam \u00e0 sua expressividade e as pessoas pediam que o bailarino lhes ensinasse sua arte. Ele assim o fez. No in\u00edcio, o m\u00e9todo n\u00e3o tinha nome. Era algo espont\u00e2neo, que vinha de dentro, e s\u00f3 encontrava eco no cora\u00e7\u00e3o da\u00adqueles que tamb\u00e9m haviam nascido com o galard\u00e3o de uma sensibili\u00addade mais apurada.<\/p>\n<p>Os anos foram-se passando e o grande bailarino conseguiu transmitir boa parte do seu conhecimento. At\u00e9 que um dia, muito tempo depois, o Mestre passou para os planos invis\u00edveis. Sua arte, no entanto, n\u00e3o morreu. Os disc\u00edpulos mais leais preservaram-na intacta e assumiram a miss\u00e3o de retransmiti-la. Os pupilos dessa nova gera\u00e7\u00e3o compreenderam a import\u00e2ncia de tornar-se tamb\u00e9m instrutores e de n\u00e3o modificar, n\u00e3o alterar nada do ensinamento genial do primeiro Mentor.<\/p>\n<p>Em algum momento na Hist\u00f3ria essa arte ganhou o nome de <strong><em>integri\u00addade, integra\u00e7\u00e3o, uni\u00e3o<\/em><\/strong>: em s\u00e2nscrito, <strong>Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga<\/strong>! Seu fundador ingressou na mitologia com o nome de Shiva e com o t\u00edtulo de Natar<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>ja, Rei dos Bailarinos.<\/p>\n<p>Esses fatos ocorreram h\u00e1 mais de 5000 anos a Noroeste da \u00cdndia, no Vale do Indo, que era habitado pelo povo dr\u00e1vida. Portanto, vamos estudar as origens do Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga nessa \u00e9poca e localizar sua proposta original para podermos identificar um ensinamento aut\u00eantico e distingui-lo de outros que estejam comprometidos pelo consumismo ou pela inter\u00adfer\u00eancia de modalidades alien\u00edgenas e incompat\u00edveis.<\/p>\n<p>Tanto o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga, quanto o T<span style=\"text-decoration: underline;\">a<\/span>ntra e o S<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>mkhya<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> foram desenvolvidos por esse povo admir\u00e1vel. Sua civiliza\u00e7\u00e3o, uma das mais avan\u00e7adas da anti\u00adguidade, ficou perdida e soterrada durante milhares de anos, at\u00e9 que os arque\u00f3logos do final do s\u00e9culo xix encontraram evid\u00eancias da sua exist\u00eancia e escavaram dois importantes s\u00edtios arqueol\u00f3gicos onde descobriram respectivamente as cidades de Harapp\u00e1 e Mohenjo-Daro. Depois, foram surgindo outros e outros. Hoje j\u00e1 s\u00e3o milhares de s\u00edtios, distribu\u00eddos por uma \u00e1rea maior que o Egito e a Mesopot\u00e2mia.<\/p>\n<p>Ficaram impressionados com o que encontraram. Cidades com urba\u00adnismo planejado. Ao inv\u00e9s de ruelas tortuosas, largas avenidas de at\u00e9 14 metros de largura, cortando a cidade no sentido Norte-Sul e Leste-Oeste. Entre elas, ruas de pedestres, nas quais n\u00e3o passavam carros de boi. Nessas, as casas da classe m\u00e9dia tinham dois andares, \u00e1trio interno, instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias dentro de casa, \u00e1gua corrente! N\u00e3o se esque\u00e7a de que estamos falando de uma civiliza\u00e7\u00e3o que floresceu 3000 anos antes de Cristo.<\/p>\n<p>N\u00e3o era s\u00f3 isso. Ilumina\u00e7\u00e3o nas ruas e esgotos cobertos, brinquedos de crian\u00e7as em que os carros tinham rodas que giravam, a cabe\u00e7a dos bois articulada, bonecas com cabelos implantados, imponentes celeiros que possu\u00edam um engenhoso sistema de ventila\u00e7\u00e3o, e plataformas elevadas para facilitar a carga e descarga das carro\u00e7as.<\/p>\n<p>Noutras culturas do mesmo per\u00edodo, as constru\u00e7\u00f5es dos soberanos apresentavam opulentos pal\u00e1cios e majestosos t\u00famulos reais, enquanto o povo subsistia em choupanas insalubres. Na cultura drav\u00eddica, ao contr\u00e1rio, o povo vivia bem e a arquitetura da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica era despojada.<\/p>\n<p>Outra curiosidade foi expressada por Gaston Courtillier em seu livro <em>Antigas Civiliza\u00e7\u00f5es<\/em>, Editions Ferni, p\u00e1gina 24, quando declarou: \u201cFicamos verdadeiramente admirados de, nesses tempos profundamente religiosos, n\u00e3o encontrarmos templos ou vest\u00edgios da estatu\u00e1ria que os povoaria, como foi regra noutros lugares durante toda a antiguidade, nem sequer estatuetas de adoradores em atitude de ora\u00e7\u00e3o diante de sua divindade\u201d. Para n\u00f3s isso faz sentido, afinal, sabemos que na \u00cdndia Antiga, o S<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>mkhya teve seu momento de esplendor. E na \u00cdndia pr\u00e9-cl\u00e1ssica, a variedade Nir<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00ed<\/span>shwaras<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>mkhya, foi ainda mais fortemente naturalista que o S<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>mkhya Cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p>Sua sociedade foi identificada como matriarcal, o que tamb\u00e9m est\u00e1 coerente com as nossas fontes, segundo as quais o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga surgiu numa cultura t\u00e2ntrica.<\/p>\n<p>Cavando mais, os arque\u00f3logos descobriram outra cidade sob os escombros da primeira. Para sua surpresa, mais abaixo, outra cidade, bem mais antiga. Cavaram mais e encontraram outra cidade embaixo dessa. E mais outra. E outra mais. O que chamava a aten\u00e7\u00e3o era o fato de que, quanto mais profundamente cavavam, mais avan\u00e7ada era sua tecnologia, tanto de arquitetura quanto de utens\u00edlios. At\u00e9 que deram com um len\u00e7ol d\u2019\u00e1gua e precisaram parar de cavar mais fundo. O que nos perguntamos \u00e9: quantas outras cidades haveria l\u00e1 por baixo e qu\u00e3o mais evolu\u00eddas seriam elas?<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Bem, foi nessa civiliza\u00e7\u00e3o que o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga surgiu. Uma civiliza\u00e7\u00e3o t\u00e2ntrica (matriarcal) e s<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>mkhya (naturalista).<\/p>\n<p>Cerca de mil e quinhentos anos depois, a Civiliza\u00e7\u00e3o do Vale do Indo foi invadida por um povo sub-b\u00e1rbaro proveniente da Europa Central, os <span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>ryas ou arianos. Consta, na Hist\u00f3ria atual, que estes subjugaram os dr\u00e1vidas, destru\u00edram sua civiliza\u00e7\u00e3o, absorveram parte da sua cultura, exterminaram quase todos os vencidos e escravizaram os poucos sobreviventes. Outros fugiram, migrando para o extremo sul da \u00cdndia e Sr\u00ed Lanka, onde vivem seus descendentes at\u00e9 hoje, constituindo a etnia Tam<span style=\"text-decoration: underline;\">i<\/span>l<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>O Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga foi produto de uma civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o guerreira, naturalista e matriarcal. A partir de mais ou menos 1500 a.C. foi absorvido por um outro povo que era o seu oposto: guerreiro, m\u00edstico e patriarcal. Cerca de mil e duzentos anos ap\u00f3s a invas\u00e3o (o que n\u00e3o \u00e9 pouco), esse acervo cultural foi formalmente arianizado mediante a c\u00e9lebre obra de P\u00e1t<span style=\"text-decoration: underline;\">a<\/span>\u00f1jali, o <em>Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga S<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00fa<\/span>tra<\/em>. Estava inaugurada uma releitura desta filosofia que, a partir de ent\u00e3o, passaria a ser conhecida como Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga D<span style=\"text-decoration: underline;\">a<\/span>rshana, ou Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga Cl\u00e1ssico, a qual propunha nada menos que o oposto da proposta comportamental do verdadeiro Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga em suas origens dravidianas. O Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga dos dr\u00e1vidas era matriarcal, sensorial e desrepressor, numa palavra, ele era t\u00e2ntrico. Essa nova interpreta\u00e7\u00e3o arianizada era patriarcal, antissensorial e repressora, ou seja, brahm\u00e1ch<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>rya.<\/p>\n<p>O mais interessante nesse processo de deturpa\u00e7\u00e3o \u00e9 que se n\u00e3o fosse P\u00e1t<span style=\"text-decoration: underline;\">a<\/span>\u00f1jali, o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga teria desaparecido dos registros hist\u00f3ricos. Gra\u00e7as a ele, que obviamente era bem intencionado e s\u00e1bio, hoje sabemos da exist\u00eancia de sua codifica\u00e7\u00e3o do Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga Cl\u00e1ssico. Os arianos discriminavam tudo o que fosse tipicamente drav\u00eddico devido \u00e0 caracter\u00edstica matriarcal considerada subversiva pela sociedade, estritamente patriarcal dos <span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>ryas. Adaptando o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga para a realidade ariana ent\u00e3o vigente, P\u00e1t<span style=\"text-decoration: underline;\">a<\/span>\u00f1jali conseguiu que a sociedade e os poderes constitu\u00eddos da \u00e9poca o aceitassem. Com isso, tal tradi\u00e7\u00e3o foi preservada e p\u00f4de chegar at\u00e9 os nossos dias.<\/p>\n<p>Na Idade M\u00e9dia, o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga sofreu outra grave deforma\u00e7\u00e3o, quando o grande Mestre de filosofia V\u00ead<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>nta, Shankar\u00e1ch<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>rya, converteu grande parte da popula\u00e7\u00e3o. Esse fato se refletiu no Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga, pois, uma vez que a maioria dos indianos tornara-se v\u00ead<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>nta<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>, ao exercer o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga a opini\u00e3o p\u00fablica e suas lideran\u00e7as passaram a conferir um formato espiritualista<a href=\"#_ftn5\">[5]<\/a> ao Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga que, desde as origens e mesmo no per\u00edodo cl\u00e1ssico, era fundamentado na filosofia S<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>mkhya, naturalista.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga sofreu mais um duro golpe: foi descoberto pelo Ocidente e&#8230; ocidentalizado, \u00e9 claro. Tornou-se utilit\u00e1rio, consumista, algo amorfo, feio e ma\u00e7ante.<\/p>\n<p>A um Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga leg\u00edtimo \u00e9 lindo de se assistir, \u00e9 fascinante de se praticar e \u00e9 excelente como filosofia de vida. \u00c9 din\u00e2mico, \u00e9 forte, \u00e9 para gente jovem<a href=\"#_ftn6\">[6]<\/a>. Todos os que nos visitam e assistem ao v\u00eddeo de apresenta\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo ficam boquiabertos e comentam a mesma coisa: imaginavam que o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga fosse algo parado, a ponto de requerer paci\u00eancia, ou algo supostamente indicado para a terceira idade! Ora, se algu\u00e9m na terceira idade resolver iniciar a pr\u00e1tica de um Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga verdadeiro corre o risco de ter uma s\u00edncope. E se for um Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga inaut\u00eantico, fruto de sucessivas simplifica\u00e7\u00f5es, adapta\u00e7\u00f5es acumulativas e ocidentaliza\u00e7\u00f5es inescrupulosas, ent\u00e3o n\u00e3o vale a pena denominar de Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga essa anomalia.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que muita gente sem certificado de instrutor atirou-se a lecionar e, como n\u00e3o possui repert\u00f3rio de t\u00e9cnicas, mistura um pouco de gin\u00e1stica, outro tanto de esoterismo, um qu\u00ea de hipnose, uma pitada de espiritismo, algo da linguagem do tai-chi, uns conceitos macrobi\u00f3ticos, tudo isso temperado com atmosfera de terapias alternativas e embalado para consumo em voz macia, com m\u00fasica <em>new-age<\/em>. Para o leigo, que n\u00e3o tem a m\u00ednima ideia do que seja o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga, a n\u00e3o ser uma vis\u00e3o estereotipada e falsa, aquela miscel\u00e2nea inveross\u00edmil satisfaz. S\u00f3 que ela, de Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga mesmo que \u00e9 bom, n\u00e3o tem nada.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos esquecer de que a palavra Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga significa <em>integridade<\/em>. \u00c9 preciso que seus representantes sejam \u00edntegros. Por isso, nos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos voc\u00ea vai ter a satisfa\u00e7\u00e3o de conhecer uma modalidade fascinante, lind\u00edssima, extremamente agrad\u00e1vel de se praticar e com uma carga de resultados capaz de deixar qualquer um perplexo. \u00c9 o Sw<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>Sthya, o pr\u00f3prio Tronco Pr\u00e9-Cl\u00e1ssico, pr\u00e9-ariano, pr\u00e9-v\u00eadico, proto-hist\u00f3rico, o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga de Sh<span style=\"text-decoration: underline;\">i<\/span>va, ultra-integral, com todas as suas caracter\u00edsticas T<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>ntrika e S<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>mkhya preservadas e mais: sua execu\u00e7\u00e3o lembrando uma dan\u00e7a, resgatada das camadas mais remotas do inconsciente coletivo!<\/p>\n<p><strong>Evid\u00eancias da exist\u00eancia do Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga Primitivo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nada nasce j\u00e1 cl\u00e1ssico<\/strong><\/p>\n<p>Em nossos estudos e mais de 20 anos de viagens \u00e0 \u00cdndia detectamos um erro grav\u00edssimo cometido pela maior parte dos autores de livros e pela maioria dos professores. Declaram eles com frequ\u00eancia que o mais antigo \u00e9 o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga Cl\u00e1ssico, do qual ter-se-iam originado todos os demais. \u00c9 muito f\u00e1cil provar que est\u00e3o sofrendo de cegueira paradigm\u00e1tica. Para come\u00e7o de conversa, nada nasce j\u00e1 cl\u00e1ssico. A m\u00fasica n\u00e3o surgiu como m\u00fasica cl\u00e1ssica. Primeiro nasceu a m\u00fasica primitiva que foi origem de todas as outras at\u00e9 que, muito tempo depois, apareceu a m\u00fasica cl\u00e1ssica. A dan\u00e7a \u00e9 outro exemplo eloquente. Primeiro surgiu a dan\u00e7a primitiva que deu origem a todas as outras modalidades e precisou consumir milhares de anos at\u00e9 chegar a um tipo chamado dan\u00e7a cl\u00e1ssica. <strong>Nada nasce j\u00e1 cl\u00e1ssico.<\/strong> E assim foi com a nossa tradi\u00e7\u00e3o ancestral. Inicialmente, nasceu o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga Primitivo, Pr\u00e9-Cl\u00e1ssico, pr\u00e9-ariano, pr\u00e9-v\u00eadico, proto-hist\u00f3rico. Ele precisou se transformar durante milhares de anos para chegar a ser considerado Cl\u00e1ssico. Provado est\u00e1 que o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga Cl\u00e1ssico n\u00e3o \u00e9 o mais antigo, consequentemente, n\u00e3o nasceram dele todos os demais \u2013 o Pr\u00e9-Cl\u00e1ssico, por exemplo, n\u00e3o nasceu dele.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa demonstra\u00e7\u00e3o, nas escava\u00e7\u00f5es em diversos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos foram encontradas grava\u00e7\u00f5es em selos de pedra com posi\u00e7\u00f5es de Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga muito anteriores ao per\u00edodo cl\u00e1ssico. Textos que precederam essa \u00e9poca j\u00e1 citavam o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante porque, ao mesmo tempo em que todos os autores afirmam que o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga tem mais de 5000 anos de exist\u00eancia, a maioria declara que o mais antigo \u00e9 o Cl\u00e1ssico, o qual foi surgir apenas no s\u00e9culo terceiro antes da Era Crist\u00e3, criando uma lacuna de 3000 anos, o que constitui incoer\u00eancia, no m\u00ednimo, em termos de matem\u00e1tica!<\/p>\n<p>Mas como doutos escritores e Mestres honestos puderam cometer um erro t\u00e3o prim\u00e1rio?<\/p>\n<p>Acontece que a \u00cdndia foi ocupada pelos <span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>ryas, cujas \u00faltimas vagas de ocupa\u00e7\u00e3o ocorreram a cerca de 1500 a.C. Isso foi o golpe de miseric\u00f3rdia na Civiliza\u00e7\u00e3o do Vale do Indo, de etnia drav\u00eddica. Conforme registraram muitos historiadores, os <span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e1<\/span>ryas eram na \u00e9poca um povo n\u00f4made guerreiro sub-b\u00e1rbaro. Precisou evoluir mil e quinhentos anos para ascender \u00e0 categoria de b\u00e1rbaro durante o Imp\u00e9rio Romano. A \u00cdndia foi o \u00fanico pa\u00eds que, depois de haver conquistado a arte da arquitetura, ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o ariana passou s\u00e9culos sem arquitetura alguma, pois seus dominadores sabiam destruir, mas n\u00e3o sabiam construir, j\u00e1 que eram n\u00f4mades e viviam em tendas de peles de animais.<\/p>\n<p>Como sempre, \u201cai dos vencidos\u201d. Os arianos aclamaram-se ra\u00e7a superior (isto lembra-nos algum evento mais recente envolvendo os mesmos arianos?) promoveram uma \u201climpeza \u00e9tnica\u201d e destru\u00edram todas as evid\u00eancias da civiliza\u00e7\u00e3o anterior. Essa elimina\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias foi t\u00e3o eficiente que ningu\u00e9m na \u00cdndia e no mundo inteiro sabia da exist\u00eancia da Civiliza\u00e7\u00e3o do Vale do Indo, at\u00e9 o final do s\u00e9culo XIX, quando o arque\u00f3logo ingl\u00eas Alexander Cunningham decidiu investigar umas ru\u00ednas em 1873. Por isso, as Escrituras hindus ignoram o Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga Primitivo e come\u00e7am a Hist\u00f3ria no meio do caminho, quando esse nobre sistema j\u00e1 havia sido arianizado.<\/p>\n<p>Tudo o que fosse drav\u00eddico era considerado inferior, assim como o fizeram nossos antepassados europeus ao dizimar os abor\u00edgines das Am\u00e9ricas e usurpar suas terras. O que era da cultura ind\u00edgena passou a ser considerado selvagem, inferior, primitivo, indigno e, at\u00e9 mesmo, pecaminoso e sacr\u00edlego. Faz pouco menos de quinhentos anos que a cultura europ\u00e9ia destruiu as Civiliza\u00e7\u00f5es Pr\u00e9-Colombianas e j\u00e1 quase n\u00e3o h\u00e1 vest\u00edgio das l\u00ednguas (a maioria foi extinta), assim como da sua medicina, das suas cren\u00e7as e da sua engenharia que construiu Machu Picchu, as pir\u00e2mides da Am\u00e9rica Latina, os templos e as fortalezas, cortando a rocha com tanta perfei\u00e7\u00e3o sem o conhecimento do ferro e movendo-as sem o conhecimento da roda.<\/p>\n<p>Da mesma forma, na \u00cdndia, ap\u00f3s 3500 anos da ocupa\u00e7\u00e3o ariana, n\u00e3o restara vest\u00edgio algum da extinta Civiliza\u00e7\u00e3o Drav\u00eddica. O Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga mais antigo? \u201cS\u00f3 podia ser ariano!\u201d Descoberto o erro hist\u00f3rico h\u00e1 mais de cem anos, j\u00e1 era hora de os autores de livros sobre o assunto pararem de simplesmente repetir o que outros escreveram antes dessa descoberta e admitirem que existira, sim, um Y<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00f4<\/span>ga arcaico, Pr\u00e9-Cl\u00e1ssico, pr\u00e9-v\u00eadico, pr\u00e9-ariano, que era muito mais completo, mais forte e mais aut\u00eantico, justamente por ser o original.<\/p>\n<p><strong>\u201c<\/strong>De fato, uma vez que a opini\u00e3o tinha um bom n\u00famero de vozes que a aceitavam, os que vieram depois supuseram que s\u00f3 podia ter tantos seguidores pelo peso concludente de seus argumentos. Os demais, para n\u00e3o passar por esp\u00edritos inquietos que se rebelam contra opini\u00f5es universalmente aceitas, s\u00e3o obrigados a admitir o que todo o mundo j\u00e1 aceitava. Da\u00ed para a frente, os poucos que forem capazes de julgar por si mesmos se calar\u00e3o. S\u00f3 poder\u00e3o falar aqueles que sejam o eco das opini\u00f5es alheias, por serem totalmente incapazes de ter um ju\u00edzo pr\u00f3prio. Estes, ali\u00e1s, s\u00e3o os mais intransigentes defensores dessas opini\u00f5es. Estes odeiam aquele que pensa de modo diferente, n\u00e3o tanto por terem opini\u00e3o diversa da dele, mas pela sua aud\u00e1cia de querer julgar por si mesmo, coisa que eles nunca conseguir\u00e3o fazer e est\u00e3o conscientes disso. Em suma, s\u00e3o muito poucos os que podem pensar, mas todos querem dar palpite. E que outra coisa lhes resta sen\u00e3o tomar as opini\u00f5es de outros em lugar de form\u00e1-las por conta pr\u00f3pria? Como isto \u00e9 o que sempre acontece, que valor pode ter a voz de centenas de milh\u00f5es de pessoas? <strong>Valem tanto quanto um fato hist\u00f3rico que se encontre registrado por cem historiadores, quando, na verdade, todos se copiaram uns aos outros, e tudo se resume, em \u00faltima an\u00e1lise, a um s\u00f3 testemunho.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Schopenhauer,<br \/>\ncitando Bayle em <em>Pens\u00e9es sus* les Com\u00e8tes <\/em>(o negrito \u00e9 nosso).<\/p>\n<p>* Como alguns leitores corrigiram <em>sus<\/em> para <em>sur<\/em>, inserimos aqui a explica\u00e7\u00e3o do dicion\u00e1rio <em>Petit Robert de la langue fran\u00e7aise<\/em>: Sus [sy(s)] adv. X<sup>e<\/sup>; du latin <em>susum<\/em>, variante de <em>sursum<\/em> \u201cen haut\u201d 1. vx <em>Courrir sus \u00e0 l\u2019enemi<\/em>, l\u2019ataquer<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 o Y\u00f4ga? (Extrato de um cap\u00edtulo do livro Tratado de Y\u00f4ga) Certa vez um famoso bailarino improvisou alguns movimentos instintivos, por\u00e9m, extremamente sofisticados gra\u00e7as ao seu virtuosismo e, por isso mesmo, lind\u00edssimos. Essa linguagem corporal n\u00e3o era propriamente um ballet, mas, inegavelmente, havia sido inspirada na dan\u00e7a. A arrebatadora beleza da t\u00e9cnica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[575,250,272,97],"tags":[627,1136,1828,546,1127,931,716,26,1124,1534,2180,1042,1033,51,639,44,870,1844,1123,2374,919,258,39,2490,1137,1032,1031,281,535,1097,163,1052,238],"class_list":["post-8169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura-geral","category-filosofia","category-india","category-livros","tag-agra","tag-antiguidade","tag-arquitetura","tag-arte","tag-civilizacao","tag-classico","tag-codificacao","tag-cultura","tag-culturas","tag-danca","tag-discipulo","tag-divindade","tag-dravida","tag-hindu","tag-hindus","tag-historia","tag-historiadores","tag-historico","tag-imperio-romano","tag-inconsciente-coletivo","tag-matriarcal","tag-mestre","tag-metodo","tag-mitologia","tag-naturalista","tag-pre-ariano","tag-pre-classico","tag-sanscrito","tag-sari","tag-shankar","tag-shiva","tag-vale-do-indo","tag-yoga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8169\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/derosemethod.org\/blogdoderose\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}