segunda-feira, 22 de junho de 2009 | Autor:

Lembro-me do meu pai. Era um homem simples, mas, como toda a gente da aldeia, vivia feliz. Devia ter uns trinta anos de idade e já estava bem consumido pelo trabalho na lavoura, pelo sol inclemente e por alguns acidentes. Havia perdido um dedo cortando lenha. Por sorte, a ferramenta era de cobre e partiu-se antes de decepar os outros dedos. Mancava um pouco por ter sido mordido no pé por um bicho peçonhento que ele não chegou a ver. Só sentiu a dor da picada e ficou dias de cama com febre. Quando se recuperou, seu pé estava endurecido como uma pedra e havia perdido o tato. Contudo, os dentes fortes constituíam seu orgulho. Gostava de sorrir por qualquer razão, pois era pretexto para mostrar que não havia perdido nenhum dente, coisa rara naquela idade avançada. Os únicos que passavam muito dessa idade eram os sábios que viviam e se alimentavam de outra forma e jamais executavam trabalhos braçais sob o sol e a chuva, nem estavam sujeitos aos ataques dos animais selvagens. Certa vez, conheci um sábio ancião com suas longas barbas brancas, símbolo da sabedoria que lhe permitira atingir tão dilatada longevidade. Acho que tinha o dobro da idade do meu pai.

Nunca vi meu pai zangado com coisa alguma. A única vez em que ele começou a ficar mais sério por causa de uma disputa com um vizinho sobre a propriedade de umas frutas, minha mãe colocou a cabeça dele em seus seios, acariciou seus longos cabelos muito negros e disse-lhe:

– A árvore está plantada fora do nosso terreno e fora do dele. Você plantou a árvore quando nosso primeiro filho nasceu. Mas quando ele faleceu, você não cuidou mais dela. O vizinho cuidou da árvore a partir de então e acha que tem direito sobre ela. Nós temos sido muito amigos desde que nos conhecemos, e ele nos ajudou e nós o ajudamos muitas vezes. As frutas que caem da árvore não podem ser motivo de conflito. Percebi que ele aprecia nossas flores. Amanhã vou me oferecer para plantar umas mudas no terreno dele e vocês fazem as pazes.

Meu pai começou a sorrir e beijar o colo da minha mãe. Logo estavam se amando como duas crianças. É que no lugar onde passei minha infância, os adultos não escondiam dos filhos os seus atos de amor. Por outro lado, meninos e meninas brincavam livremente e faziam suas descobertas sob o olhar benevolente e carinhoso dos mais velhos. Nossa civilização era alicerçada na liberdade e achávamos que todas as experiências prazerosas deveriam ser saudáveis, e nós as cultivávamos. As dolorosas deveriam ser prejudiciais e nós as evitávamos. Nós e todos os animais à nossa volta tínhamos a mesma opinião.

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segunda-feira, 22 de junho de 2009 | Autor:

Comíamos muitos cereais, raízes, frutas e hortaliças, ovos, leite, coalhada, queijo e manteiga. Algumas tribos do noroeste alimentavam-se também de peixes, mas na nossa região considerávamos primitivismo agarrar um animal, ave ou peixe, matá-lo brutalmente e devorá-lo como fazem os mais selvagens predadores.

Nós nos afeiçoávamos às cabras e búfalos, mas não conseguíamos sentir afeição pelos tigres que matavam e dilaceravam nossos animais e parentes. A maior parte das famílias já havia perdido pelo menos um ente querido morto por algum animal carnívoro. Não podíamos descer ao mesmo nível animalesco dessas feras.

Como observávamos muito a natureza à nossa volta, percebíamos que os animais vegetarianos eram amistosos e podiam ser amansados a ponto de trabalhar conosco; e os deixávamos dormir ao nosso lado sem perigo de sermos atacados por eles no meio da noite. Nenhum animal carnívoro pôde ser domesticado para trabalhar para nós, para ser montado ou para puxar uma carroça. Somente o cão se afeiçoou ao homem e, mesmo assim, não nos dava leite nem puxava nossos arados e só servia para a guarda, muitas vezes representando perigo para nossos vizinhos.

Notamos também diferenças entre as tribos, que podiam ser atribuídas aos hábitos alimentares. O corpo dos que não abatiam animais para se alimentar de suas carnes mortas era mais saudável, a pele bonita e macia, o semblante apaziguado e amistoso. Os do noroeste, além de serem fisicamente mais rudes, quando algo os desagradava aceitavam tranqüilamente sangrar o desafeto, pois estavam habituados a derramar sangue dos animais.

Nossas comidas também eram mais saborosas e aromáticas. Certa vez provamos da comida feita por um clã nômade que nos visitara. Às carnes, é claro, tivemos repulsa e não admitimos colocá-las na boca, até por uma questão de higiene. Mas alguns vegetais que as acompanhavam, aceitamos. Não tinham gosto de nada. Era como se eles achassem que comida era a carne, e que esta não precisava de temperos. O resto não merecia nenhum cuidado especial. Quando lhes oferecemos nossos vegetais preparados em fornos, com leite e manteiga, condimentados com ervas e sementes aromáticas, largaram de lado a deles e preferiram a nossa comida. Também nos pareceu que não conheciam a arte de fazer pão, pois, sendo nômades, não plantavam os cereais e, assim, davam preferência à caça e à pesca.

Tínhamos vários tipos de pão, cada qual com uma seleção de grãos e ervas, e com um formato diferente. Porém, era sempre pesado e duro. Quando perguntei à minha mãe se não podia ser mais macio, ela riu, fez uma careta e não me respondeu. Fiz-lhe outra careta e continuei mastigando meu pedaço de pão. Mais tarde, descobri que podia deixá-lo um pouco no leite e conseguia a maciez desejada.

Uma iguaria que preparávamos era uma combinação de grãos, deixados de molho em água e ervas aromáticas durante a noite. No verão, comíamos esse prato cru, acompanhado de coalhada. No inverno, o cozinhávamos e nos servíamos dele ainda fumegando.

Nossa família tinha um carinho especial por um arbusto que dava umas sementes redondas, escuras e brilhantes, que eram moídas e guardadas para serem adicionadas a algumas receitas. Além de perfumar o alimento e enriquecer o sabor, dizia-se que tinha a propriedade de aumentar a energia para o trabalho e evitar doenças.

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domingo, 21 de junho de 2009 | Autor:

Alegremo-nos!

httpv://www.youtube.com/watch?v=p7fB06S8Bq8

http://www.youtube.com/watch?v=p7fB06S8Bq8

Hava Nagila

Hava nagila, hava nagila

Hava nagila venis’mechá

Hava nagila, hava nagila

Hava nagila venis’mechá

Hava neranenah, hava neranenah

Hava neranenah

Venis’mechá

Hava neranenah, hava neranenah

Hava neranenah

Venis’mechá

Uru, uru achim

Uru achim belev sameach

Uru achim belev sameach

Uru achim belev sameach

Uru achim belev sameach

Uru achim, uru achim

Belev sameach

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domingo, 21 de junho de 2009 | Autor:

Martin Pereira

Buen día Mestre!

Hoy es el Día del Padre en Argentina.

Un saludo grande para todos los padres!!!!

Martín
Sede Palermo – Buenos Aires

 

Mis saludos afectuosos a los padres de nuestros alumnos y visitantes deste blog, y a todos los papás de Argentina. Besos cariñosos a todos, desde este abuelo (abuelo es padre en doble). DeRose.

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domingo, 21 de junho de 2009 | Autor:

É interessante que nessas três línguas a palavra PAZ seja escrita de maneiras tão semelhantes. A todos, desejamos shanti, shalom, salaam.

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domingo, 21 de junho de 2009 | Autor:

Para ampliar a foto da Agência de Notícias YôgaPress, clique em cima dela:

 

Melina

adorei a prática!!!!
algumas fotinhos de hoje:
http://picasaweb.google.com/copacabana.rj/ViparitaComOMestre#
bjs e boa noite!
mel

 

Pri Ramos

Confira as fotos do viparíta ashtánga sádhana no link:

http://picasaweb.google.com/unidade.alphaville/ViparitaAshtangaSadhana?feat=directlink
yxrbzWdLj1g-m3Wdn7rHVg?feat=directlink

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sábado, 20 de junho de 2009 | Autor:

Apesar do ritmo alegre, esta é uma música que me emociona muito. Vou postá-la aqui para compartilhar com você.

 

httpv://www.youtube.com/watch?v=0U2nBre-JEU&feature=related

 

http://www.youtube.com/watch?v=0U2nBre-JEU&feature=related

 

Ue o muite arukou
namida ga kobore naiyouni
omoidasu harunohi

hitoribotchi no yoru


Ue o muite arukou
nijindá hosi o kazoete
omoidasu natsunohi

hitoribotchi no yoru

Shiawase wa kumo no ueni

shiawase wa sora no ueni


Ue o muite arukou
namida ga kobore naiyouni
nakinagara aruku

hitoribotchi no yoru


 

Omoidasu akinohi

hitoribotchi no yoru


Kanashimi wa hosino kageni
kanashimi wa tsukino kageni


Ue o muite arukou
namida ga kobore naiyouni
nakinagara aruku

hitoribotchi no yoru
hitoribotchi no yoru 

 

 

 


Translation:
I look up when i walk so the tears won’t fall
remembering those happy spring days
but tonight i’m all alone
I look up when i walk, counting the stars with tearful eyes
remembering those happy summer days
but tonight i’m all alone
Happiness lies beyond the clouds
happiness lies above the sky
I look up when i walk so the tears won’t fall
though my heart is filled with sorrow
for tonight i’m all alone
(whistling)
remembering those happy autumn days
but tonight i’m all alone
Sadness hides in the shadow of the stars
sadness lurks in the shadow of the moon
I look up when i walk so the tears won’t fall
though my heart is filled with sorrow
for tonight i’m all alone

 

marcos_eiji
[email protected] | 189.33.235.30

Essa música é uma das preferidas de meus avós e meus pais também amam ouvi-la. Obrigado por compartilhar conosco, Mestre! Esse post tem gosto de família!

Só uma observação que talvez seja interessante: “Sukiyaki” é um prato típico japonês e não tem nada a ver com a música. Por quê, então, o título é “Sukiyaki”? Bem, nos anos 60, a gravadora Capitol Records achou que o público americano não conseguiria assimilar o título original “Ue o muite arukou” (Olho para cima enquanto ando). Por isso, a gravadora resolveu colocar como título um prato famoso que lembrasse o Japão! É como se traduzissem “Trem das Onze” como “Feijoada” simplesmente porque “Feijoada” lembra o Brasil…

Marcos
aluno de São Paulo