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Pela primeira vez na vida, estou fora do meu pa\u00eds. Estou sozinho na \u00cdndia. E sozinho subi \u00e0s montanhas para sentir a neve e ficar um pouco comigo mesmo, avaliando as experi\u00eancias vividas neste pa\u00eds meio m\u00e1gico.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"mso-bidi-font-size: 12.0pt;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Times New Roman;\">\u00c9 um sil\u00eancio impressionante. Tudo branco. Rapidamente entrei em medita\u00e7\u00e3o e nunca antes tinha ido t\u00e3o fundo. Houve um momento em que meus olhos e aquilo que eles enxergavam, tornaram-se uma s\u00f3 coisa. A t\u00eanue luminesc\u00eancia da tarde que se extinguia, tornou-se um oceano de luz indescrit\u00edvel. Eu n\u00e3o era mais eu; nem estava mais confinado a este corpo, a este lugar ou a este tempo. Percebia, num clar\u00e3o, o pulsar das mol\u00e9culas e o palpitar das gal\u00e1xias. Percebia, de uma forma libertadora, a minha pr\u00f3pria pequenez e, ao mesmo tempo, a incomensur\u00e1vel grandeza do Ser Humano. Compreendia, de uma forma imposs\u00edvel de descrever, que toda a mat\u00e9ria \u00e9 ilus\u00f3ria como ilus\u00f3ria \u00e9 a vida e a pr\u00f3pria morte. E entendi que n\u00e3o poderia haver outra raz\u00e3o para o nascimento, sen\u00e3o a da aquisi\u00e7\u00e3o deste bem-aventurado estado de consci\u00eancia.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Times New Roman;\"><span style=\"mso-bidi-font-size: 12.0pt;\">Eu<\/span><span style=\"mso-bidi-font-size: 12.0pt;\"> estava dissolvido na Luz e eu era Luz, Luz que estava dissolvida no Som e que era Som, e eu oscilava et\u00e9reo nos acordes do Universo. N\u00e3o estava no mundo exterior nem no mundo interior. Era como se existisse um outro que extrapolasse a dualidade do &#8220;dentro e fora&#8221;, do &#8220;eu e n\u00e3o-eu&#8221;, do &#8220;ser e n\u00e3o-ser&#8221;, para , afinal, fundir o tam\u00e1s e o raj\u00e1s na definitiva dimens\u00e3o de sattwa.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"mso-bidi-font-size: 12.0pt;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Times New Roman;\">Permaneci algumas horas assim. Quando, desafortunadamente, retornei \u00e0 consci\u00eancia limitada das formas, j\u00e1 era noite e eu estava banhado em l\u00e1grimas que congelavam meu rosto. Lembrei-me de que tinha um corpo e notei que estava no meio da neve, \u00e0 noite, sem comida, sem lanterna, sem b\u00fassola&#8230; Olhei em volta mas n\u00e3o enxerguei nada. A escurid\u00e3o era total. Mesmo que n\u00e3o o fosse, minhas pegadas haviam sido cobertas pelo gelo que se acumulou \u00e0 minha volta. Achei que ia morrer nessa noite.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"mso-bidi-font-size: 12.0pt;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Times New Roman;\">V\u00e1rias vezes questionei-me sobre esse momento e quis saber como \u00e9 que eu reagiria. Pois foi uma sensa\u00e7\u00e3o de imensa paz, como se houvesse terminado uma tarefa assaz \u00e1rdua. Foi descontra\u00e7\u00e3o, leveza e um sorriso. Recostei-me para sentir a sonol\u00eancia do frio que apaga a chama da vida. E fiquei esperando pelo \u00faltimo compromisso, do qual ningu\u00e9m escapa. Foi quando surgiram imagens na minha mente, recordando minha inf\u00e2ncia, desde fatos que eu j\u00e1 n\u00e3o lembrava mais, at\u00e9 os \u00faltimos dias na \u00cdndia, nos quais aprendera tanta coisa boa. Gostei de rever aquilo tudo: deu um saldo positivo. S\u00f3 que&#8230; a miss\u00e3o n\u00e3o tinha sido cumprida. Tudo aquilo tinha sido s\u00f3 a prepara\u00e7\u00e3o para algo maior que deveria ser feito por mim e come\u00e7ando pelo Brasil. Vi, em detalhes, tudo o que deveria fazer ao voltar ao meu pa\u00eds.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Times New Roman;\"><span style=\"mso-bidi-font-size: 12.0pt;\">Ent\u00e3o<\/span><span style=\"mso-bidi-font-size: 12.0pt;\"> decidi viver. Resolvi caminhar. Mas o meu corpo, habituado a temperaturas tropicais, n\u00e3o se movia mais. Mentalizei a cor vermelha e fiz bh\u00e1strika. Melhorou bastante. Senti o cora\u00e7\u00e3o bater forte, a adrenalina no sangue e consegui caminhar. Por\u00e9m, de que adiantaria caminhar na neve, no escuro. Lembrei-me de que Theos Bernard tinha sido morto naquelas mesmas montanhas. E surpreendi-me por estar me preocupando com isso depois das viv\u00eancias a que tinha sido submetido! Cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que era preciso viver. Que a vida \u00e9 uma d\u00e1diva sagrada e que eu tinha algo a realizar na Terra.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"mso-bidi-font-size: 12.0pt;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Times New Roman;\">Concentrei-me em Shiva e estabeleci que se isso n\u00e3o fosse uma ilus\u00e3o minha, se de fato fosse importante a realiza\u00e7\u00e3o dessa miss\u00e3o, eu intu\u00edsse o caminho.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"mso-bidi-font-size: 12.0pt;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Times New Roman;\">Segui na dire\u00e7\u00e3o intu\u00edda e n\u00e3o foi preciso caminhar muito tempo. Percebi uma luzinha. Era a caverna de um saddhu que s\u00f3 falava um dialeto incompreens\u00edvel. Ele me serviu uma bebida muito quente que sorvi com avidez. N\u00e3o sei o que era. N\u00e3o tinha \u00e1lcool mas era muito forte como se contivesse gengibre e outras especiarias. A bebida e o fogo aceso fizeram a minha cama e deixei-me adormecer imediatamente.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"mso-bidi-font-size: 12.0pt;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Times New Roman;\">Fui acordado pelo milagre da vida que fazia renascer a luz, \u00e0 medida que os raios de um sol gelado rasgavam as nuvens em minha dire\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 6pt 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"mso-bidi-font-size: 12.0pt;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Times New Roman;\">Olhei em volta. N\u00e3o havia ningu\u00e9m, n\u00e3o havia caverna. Teria sido tudo um sonho, afinal, muito bonito?!&#8221;<!--more--><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma Viagem Aos Himalayas Extra\u00eddo do nosso livro Quando \u00e9 Preciso Ser Forte. \u00a0 Este artigo foi escrito durante a primeira de 24 anos de viagens \u00e0 \u00cdndia, \u00a0num alvorecer muito especial. \u00a0 &#8220;1975. Pela primeira vez na vida, estou fora do meu pa\u00eds. Estou sozinho na \u00cdndia. 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