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Sou aluno do Suassuna.<br \/>\nTranscrevo abaixo o t\u00f3pico intitulado \u201cCultura Patriarcal\u201d do cap\u00edtulo \u201cConversa\u00e7\u00f5es Matr\u00edsticas e Patriarcais\u201d do livro de Humberto Maturana e Gerda Verden-Z\u00f6ller (1993): \u201cAmor y Juego: Fundamentos Olvidados de lo Humano \u2013 Desde el patriarcado a la democracia\u201d, traduzido e publicado no Brasil como \u201cAmar e Brincar: fundamentos esquecidos do humano \u2013 Do patriarcado \u00e0 democracia\u201d (S\u00e3o Paulo: Palas Athena, 2004).<\/p>\n<p>CULTURA PATRIARCAL<\/p>\n<p>Os aspectos puramente patriarcais da maneira de viver da cultura patriarcal europ\u00e9ia \u2013 \u00e0 qual pertence grande parte da humanidade moderna, e que doravante chamarei de cultura patriarcal \u2013 constituem uma rede fechada de conversa\u00e7\u00f5es. Esta se caracteriza pelas coordena\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es que fazem de nossa vida cotidiana um modo de coexist\u00eancia que valoriza a guerra, a competi\u00e7\u00e3o, a luta, as hierarquias, a autoridade, o poder, a procria\u00e7\u00e3o, o crescimento, a apropria\u00e7\u00e3o de recursos e a justifica\u00e7\u00e3o racional do controle e da domina\u00e7\u00e3o dos outros por meio da apropria\u00e7\u00e3o da verdade.<br \/>\nAssim, em nossa cultura patriarcal falamos de lutar contra a pobreza e o abuso, quando queremos corrigir o que chamamos de injusti\u00e7as sociais; ou de combater a contamina\u00e7\u00e3o, quando falamos de limpar o meio ambiente; ou de enfrentar a agress\u00e3o da natureza, quando nos encontramos diante de um fen\u00f4meno natural que constitui para n\u00f3s um desastre; enfim, vivemos como se todos os nossos atos requeressem o uso da for\u00e7a, e como se cada ocasi\u00e3o para agir fosse um desafio.<br \/>\nEm nossa cultura patriarcal, vivemos na desconfian\u00e7a e buscamos certezas em rela\u00e7\u00e3o ao controle do mundo natural, dos outros seres humanos e de n\u00f3s mesmos. Falamos continuamente em controlar nossa conduta e emo\u00e7\u00f5es. E fazemos muitas coisas para dominar a natureza ou o comportamento dos outros, com a inten\u00e7\u00e3o de neutralizar o que chamamos de for\u00e7as anti-sociais e naturais destrutivas, que surgem de sua autonomia.<br \/>\nEm nossa cultura patriarcal, n\u00e3o aceitamos os desacordos como situa\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas, que constituem pontos de partida para uma a\u00e7\u00e3o combinada diante de um prop\u00f3sito comum. Devemos convencer e corrigir uns aos outros. E somente toleramos o diferente confiando em que eventualmente poderemos levar o outro ao bom caminho \u2013 que \u00e9 o nosso \u2013, ou at\u00e9 que possamos elimin\u00e1-lo, sob a justificativa de que est\u00e1 equivocado.<br \/>\nEm nossa cultura patriarcal, vivemos na apropria\u00e7\u00e3o e agimos como se fosse leg\u00edtimo estabelecer, pela for\u00e7a, limites que restringem a mobilidade dos outros em certas \u00e1reas de a\u00e7\u00e3o \u00e0s quais eles tinham livre acesso antes de nossa apropria\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do mais, fazemos isso enquanto retemos para n\u00f3s o privil\u00e9gio de mover-nos livremente nessas \u00e1reas, justificando nossa apropria\u00e7\u00e3o delas por meio de argumentos fundados em princ\u00edpios e verdades das quais tamb\u00e9m nos hav\u00edamos apropriado. Assim, falamos de recursos naturais, numa a\u00e7\u00e3o que nos torna insens\u00edveis \u00e0 nega\u00e7\u00e3o do outro impl\u00edcita em nosso desejo de apropria\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm nossa cultura patriarcal, repito, vivemos na desconfian\u00e7a da autonomia dos outros. Apropriamo-nos o tempo todo do direito de decidir o que \u00e9 ou n\u00e3o leg\u00edtimo para eles, no cont\u00ednuo prop\u00f3sito de controlar suas vidas. Em nossa cultura patriarcal, vivemos na hierarquia, que exige obedi\u00eancia. Afirmamos que a uma coexist\u00eancia ordenada requer autoridade e subordina\u00e7\u00e3o, superioridade e inferioridade, poder e debilidade ou submiss\u00e3o. E estamos sempre prontos para tratar todas as rela\u00e7\u00f5es, humanas ou n\u00e3o, nesses termos. Assim, justificamos a competi\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o encontro na nega\u00e7\u00e3o m\u00fatua como a maneira de estabelecer a hierarquia dos privil\u00e9gios, sob a afirma\u00e7\u00e3o de que a competi\u00e7\u00e3o promove o progresso social, ao permitir que o melhor apare\u00e7a e prospere.<br \/>\nEm nossa cultura patriarcal, estamos sempre prontos a tratar os desacordos como disputas ou lutas. Vemos os argumentos como armas, e descrevemos uma rela\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica como pac\u00edfica, ou seja, como uma aus\u00eancia de guerra \u2013 como se a guerra fosse a atividade humana mais fundamental.<br \/>\nEm nossa cultura patriarcal, estamos sempre prontos a tratar os desacordos como disputas ou lutas. Vemos os argumentos como armas, e descrevemos uma rela\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica como pac\u00edfica, ou seja, como uma aus\u00eancia de guerra \u2013 como se a guerra fosse a atividade humana mais fundamental.<\/p>\n<p>Nossa Cultura \u00e9 o meio onde tudo isso foi superado, onde h\u00e1 respeito \u00e0 vida. Obrigado por nos proporcionar um ambiente t\u00e3o raro e honesto.<\/p>\n<p>Mah\u00e1 baddha abra\u00e7o.<\/p>\n<p>Oi Andr\u00e9, tudo bem? Tenho um amigo que pratica a\u00ed em Bras\u00edlia, Hugo Leonardo Queiroz, ser\u00e1 que voc\u00eas se conhecem?<\/p>\n<p>Gostei do texto Andr\u00e9 =)<br \/>\nAtrav\u00e9s do M\u00e9todo podemos nos tornar pessoas melhores sim.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo \u201cDo patriarcado \u00e0 (para a) democracia\u201d d\u00e1 a impress\u00e3o de que houve uma evolu\u00e7\u00e3o, mas houve? No patriarcado, o homem \u00e9 a maior autoridade, tendo poder sobre todos que lhe est\u00e3o subordinados, devendo estes lhe prestar obedi\u00eancia. Democracia \u00e9 um regime de governo no qual o poder de tomar decis\u00f5es pol\u00edticas est\u00e1 na m\u00e3o dos cidad\u00e3os, por meio de representantes eleitos. Veja que, os eleitos deveriam apenas representar as decis\u00f5es pol\u00edticas tomadas pelo povo, mas o que ocorre \u00e9 o inverso, o povo que representa as decis\u00f5es pol\u00edticas dos eleitos, os cidad\u00e3os enfim fazem o que o patriarcado quer. O direito de votar, manifestar e lutar foi conquistado, contudo a desigualdade ainda persiste, o poder e a opress\u00e3o tamb\u00e9m. Querendo ou n\u00e3o, se obedece a autoridade, se consente.<\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 leu o livro \u201cDiscurso da Servid\u00e3o Volunt\u00e1ria\u201d? Vou citar alguns trechos pra voc\u00ea:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 preciso combater o tirano, n\u00e3o \u00e9 preciso anul\u00e1-lo; ele se anula por si mesmo, contanto que as pessoas n\u00e3o consintam a sua servid\u00e3o. N\u00e3o se deve tirar-lhe coisa alguma, e sim nada lhe dar\u201d.<br \/>\n\u201cPara que os homens deixem-se sujeitar, \u00e9 preciso que sejam for\u00e7ados ou iludidos\u201d.<br \/>\n\u201cPara alguns, mesmo que a liberdade estivesse inteiramente perdida e de todo fora do mundo, a imaginam e a sentem em seu esp\u00edrito; e a servid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de seu gosto por mais que esteja vestida\u201d.<br \/>\n\u201cSob os tiranos, as pessoas facilmente se tornam covardes e efeminados\u201d.<br \/>\n\u201cComo \u00e9 poss\u00edvel que tantos homens, cidades, na\u00e7\u00f5es suportem tudo de um tirano, que tem apenas o poderio que lhe d\u00e3o, que n\u00e3o tem o poder de prejudic\u00e1-los sen\u00e3o enquanto aceitam suport\u00e1-lo, e que n\u00e3o poderia fazer-lhes mal algum se n\u00e3o preferissem, a contradiz\u00ea-lo, suportar tudo dele\u201d.<br \/>\n\u201cO povo parece ter perdido todo sentimento do mal que o aflige, com efeito, deixa crer que o pr\u00f3prio amor da liberdade n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o natural\u201d.<\/p>\n<p>beijos para voc\u00ea, beijos para o DeRose =)<br \/>\nFernanda.<br \/>\nUnidade Centro C\u00edvico \u2013 Curitiba\/PR<br \/>\n<a onclick=\"javascript:_gaq.push(['_trackEvent','outbound-comment','www.derosecentrocivico.org']);\" rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.derosecentrocivico.org\/\">http:\/\/www.derosecentrocivico.org\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oi Mestre! 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