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Eu s\u00f3 tinha uma escola e no Rio de Janeiro, na \u00e9poca, argumentava-se que o chai era quente e n\u00e3o deveria servir para o Rio, que tinha elevadas temperaturas. Eu contra-argumentava que se fosse assim, ningu\u00e9m deveria tomar cafezinho quente e isso era (e ainda \u00e9) uma mania nacional.<\/p>\n<p>Passaram-se os anos, repetiram-se as viagens \u00e0 \u00cdndia e eu insistia no chai. A nossa rede cresceu e expandiu-se por quase todo o pa\u00eds, bem como por Portugal, Argentina e, mais tarde, pela Fran\u00e7a, Inglaterra, It\u00e1lia, Espanha, Estados Unidos etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, curiosamente, embora todos declarassem que gostavam do chai, a ideia n\u00e3o pegava. O paradigma ocidental contempor\u00e2neo era de que uma escola de hindu\u00edsmo no Ocidente <em><strong>tinha que ter<\/strong><\/em> chazinho natur\u00e9ba. Voc\u00ea sabe: aquelas infus\u00f5es muito boas para a sa\u00fade, mas com gosto ruim. Acontece que n\u00e3o trabalhamos com terapia, nem com gente doente. Mas o pior era o fato de que esse costume constitu\u00eda um falso estere\u00f3tipo e n\u00f3s somos contra estere\u00f3tipos, especialmente os falsos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia perdi a paci\u00eancia e disse que a escola que insistisse em servir &#8220;chazinhos&#8221; natur\u00e9bas n\u00e3o estava alinhada conosco. Que o ch\u00e1 da \u00cdndia era o chai e que eu n\u00e3o queria ver outro que n\u00e3o fosse o chai nas nossas escolas. A\u00ed, funcionou! Todas as nossas escolas come\u00e7aram a servir o chai e assim o fizemos durante alguns anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco a pouco, vimos aparecer o chai nesta e naquela casa de ch\u00e1, bem como em alguns restaurantes mais finos. Mais algum tempo se passou e o chai se fez presente em algumas entidades culturais. Ele j\u00e1 estava bem popular quando a rede Globo lan\u00e7ou uma novela inspirada na \u00cdndia. Nossos milhares de alunos que eram aficcionados do chai exultaram ao ver na TV a nossa bebida institucional. Da\u00ed para a frente, passamos a encontrar chai em toda parte, alguns deles intrag\u00e1veis. Em <span style=\"text-decoration: underline;\">muitos<\/span> restaurantes, inseriam no card\u00e1pio uma explana\u00e7\u00e3o que era a c\u00f3pia literal dos nossos textos explicativos sobre o chai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tudo o que foi descrito, julgamos que fomos n\u00f3s que introduzimos o chai no Brasil, Argentina e Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 20px; font-weight: bold;\">Como preparar o chai <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 20px; font-weight: bold;\">(texto extra\u00eddo do nosso livro &#8220;Alimenta\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica&#8221;)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00cdndia, o chai \u00e9 feito com leite e, eventualmente, com condimentos. Muitas vezes, vi os hindus preparando o chai na rua. \u00c9 muito simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles colocam em uma panela sobre o fogo a quantidade desejada de \u00e1gua, para um copo, dois copos etc. Juntam a quantidade de leite que \u00e9 quase igual \u00e0 de \u00e1gua. Colocam a erva do ch\u00e1 preto e o a\u00e7\u00facar. Quando sobe a fervura, est\u00e1 pronto! Retiram do fogo e servem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o ch\u00e1 preto n\u00e3o deve ferver porque se torna t\u00f3xico. Claro que uma leve fervura n\u00e3o faz mal, por\u00e9m se puder evitar \u00e9 melhor. Ent\u00e3o, sugiro que voc\u00ea coloque a \u00e1gua para ferver antes, desligue o fogo e \u2013 s\u00f3 ent\u00e3o \u2013 coloque a erva do ch\u00e1 preto, o leite e o a\u00e7\u00facar. A\u00e7\u00facar branco, \u00e9 claro! Na \u00cdndia nunca vi o tal de a\u00e7\u00facar mascavo. Mas se quiser, tome sem ado\u00e7ar, pois o ado\u00e7ante artificial \u00e9 execr\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Masala tea<\/em>, ou masala chai, \u00e9 o que leva especiarias. Existe um composto que se pode encontrar em alguns importadores de condimentos, denominado <em>tea masala<\/em>. Masala (pronuncie \u201cmass\u00e1la\u201d) \u00e9 masculino e significa <em>blend<\/em>. Basta colocar um pouco do p\u00f3, a gosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ginger tea<\/em>, ou ginger chai, \u00e9 feito com gengibre, o qual deve ser cortado em fatia finas ou ralado e posto na \u00e1gua que vai ferver. Nesse caso, deixamos ebulir alguns instantes para retirar o sabor e os princ\u00edpios ativos do gengibre, antes de prosseguir na confec\u00e7\u00e3o do chai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para variar e tamb\u00e9m para dar uma refrescada no h\u00e1lito, pode-se acrescentar cardamomo. Ou em p\u00f3, ou em sementes. Neste caso, retiramos as sementes da palha e esmagamo-las com uma faca ou pil\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de bom tom coar antes de servir, a fim de evitar fragmentos do gengibre ou do cardamomo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Use um tipo de ch\u00e1 preto forte. As marcas inglesas costumam ser as melhores e s\u00e3o produzidas na \u00cdndia. Os melhores ch\u00e1s ingleses s\u00e3o do tipo Assam e Darjeeling, pois deixam o chai encorpado, com boa cor, aroma e sabor. Os ch\u00e1s pretos sul-americanos n\u00e3o devem ser utilizados porque s\u00e3o muito fracos e t\u00eam um sabor bem diferente, em nada aparentado com o do verdadeiro ch\u00e1 preto indiano. No Brasil, os ch\u00e1s indianos ou ingleses s\u00e3o muito caros, mas na Inglaterra e nos Estados Unidos s\u00e3o extremamente baratos. Vale a pena fazer uma viagem para se abastecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E um bom chai para voc\u00ea!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1975 viajei \u00e0 \u00cdndia pela primeira vez. Depois, anualmente durante vinte e quatro anos. Ao retornar da primeira viagem, comecei a oferecer o chai aos alunos. Todos gostaram, mas a ideia n\u00e3o pegou. 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