quarta-feira, 28 de novembro de 2012 | Autor:

A coisa mais comum é perder-se misteriosamente um pé de meia que talvez tenha caído em algum canto e ninguém haja visto. Ou furar um enquanto o outro pé daquela meia da qual você gosta tanto ainda está em boas condições. E o que dizer da meia fina de mulher, que é tão volátil…

Diga-se o mesmo dos brincos. O que mais ouço é alguma jovem lamentando, com um olhar de partir o coração: “Ah! Perdi um brinquinho. Eu gostava tanto dele!”

Sempre que for comprar brincos ou meias, compre pelo menos dois pares iguais. Assim, quando você perder um, não terá que jogar fora o outro. Reporá com um brinco ou com uma meia do par de reserva. E ainda sobrará mais um exemplar para a próxima perda! Comprando dois, na verdade você terá três pares à base de substituição. Uma bela economia, não é?

Isto vale para todas as coisas que se comprem aos pares. E faz muito bem ao coração…
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terça-feira, 27 de novembro de 2012 | Autor:

Desenvolvi um método muito eficaz para juntar dinheiro. Quando vejo algo que me atraia numa vitrine, checo o preço, tiro o dinheiro do bolso, conto aquele valor, coloco no outro bolso e digo para mim mesmo: “DeRose, você acaba de ganhar x reais.” Passo no banco e deposito essa quantia numa aplicação financeira. Como dinheiro chama dinheiro, em pouco tempo, de grão em grão a galinha realmente enche o papo. E foi assim que construí um patrimônio sólido na minha vida.

E quanto ao desejo de adquirir o tal objeto? Ah! Aquilo? Eu posso perfeitamente viver sem ele.
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012 | Autor:

Você já notou? Quando liga de novo para saber como andam as providências solicitadas ou para reclamar que sua solicitação anterior não foi atendida o funcionário do outro lado da linha aplica um artifício para deixar o cliente sem razão. ele pergunta com quem você falou.

– Ora, sei lá com quem eu falei! Falei com vocês.

Pois a partir de agora, pergunte sempre:

– Com quem eu falei? Antônio de quê, seu sobrenome, por favor.

Sim, sobrenome, porque quando você ligar para a empresa vão perguntar:

– Qual Antônio?

E você vai ficar com cara de tacho. Guarde esse nome junto com a nota do produto ou serviço. Anote também o dia e hora em que falou, pois o funcionário pode dar nome falso para não ser responsabilizado.

Tudo esse procedimento é muito complicado? Gera stress? Nada disso. É uma questão de hábito, como escovar os dentes.
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domingo, 25 de novembro de 2012 | Autor:

Tenho um grande amigo, Daniel De Nardi, que vivia perdendo a carteira, as chaves e outros periféricos. Mas ele não concorda com esta afirmação:

– Mas bah, tchê, eu não perdi a carteira! Sei perfeitamente onde ela está. Eu a deixei no cinema (ou no restaurante, ou no hotel, ou no avião).

Um dia, chegando a São Paulo, descobriu que havia esquecido as chaves do carro no Rio Grande do Sul. Mas não as perdeu, porque ele sabia perfeitamente onde elas estavam…

Canso de ensinar: carteira, chaves, celular, óculos, são como o seu fígado. Têm que estar no corpo. Você não tira o fígado e o coloca em cima de uma mesa ou cadeira para fazer seja o que for.
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012 | Autor:

Já vi muita gente declarando: “Fulano não serve para ser meu amigo. Vou lhe dizer umas poucas e boas.”

A sabedoria popular diz que mexer no que não cheira bem só faz piorar o odor. Se o Fulano em questão realmente não serve como amigo, o melhor é tomar uma medida amenizadora do mal-estar ou do mal-entendido surgido e, depois, promover um afastamento cordial.

A vida me ensinou que uma pessoa que não sirva para se conviver, alguém em quem não se possa confiar, é também uma pessoa com quem devemos evitar confusão.

O que é que você ganha discutindo com alguém? Algumas pessoas fazem isso porque andaram assistindo novela e aprenderam a “não levar desaforo para casa”. Algumas dessas pessoas nem mesmo sabem conduzir um relacionamento de amizade ou conjugal sem estar todo o tempo a contender, como se a existência devesse consistir em um incessante defender-se dos outros e proteger seu território. Isso caracteriza nível educacional muito baixo. Pessoas educadas e elegantes não utilizam esse paradigma.

Quem se melindra e briga por tudo e por nada, é portador de complexo de inferioridade. Se você não é um complexado, não precisa responder a uma agressão com outra agressão.

Agora considere: quem parte para um bate-boca não pode ser uma pessoa fina. Geralmente, tem pouco a perder. Não é o seu caso. Tornar-se inimigo de uma pessoa ralé pode lhe custar dissabores futuros, ao longo de toda a sua vida. O que fazer então? Deixar o inconveniente azucrinar a sua existência? Jamais! Quem não serve para ser seu amigo deve ser afastado com arte. Dependendo do tipo de relacionamento que vocês mantiveram, promova um distanciamento progressivo e, volta e meia, você tempera com uma cortesia. Por outro lado, recuse gentilmente os convites para o estreitamento da convivência, mediante justificativas aceitáveis.

O que você não deve fazer é partir para a briga, ou insultar, ou prejudicar a quem quer que seja. A maior parte das pessoas que trabalharam comigo e que eu precisei exonerar continua minha amiga. A maior parte das minhas ex-esposas continua mantendo boas relações comigo. As pessoas com quem não consegui preservar o distanciamento cordial e que hoje não gostam de mim, considero que, com essas, fracassei. Falha minha. Felizmente, foram poucas.

Isso de “ter que conversar” só funciona quando as pessoas são de fato amigas ou muito inteligentes, o que não constitui a média da humanidade! Nem com marido e mulher essa coisa de sentar para conversar funciona muito bem. Cada qual fica na defensiva e sai briga. Isso só funciona para os terapeutas, cuja profissão é o diálogo. É muito melhor adotar a tática da gentileza e do carinho quando não for o caso da necessidade de afastamento.

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terça-feira, 20 de novembro de 2012 | Autor:

Felizmente, hoje no mundo já não é mais permitido fumar nos aviões e, no Brasil, há décadas já não se empestam os ônibus, metrôs etc. Com a lei antifumo celebrada inicialmente no Estado de São Paulo e no Estado do Rio de Janeiro é proibido fumar em restaurantes, empresas, lojas, repartições do governo e em qualquer área pública, mesmo aberta. Já na Europa, que acena com uma bandeirola de Primeiro Mundo, é um inferno. Em alguns países, em pleno século XXI, fuma-se desbragadamente. E nós, viajores de uns rincões injustamente aviltados com a pecha de Terceiro Mundo, indignamo-nos, perplexos com a incultura e parca educação daqueles inveterados poluidores dos lugares em que comemos. Recentemente, Fernanda e eu estávamos em um shopping center e não conseguimos esperar a chegada de um elevador tal a concentração de fumaça que uma dúzia de fumantes exalava. Preferimos descer de escada.


 

 

 

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quinta-feira, 15 de novembro de 2012 | Autor:

Este é um novo capítulo que será inserido no meu livro Ser forte.

Antes de prosseguir relatando as peripécias das minhas vidas, preciso contextualizar onde se passa a história. Vivo em um subcontinente que não considero seja um simples país e sim um conglomerado de nações federadas sob uma única nacionalidade. Somos vinte e sete estados (um deles se denomina Distrito Federal), cada qual com a sua diferente etnia, religião, culinária e vertente linguística. Nas distintas combinações destas quatro variáveis, em proporções diversas, teceu-se uma vastíssima rede de culturas denominada Brasil.

Como o país promoveu uma imagem equivocada de si mesmo, preciso esclarecer que nossa terra e nossa gente talvez sejam muito diferentes da percepção que o leitor acalenta, mesmo que seja meu conterrâneo!

Estes esclarecimentos também servirão para forrar a cultura de alguns povos que sistematicamente nos perguntam sobre cobras e macacos atravessando a Avenida Paulista. Ou que declaram àquela curitibana ou gaúcha “Você não tem cara de brasileira. Você é loira de olhos azuis!” Assim, para incrementar a cultura geral de muita gente pelo mundo afora, aqui vão algumas informações que provavelmente irão surpreender.

Somos a sexta maior economia do mundo. Nossa população corresponde a um terço de toda a população da América Maior[1], a qual conta com 33 países. O nosso país sozinho (8.514.876 km2) é maior que toda a Europa Ocidental.

Não se pode estereotipar o nosso povo, já que cada “nação” foi edificada a partir de imigrações muito diferentes. Não podemos, por exemplo, declarar que o povo aqui é branco, ou negro, ou oriental, ou aborígene. Cada estado tem preponderância de alguma dessas etnias ou de uma miscigenação particular. Também não podemos declarar que a população seja católica, ou protestante, ou judia, ou muçulmana, ou shintoísta, ou budista, ou espírita, ou que siga cultos afro. Cada cidade tem sua predominância. Para mencionar apenas alguns desses vinte e sete estados, podemos citar:

O estado do Rio Grande do Sul (281.748 km2) tem território maior que a Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte juntos (U.K. = 244.820 km2). A imigração foi principalmente alemã e italiana. Em algumas cidades, ainda é possível escutar os dialetos alemães (Hunsrückisch, Plattdeutsch) e italianos.

O estado de Santa Catarina (95.346 km2) é maior que a Hungria (93.030 km2). Nele, recebemos principalmente a imigração alemã e até hoje há cidades onde só se fala alemão, com exceção da capital, na qual a imigração foi principalmente açoriana. Também tivemos a presença italiana no sul do estado.

O estado do Paraná (199.709 km2) tem território maior que a Grécia (131.990 km2). A imigração foi principalmente alemã, holandesa, italiana, polonesa, ucraniana, japonesa e árabe.

O estado de São Paulo (248.808 km2) tem território em que cabem mais de oito Bélgicas (30.528 km2). A imigração majoritária foi a italiana. Depois, a japonesa. Em seguida, a “árabe” (libaneses, sírios e turcos). Tem uma população israelita bastante expressiva e que se dá muito bem com o segmento islâmico. Convivem lado a lado, fazem negócios entre si e ocorrem até casamentos entre suas famílias!

O estado do Rio de Janeiro (43.909 km2) é maior que a Suíça (39.770 km2). A imigração foi majoritariamente portuguesa, contudo, na serra instalaram-se finlandeses, suecos, suíços e alemães.

O estado da Bahia (567.692 km2) sozinho englobaria facilmente a Inglaterra, Escócia, Irlanda, Grécia, Hungria, Bélgica, Suíça e Portugal. Tem uma presença preponderante da cultura africana na religião, na culinária, na língua e na etnia.

Os estados do Norte são alguns dos maiores. São fascinantes, um outro mundo. Essas regiões apresentam uma influência maior das culturas indígenas.

No Nordeste tivemos invasões holandesas que deixaram muitos genes recessivos de olhinhos azuis que reaparecem aqui e ali; e também invasões francesas que resultaram no nome da capital São Luís, em homenagem ao Rei Luís IX, patrono da França e ao rei francês da época (1612), Luís XIII.

No Sul e Sudeste as temperaturas no inverno podem chegar a alguns graus celsius abaixo de zero e em algumas cidades, como São Joaquim (SC), costuma nevar.

A Região Centro-Oeste abriga a nossa capital federal e Goiânia, duas cidades que foram projetadas com um planejamento estratégico.

Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, dez por cento dos brasileiros tem ao menos um antepassado alemão e 25 milhões são descendentes de italianos, sendo que a metade desse número vive no estado de São Paulo. No entanto, como um todo, fomos colonizados pelo portugueses os quais nos concederam sua nobre língua que é a melhor língua literária do mundo. Oficialmente, falamos português. Coloquialmente, falamos brasileirês que possui uma sintaxe diferente da língua mater e um vocabulário bem diverso, com inumeráveis vocábulos agregados dos povos que para cá emigraram, mais os termos indígenas e africanos, o que tornou o brasileirês a língua de vocabulário mais vasto em uso hoje no mundo e de mais largo espectro fonético. No entanto, regionalmente, surgiram os dialetos simplificados do brasileirês, tais como o gauchês, o carioquês, o mineirês, o paulistês, o paulistanês etc. Fora esses dialetos do português, falam-se nesta terra nada menos que 180 línguas (isso mesmo: cento e oitenta)!

As pronúncias do português (brasileirês) são tão diversas que, normalmente, um habitante do Sul ou do Sudeste não compreende o falar do Nordeste. Temos, por exemplo, três tipos de r: o r francês, produzido na garganta; o r italiano, línguodental; e o r inglês (como em wright), articulado principalmente no interior de São Paulo e de Minas Gerais.

Com uma vastidão territorial como a que foi descrita, bem como com tantas línguas e dialetos, é impressionante que tenhamos preservado uma unidade federativa e uma identidade nacional.

Para completar esta contextualização, que aparência têm as nossas cidades? Bem, cada cidade tem sua personalidade própria, mas podemos afirmar que São Paulo é uma das mais sofisticadas, confortáveis e seguras cidades do mundo (seguras, sim, pois em 66 anos de vida fui assaltado uma única vez).

Se precisássemos comparar São Paulo com alguma cidade, essa seria New York. São Paulo lembra um pouco Manhattan, só que é melhor. A gastronomia é deliciosamente variada e refinada. Aqui encontrei a mais apurada qualidade de vida. Tanto que, depois de viajar o mundo todo, elegi esta capital para morar e como central internacional do nosso trabalho. Só o fato de que ninguém pára tudo e fecha para o almoço, como fazem em tantos países, já constitui um grande conforto. Além disso, a qualquer hora da madrugada encontramos bons restaurantes, livrarias e supermercados onde podemos fazer compras às duas, três ou quatro da manhã. Muitas empresas funcionam 24 horas por dia.

A qualidade dos produtos e serviços, bem como a cortesia dos profissionais e dos empregados paulistas é proverbial. Até a Polícia Militar é formada por pessoas educadas e de boa índole. O atendimento hospitalar é superior ao da maior parte dos países europeus. Ah! E os nossos chuveiros! É uma delícia retornar da Europa e poder tomar uma ducha decente, com chuveiro fixo na parede e muuuita água, sem o risco de que a água quente vá se acabar no meio do banho.

Então, pergunto eu, será que há crocodilos no Sena ou no Tâmisa?


[1] Denominamos América Maior àquela porção de terras e países que se estende pelas três Américas, desde a Patagônia, no extremo austral da América do Sul, passando por toda a América Central, até o México, na América do Norte. Mesmo assim, não gostamos que nos chamem de “americanos”. Acho que os argentinos, chilenos e todos os demais habitantes das Américas também não gostam e preferem ser conhecidos pelo nome da sua nacionalidade. Da mesma forma, imagino que os estado-unidenses também não gostem de ser chamados genericamente pelo nome de “americanos”, pois essa denominação só se refere ao continente, mas não ao seu país.